Milímetros

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– A gente pode só andar um pouco mais devagar?- Marlene falava logo atrás de nós.

Era mais um sábado em que estávamos em Hogsmeade, a festa se aproximava e estava sendo simplesmente impossível segurar a ansiedade apenas sentados na comunal.

– Se andarmos no seu ritmo as mesas do Três Vassouras vão lotar.- Regulus brincou.

Ha ha, que engraçado.- Lene debochou.- Segura a onda, Sirius júnior.

O grupo em que eu estava era o mais inesperado de todos. Eu e Lily andávamos na frente, Regulus e Pandora logo atrás e Marlene atrás deles reclamando sobre estar cansada demais.

A nossa sorte foi que quando chegamos no pub lotado Dorcas já estava lá guardando nossa mesa e bebendo sua cerveja amanteigada.

–Achei que não chegariam nunca.- a garota reclamou enquanto nos sentávamos.

–A culpa é toda da sua namorada.- Regulus falou rindo e Marlene cerrou os olhos para ele.

– Sério, Regulus? Vocês gays que andam rápido demais!- Lene falou, e o resto de nós segurou o riso.

–Como se você também não fosse gay.- ele retrucou.

Pedimos nossas bebidas quando o garçom passou pela nossa mesa. Como sempre, eu optei por hidromel ao invés de cerveja amanteigada, me lembrei de Sirius ao fazer meu pedido, segundo ele eu combinava com hidromel.

–Acho que eu sou a única aqui que ainda não escolheu o vestido.- Lily massageou as têmporas.

– Eu já disse, vermelho fatal.- falei e os outros concordaram, Lily ficava linda de vermelho.

– Eu voto a favor, aliás essa é a cor favorita do Potter.- Dorcas pontuou e as bochechas de Lily coraram.

– Eu não ligo pro Potter.- ela cruzou os braços, nós rimos, até Regulus que tinha uma queda pelo grifano à anos.- Do que você tá rindo, Mary? Sirius gosta de preto e se não me engano seu vestido é exatamente dessa cor.

Eu vi o olhar de Regulus sobre mim, ele fazia aquele olhar toda vez que mencionavam Sirius perto de mim. E claro que Pandora tinha a mesma expressão, eu já esperava que ele fosse contar para melhor amiga sobre o incidente de Natal.

– Eu vou de preto porque, caso você não saiba, Evans, eu estou em uma banda de rock.- falei bebericando meu hidromel.

– Claro, uhum.- Dorcas provocou.

– Que cara é essa, Black Júnior?- Marlene perguntou à Reg, seu rosto estava todo vermelho e assim que Pandora notou ela deu um tapa na própria testa.

– Que droga, Reg.- Pan riu de desespero.

– O que aconteceu?- Lily perguntou.

Eu olhei para os dois espertinhos,eles tinham as bochechas vermelhas e a expressão de quem não conseguia guardar nenhum segredo. Eu quis mata-los, a sorte deles era que eu já planejava contar sobre o Natal nos Black para as garotas.

– É uma história engraçada.- Regulus começou forçando a risada.

– É, vocês vão detestar...-Pandora tentou dizer mas eu a interrompi.

–Eu e Black quase nos beijamos.- contei e Marlene deixou seu copo de cerveja amanteigada cair.

– Ta brincando?- Dorcas perguntou antes de ter qualquer reação, Lily permanecia estática.

– Não, na verdade teríamos nos beijado se Regulus não tivesse interrompido.- falei terminando meu copo.

– Qual é, garoto!- Lene falou e ele arregalou os olhos.

– Eu ia saber que eles iam se pegar na adega, no meio do Baile de Natal?- Reg bebericou seu copo tentando se livrar da culpa.

Eu terminei de contar em detalhes tudo que havia acontecido, afinal Marlene, Dorcas e Lily nunca se dariam por satisfeitas enquanto a história não fosse contada nos mínimos detalhes.

