#49 - Como eu

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T.E.P.T.

O transtorno do estresse pós-traumático é um distúrbio de ansiedade que se manifesta em decorrência de o portador ter sofrido experiências de atos violentos ou de situações traumáticas.

Era viver num inferno e ainda assim descobrir outro mais forte.

Antes de entrar num carro, em momentos de alta preocupação ou em surtos. Todas as memórias daquela manhã vinham à tona, com força, ensurdecendo de maneira bruta os ouvidos de Lauren com sons do acidente. Rodas do carro girando, a lataria sendo amassada pelo asfalto, o cheiro de queimado dos pneus. A imagem de Daniel com a cabeça prensada ao volante, sangrando, ferido, com os olhos sem brilho. Tudo havia se tornado uma cicatriz que se repetia, repetia, repetia. Transformando sua vida num looping infinito de traumas.

Lauren saiu do carro, deixando o motorista sozinho.

De duas semanas para cá, era sempre assim. Cinco minutos após entrar, e cinco minutos antes de sair. Exercício de respiração pedido pelo psiquiatra, para acalmar os nervos sempre que precisasse usar um veículo.

Durante a viagem, os olhos sempre estavam atentos ao painel do carro. Analisando de forma minuciosa os ponteiros digitais do velocímetro.

Quarenta quilômetros por hora, no máximo sessenta. De oitenta para cima suas mãos já apertavam o couro dos bancos, em estado de alerta temendo um novo acidente. Qualquer buzina a assustava, a fazia tremer.

Precisaria de remédios para controlar a ansiedade dali em diante. E uma droga também para dormir. Relativamente fraca, apenas para uma noite mais tranquila.

Desde a volta para casa e a confirmação do diagnóstico da mãe, sua vida também virou uma página. Um dia você está bem, acorda bem, no outro é diagnosticada com Alzheimer.

Era muita coisa ao mesmo tempo para lidar.

— Isso é mentira, além de ser resultado do trabalho de um conjunto de inúteis. — Clara falou entredentes, enquanto o doutor a encarava. Charles se aproximou e tentou ser delicado, tocando seu ombro. — Tire suas mãos de cima de mim e faça o seu maldito trabalho direito. Eu não estou doente. Não estou!

— Mãe…

Lauren interveio, entrando no meio. O peito da mãe subia e descia com violência. Seus olhos estavam marejados. Clara não aceitaria estar doente tão cedo. O estágio de negação seria contínuo até que a mesma sofresse por mais episódios.

— Você passou por testes, exames. Eles não mentem. Eu sei que são duros, mas é uma realidade que precisa ser encarada agora. A senhora está doente e isso só vai piorar se não aceitar.

Clara agarrou o pulso de Lauren, a fazendo sentir um desconforto pelo modo como foi pega.

— Não se meta com conversas de adulto, querida. Você é apenas uma criança e não sabe o que diz.

Lauren se afastou bruscamente e olhou para Troy e Charles de forma silenciosa. Negou com a cabeça por alguns instantes antes de dar a volta e atravessar a porta do quarto. Encostou a testa na parede fria do hospital e respirou fundo para conter as emoções que cresciam dentro de si.

Era só respirar como o doutor havia ensinado horas antes.

— Eu sei que não é fácil para você, Laumi. — a porta se abriu e logo ela ouviu a voz protetora de Troy. — Ela está num episódio agora e sinto muito por isso.

— Me sinto mal, Troy.

— Eu sei, ela é sua mãe e-

— Me sinto mal por não sentir o mínimo de compaixão com a mulher que está atrás dessa porta. 

The Farm At SunriseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora