Prólogo

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Epifania s.f: Entendimento repentino do sentido de alguma coisa; revelação a partir de algo inesperado; percepção intuitiva. 

"Keep your helmet, keep your life son

    Just a flesh wound, here's your rifle                 

           [..]

Cause there's some things you just can't speak about"

                                                                                                                                                       EPIPHANY

                                                                                               Prólogo

            Os sapatos faziam um irritante barulho a cada passada que o homem de cabelos negros dava em direção ao seu alvo, fazendo com que ele apertasse os dedos da mão direita em uma espécie de tic nervoso. A mão esquerda segura sua glock com firmeza, como se a arma fosse uma extenção do próprio corpo. Chuta um braço que estava em seu caminho antes de virar um corredor que se encontrava com o que parecia ser uma sala de estar. Móveis quebrados, mais corpos caidos e poças de sangue, torce imperceptivelmente o nariz, não era definitivamente a melhor das visões.

           O alvo, amarrado à cadeira, que antes vestia uma expressão de desprezo e indiferença, arregala levemente os olhos, enquanto solta grandes lufadas de ar contra a mordaça presa à própria boca. Era seu corpo mandando choques de adrenalina, já preparando-o para o pior. O homem de cabelos negros encara friamente o sujeito, enquanto guarda a arma no coldre ao lado do tórax coberto sob o blazer firmado. Chegava a ser patético todo o trabalho que teve para chegar até ali.

Um dos comparsas que ali aguardavam até aquele momento se aproxima do moreno, sussurrando algo em seu ouvido e logo dando três passos para trás, voltando à posição original.

Um meio sorriso sarcástico surge nos lábios do rapaz, sua paciência já estava no limite.

— Kizashi, você já teve dias melhores. — disse  o moreno — Eu sujei a sua casa, espero que não se importe. — limpou  levemente o sangue de seus sapatos no tapete felpudo — Sabe, não foi nada fácil te encontrar, você não costumava se esconder como um rato no esgoto.
          

Então o mais novo se aproximou do homem, arrancando a mordaça em um movimento seco.
      

— Há alguns dias atrás eu te fiz uma oferta, você sabe, eu não sou muito bom em esperar.
        

— Uchiha. — cuspiu o velho enquanto um filete de sangue e saliva escorria pelo queixo — Ao inferno você e sua oferta.

O homem de cabelos escuros e pele pálida expira o ar pela boca, fechando o punho e dando-lhe um soco no olho esquerdo logo em seguida, porquê as pessoas gostavam tanto de complicar as coisas?

— Pelo o que eu me lembre estamos dois a um, não é mesmo? — proferiu com certo pesar — Eu não acho que você tenha escolha.

— Eu posso sempre matar todos vocês, seus filhos de uma — outro soco cortou o ar, impedindo que o velho completasse sua frase.

— Minha oferta é sua melhor saida; agradeça, pois meu pai não seria tão clemente. — retrucou o moreno, limpando as manchas de sangue da mão na própria roupa, o sangue desse infeliz lhe causava nojo.

— Prefiro a morte. — respondeu meio grogue pelo soco, sorrindo e cuspindo sangue.

Sasuke puxa o ar entre os dentes, sacando sua arma e se abaixando na frente do homem. Impaciente. O cano gelado da arma é colocado abaixo do queixo, levantando a cabeça do sujeito em um movimento seco; no entanto, o velho não para de sorrir, pois na sua cabeça doentia, mesmo morto, ainda estaria ganhando.

O moreno nunca foi um cara muito paciente, era de poucas palavras, gostava de objetividade e simplicidade. Se existia um problema, ele era o cara que o resolveria de maneira metódica e fácil. Poderia somente estourar a cabeça desse italiano desgraçado, mas isso somente complicaria ainda mais os seus planos.

Contudo, sons de gritos finos atraíram a sua atenção, e logo um de seus comparças aparece arrastando escada abaixo uma garota de cabelos rosas e pele branca, a moça gritava e tentava mordê-lo, xingando-o dos mais variados nomes.

— Olha o que eu achei, chefe. — disse orgulhoso, como se tivesse acabado de encontrar seu passe vitalício.

A moça era pequena, não lhe dava um e sessenta de altura, deveria ter por volta dos seus dezessete ou dezoito anos, cabelos roséos longos e olhos verdes brilhantes, e vestia um pijama rosa bebê grande demais para a própria corporatura, completamente infantil.

— Mas que bela surpresa — disse o moreno, assistindo em completo deleite, o sorriso do homem desaparecer lentamente — Você trouxe essa maravilha até mim? Logo eu, que estive procurando-a. Não precisava — completou, com extrema ironia.

Sta lontano della mia bambina maledetto! — cuspiu, já hiperventilando.

— Ela estava escondida numa passagem secreta no quarto principal. — disse o capanga de cabelos longos e olhos amarelados.

Cazzo! Eu mandei ficar escondida até que eu fosse te buscar, Sakura! — gritou Kizashi, totalmente transtornado.

A menina continuava tentando morder a mão do velho fedorento que cobria sua boca, enquantos seus pés tentavam, inutilmente, acertar alguma coisa.

Uma risada rouca ecoou no salão.

O Uchiha mantinha a cabeça baixa, uma mão na cintura enquanto o cano da pistola alisava lentamente a própria têmpora. Quão irônico era o fato de que caçou essa filha da puta pelo país inteiro e de que só precisou achar o pai para encontrar o filhote? Kizashi realmente era ou muito astuto ou incrivelmente idiota.

Com um meio sorriso, Sasuke dá as costas, fazendo apenas um sinal com a mão. Seus homens logo começam a se retirar, levando consigo a jovem de cabelos rosados que se esperneava e resmungava tentando se soltar.

— Sakura! Soltem-na! — ralhou Kizashi, forçando os braços contras as amarras — Ela não sabe de nada, porra! Ela não tem nada a ver!

Oh, Sasuke sabia disso, sabia que a moça era inocente quanto uma flor, pôde constatar isso ao longo do tempo em que esteve à sua procura. Então, o mais novo paralisa no lugar, pensativo. Era ridículo, tudo isso era tão entediante para si.

Encarou Kizashi de esguelha, por cima do ombro.

O velho arfava, espumando de raiva, realizara o fato de que estava completamente contra a parede, sem saída. Diante à isso, o moreno armando-se com um sorriso de canto respondeu-lhe:

Em guerra, inocente é escudo.

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