Dorcas havia dito que não acreditava que havíamos quase nos beijado e depois agimos como se nada estivesse acontecendo, e realmente, eu não entendi como estávamos fazendo aquilo, mas estávamos.

A tarde em Hogsmeade havia sido ótima, cheia de assuntos sobre a festa, a Operação Hipogrifo, qual vestido Lily usaria e como faríamos Diggory beijar Regulus na festa.

Ao voltar para o castelo, eu fui até o dormitório de Black, eu estava com as anotações de Astronomia que ele havia pedido, e seria bom que ele as lesse antes de começarmos os estudos.

Eu bati na porta três vezes, e quem abriu foi Remus que logo deu um sorriso. O dormitório dos garotos era como o das meninas, mas mais bagunçado e cada cantinho tinha um detalhe que remetia a cada um, eu percebi que o canto de Sirius tinha vários pôsteres de banda.

– Sirius, a Mary está aqui.- ele falou e eu pude ouvir as risadinhas de James e Peter.

– Como sabe que eu vim falar com ele?- perguntei entrando e acenando para os garotos.

– E você não veio?- James cruzou os braços e eu fiquei vermelha.

– Calma, diga para ela esperar até que...- Sirius saiu do banheiro com o corpo úmido e a toalha na cintura.

–Certo, hora de irmos.- Remus falou vendo minha expressão envergonhada.

Os três grifanos saíram de seus quartos mesmo não precisando. Eu havia dito que não tinha necessidade, mas James me olhou com malícia quando disse que era por precaução e eu revirei os olhos.

–Desculpa estar te esperando sem roupa.- Sirius falou e eu fiquei ainda mais vermelha.- Na verdade eu não estava te esperando, eu não sabia que você vinha, se eu soubesse eu teria colocado uma roupa, não que eu não vá colocar uma roupa agora...

– Sirius.- eu ri do jeito envergonhado dele.- Eu só vim deixar as anotações, não precisa colocar suas roupas.

Meu arrependi no momento em que terminei a frase, não consegui pensar direito enquanto olhava as entradas em seu abdômen definido e seus braços nada fracos. Caramba, o que aqueles braços poderiam fazer comigo...

Então não quer que eu coloque roupas?- ele parou onde estava e ficou me encarando com os braços cruzados.- Eu só fico sem as minhas se você tirar as suas.

Eu senti meu estômago esfriar enquanto ele chegava perto, como eu queria que Sirius Black arrancasse minhas roupas, mas é claro que eu apenas revirei os olhos.

– Não foi isso que eu quis dizer, Black.- falei fazendo menção de sair, mas ele segurou meu braço fazendo com que eu encostasse na porta.

Sirius olhou em meus olhos e pousou uma das mãos na cintura, apertando tão repentinamente que eu soltei minha respiração aliviando a tensão sexual.

– Sirius, pode me dar licença?- eu pedi educadamente fingindo que não estava gostando daquilo.

Sirius apenas continuou a me olhar com desejo quando colocou as duas mãos por baixo da minha camiseta.

Ele apertou minha cintura, o toque de seus dedos e o gelado de seus anéis fez com que eu arfasse, é claro que ele havia gostado daquilo, e saber que ele gostou de me ouvir arrepiou todo meu corpo.

– Quer que eu te de licença ainda?- ele perguntou tão pertou da minha boca que poderíamos nos beijar se não fosse por mínimos milímetros de distância, eu assenti.- Então porque você está arrepiada?

Eu continuei encarando Black, eu não me renderia, mesmo que fosse tudo que eu queria fazer.

–Sirius...- falei sentindo minha voz fraca.- Me de licença, por favor.

Ele me soltou relutante, sem tirar os olhos verdes acizentados da minha boca e do meu corpo.

– Obrigado pelas anotações.- ele disse com um sorriso de canto antes que eu saísse.

Maldito Sirius Black.

Only One - Sirius BlackOnde histórias criam vida. Descubra agora