Seus passos se tornaram inseguros à medida que avançava através daquele corredor vazio e pouco iluminado. Em um mantra, repetiu para si mesma que aquilo era apenas resultado de sua perna dolorida, mas a cortina escura e pesada que movia-se lentamente ao final da ligação parecia acusá-la de que não deveria estar ali.
O silêncio era absoluto. As unhas médias de Sakura se apertaram contra a palma suada no momento em que encontrou a si mesma parada diante a primeira porta.
O que encontraria ali? O que o homem de cabelos negros escondia?
Sem refletir além do necessário, forçou a maçaneta para baixo e a porta se abriu em um leve ranger. Pressionou os dentes e olhou alarmada em direção à escada, sabia não possuir muito tempo, então sem mais delongas a moça se esgueirou através da pequena abertura.
Quando um breu se estendeu diante de si, Sakura, impaciente, tateou as paredes ao seu lado à procura de um interruptor.
Não previu o suspiro de alívio que escapuliu de seus lábios rosados ao ter o cômodo iluminado para si. O que você esperava Sakura? Sangue e membros decapitados em conserva? Bem, talvez sim, mas quem poderia julgá-la? Não era como se fosse algo realmente impossível depois de tudo que já viu. Ainda recordava-se da cena sangrenta que presenciou ao encontrar seu pai amarrado naquela cadeira, tem quase certeza que havia uma cabeça decepada em um dos cantos daquele cômodo.
Céus. Tampou a boca com as mãos quando a lembrança forçou a bile amarga contra sua garganta, como alguém podia ser capaz de fazer algo assim com outro ser humano? Era algo mórbido demais, doentio. Ultrapassava os limites da perversidade.
Massageou a nuca inesperadamente tensa e suada, dando passos vacilantes para perto dos diversos móveis cobertos com lençóis brancos, podia quase ver a espessa camada de poeira sobre eles, deixando-os quase amarelos.
Um piano. Um baú. Um aparador. Um sofá. Algumas poltronas. Uma pequena mesa. Vidraças empoeiradas. Cortinas fechadas. E também um grande quadro prendido à parede.
Sakura se aproximou, puxando o lençol levemente, deixando-o que escorregasse através da pintura.
Recordava-se do rosto daquela mulher, não era o primeira vez que a via. Bastava uma única vez para que aqueles traços tão peculiares ficassem impressos na mente de alguém: cabelos tão escuros quanto a noite e olhos tão negros que podiam facilmente ser confundidos com duas pedras de obsidiana. Particularidades únicas que eram observadas apenas em outro alguém. Não havia dúvidas que Sasuke e aquela mulher possuíam algum tipo de parentesco. Talvez fosse sua mãe, ou uma irmã. Talvez fosse a avó, quem sabe.
No chão, à esquerda, o que pareciam quadros menores também jaziam cobertos pelo pano.
Sakura se aproximou, curiosa, removendo em um puxão o tecido moribundo.
Eram dois quadros: o primeiro retratava uma família de quatro pessoas, e ali no canto direito estava aquela mesma mulher. Mas o que realmente lhe chamou a atenção foi a criança caçula ali figurada, a mesma possuía muitos dos traços faciais do homem de cabelos negros. Talvez fosse o nariz reto de pontinha arrebitada, a pintinha quase invisível na canto inferior do queixo ou aquele olhar tão inconfundível. Não havia nenhuma dúvida, definitivamente era ele ali. E aquela era a sua família.
O segundo quadro retratava apenas essa mesma criança ao lado do rapaz adolescente. Nenhum dos dois sorriam, estavam de pé, lado a lado. Mas o mais velho mantinha a mão sutilmente apoiada no ombro do mais novo, em um gesto de conforto. Alguns bons anos separavam um do outro notava-se facilmente. Eram muito parecidos. Sasuke possuía um irmão? Aqueles eram seus pais, certo? Então onde está sua família? Pelo o que entendeu a máfia da qual o homem de cabelos negros fazia parte dependia muito das ligações sanguíneas, do seio familiar. Havia também uma hierarquia, definitivamente. Logo não deveria ter sido o seu irmão mais velho a herdar a posição? Havia tantas perguntas rondando sua mente naquele momento.
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Epiphany
Fiksi PenggemarSakura, que fora criada a vida inteira em uma redoma de vidro, é sequestrada por Uchiha Sasuke. Intrigas, segredos, acordos, horrores do crime e uma inocente. A história conta a epifania de Sakura, onde descobrirá as verdades sobre si mesma, seu pa...
