quinze

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DAMIEN

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DAMIEN

— Quem é essa? 

Eu estava tão envolvido nos meus pensamentos, concentrando todo o meu foco na minha mão, enquanto desenhava linhas suaves que, aos poucos, estão se transformando em traços humanos, que eu nem percebi que tinha mais alguém além de mim na sala de jogos. 

Depois do sobressalto pelo susto, eu lanço um olhar meio perdido por cima do ombro, encontrando uma mulher de cabelo loiro com uma franja caída sobre a testa, o que me faz lembrar instantaneamente de outra pessoa; a mulher que, há muito tempo, não sai da minha cabeça. 

— Ah. Raven — fecho o meu caderno de desenhos sem nenhuma cerimônia. — Não sabia que estava por aqui. 

Ela dá a volta na minha poltrona e depois se joga no sofá à minha frente, colocando os pés sobre a mesa de centro enquanto segura uma garrafa de cerveja. Eu gosto do estilo motoqueira dela. Raven é uma mulher bonita, e isso não dá para negar. 

— Eu estou sempre por aqui — retruca ela, bebendo um gole de cerveja. — Você anda meio sumido. 

— É — concordo. — Estou muito ocupado com a faculdade. Preciso estudar. 

— Quem diria, hein? Eu nunca achei que você pudesse ser o tipo de cara que leva a sério esse lance de faculdade, mas aqui está você. 

Dou de ombros. 

— Eu quero um futuro diferente. 

— Dr. Baker… — sua voz tem um tom de provocação. — Soa legal, né? 

Acho graça. 

— Soa como qualquer outro nome de médico. 

— Acho que combina com você — opina. — Vai ser legal ser atendida por você usando um jaleco e um estetoscópio, mas receio que eu não tenha grana para a consulta. 

— Eu não pretendo trabalhar em um hospital particular, e mesmo que esse fosse o meu objetivo, eu nunca cobraria de uma amiga. 

O sorriso que Raven esboça é amargo, cheio de insatisfação. 

— Amiga — ela repete. — Afinal, eu nunca vou passar disso pra você. 

Suspiro. Esse assunto de novo, não. 

— Já conversamos sobre isso mais de uma vez — murmuro. 

— Você chama aquilo de conversa? — Sua voz carrega uma acidez que me incomoda. — Você apenas decidiu que não funcionamos bem como casal e sequer me perguntou o que eu achava disso. 

Franzo o cenho, um pouco perturbado. 

— O que você acha sobre isso não mudaria nada, até porque, quando um não quer, dois não brigam. 

PROIBIDO • COMPLETOOnde histórias criam vida. Descubra agora