Niki - Enhypen

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Com a grande herança que consegui da minha avó, consegui comprar uma casa melhor pra mim, não estava mais aguentando morar naquele apartamento. Vou sentir falta dela, e como sua única neta, a herança veio todinha pra mim. Triste por ela ter partido, mas feliz por tudo o que ela me deixou.

Nessa casa, já estou bem acomodada, só tem um quarto vago, e não vou deixá-lo como outro quarto de hóspedes, já tenho dois, por que mais um? Pode ser um quartinho da bagunça, pode ser uma área de lazer, com jogos ou música.

Ou, eu posso adotar um bichinho. Eu sempre quis um bichinho, só nunca tive as condições certas pra cuidar de um. Não falo de um gato, cachorro, hamster, até pássaro, mas eu queria mesmo um leopardo. Doideira, né? Eu amo esse animal, sempre quis cuidar de um, e agora eu posso, tenho condições pra cuidar de um tranquilamente.

No dia seguinte, consegui comprar um. Infelizmente não tem doação, mas tudo bem, agora eu tenho um filhote de leopardo pra cuidar, e vou treiná-lo pra ser meu companheiro fiel e amigo, nada de me comer. Até porque não vou deixar que falte comida pra ele.

Como posso chamá-lo? Hmm.... ele até que é bem mansinho e fofo, mas logo vai crescer e ser tenebroso. Pelo menos de aparência, porque vou criá-lo pra ser doce e amigável. Já sei, seu nome será Niki.

Ele acabou de completar dois meses, e como ainda não me conhece bem, vou tentar passar mais confiança. Ele aparenta ser só um gatinho inofensivo, mas só aparenta. O bocejo dele é quase um mini rugido, achei fofo até.

-- Oi Niki. - sorri pra ele, que estava conhecendo o lugar. Deixei aquele quarto apenas pra ele poder brincar, onde ele ficaria mesmo seria lá fora, e nas noites frias, aqui dentro.

Ele parecia com medo, se encolheu em um cantinho. Eu ri, indo até ele, e quando me aproximei, não é que tentou me atacar?

-- Calminha - o peguei no colo e fiz carinho nele, logo começou a ronronar. - Eu não vou te fazer nenhum mal, vou cuidar de você.

Ele se acomodou no meu colo, fechando os olhinhos e... dormiu. Parece até que entendeu o que eu disse. Tentei me levantar sem o acordar, mas não consegui, mesmo assim o coloquei na caminha dele, deitou de novo, agora me olhando.

-- Deve estar com fome, né? - sorri. - Eu vou dar uma saída, mas já volto.

Saí pra comprar carne, muita carne. Embora esteja muito cara ultimamente, isso não é problema pra mim. Problema financeiro pra mim, nunca mais.

Só que, quando voltei, não encontrei Niki, e sim um garoto no lugar dele. Mas.. como assim? De onde esse menino surgiu? Cadê o meu filhotinho? O assustei quando me aproximei, me olhou com medo. Aquele mesmo olhar de medo. Eu vi que suas orelhas estavam entre seus cabelos louros, eram felpudas, e também tinha um rabinho de... leopardo?

-- Niki? - me aproximei devagar do mesmo, que se afastava. - Calma, não vou te fazer mal.

Ele se encostou na parede, ainda assustado, eu continuei me aproximando, até passar as mãos delicadamente pelos seus cabelos, em seguida, consegui ouvir seu ronrono.

-- Tá tudo bem, não precisa ficar com medo. - sorri pro mesmo. - Está com fome?

Assentiu. Acho que não sabe falar.

-- Eu trouxe algo pra você, espero que goste. - mostrei a ele as sacolas que eu segurava.

-- Tudo isso pra mim? - me surpreendi quando falou. - Vai mesmo cuidar do Niki?

-- Sim, claro que vou. - aprimorei meu sorriso. - Eu me sinto solitária, queria uma companhia, e por que não um bichinho? Eu só não sabia que você podia se transformar em... humano também.

-- I-isso não é problema, né? - começou a brincar com seu rabinho, com a cabeça baixa. - Não vai me jogar na rua como minha mãe fez?

A própria mãe o abandonou? Nem devo imaginar como foi difícil pra ele.

-- Vem cá. - o abracei. - Eu prometo que nunca vou te abandonar, vou sempre estar ao seu lado cuidando de você. E se quiser, eu posso ser sua mãe. - isso pareceu menos estranho na minha mente.

-- Tá bom. - disse de uma maneira fofa, retribuindo o abraço. - Mas, agora o Niki pode comer?

-- Claro, claro. - entreguei a ele as sacolas.

Sei que está em forma humana, mas também sei que ele vai comer a carne assim mesmo do jeito que está. Talvez eu deva sair e dar privacidade a ele.

Não imaginei essa possibilidade. Eu queria um amigo pra mim, pra eu me animar, ficar feliz no meu dia a dia. Comprei um animalzinho, porém, não imaginei que ele poderia se transformar em pessoa. Ele ainda é um filhote de dois meses, mas em forma humana, parece ter quinze anos. Bom, o que me resta é cuidar dele, pois prometi, e não vou descumprir.

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