Capitulo 5

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(...)

Ainda arrependida de ter saído com Loisa para afogar minhas mágoas. A cada bebida que me entregavam me levava para outro mundo. Loisa tava louca, dançamos, bebemos e na hora de ir embora pedimos um táxi.

***

— Não gosto de ser uma simples recepcionista! É chato e bem entediante. —  Loisa fala com a voz embolada e rouca, tropeçando em seus saltos cor prata, que a mesma insistira de ir, após várias sugestões de ir apenas com um tamanco baixo.

— Po-por quê? — pergunto mais embolado que ela.

— Porque meu lugar é em um daqueles escritórios, porém fiz uma coisa horrível! —  ela diz choramingando.

— Desembucha vadia! — falo me escorando nela, tentando ao máximo identificar o carro do táxi, que dizia estar dois minutos dali.

As duas estavam tropeçando sobre as pernas em pleno domingo as três horas da matina. Com toda a certeza, não batiamos bem da cabeça.

— Não, isso já é segredo... — ela faz sinal de silêncio e praticamente capota ao meu lado, batendo a cabeça no meio fio.

***

Após lembrar disso, me bate mais curiosidade sobre o assunto. Se o lugar dela é no escritório, então por que ela é recepcionista? Uma diferença e tanto de cargos, pois recepcionista fica abaixo de secretária.

Tomo um banho gelado para tirar a ressaca, sinto a água bater em minha pele e fico pensando no motivo de eu ter bebido tanto na noite passada. Bryan era meu motivo. Depois daquele episódio, ele não disse nada.

Bufo com meus pensamentos e termino meu café. Minha mãe teve que sair cedo, então fiquei de tomar café sozinha. Sai para pegar o ônibus e esperei por quase uma hora, mas o ônibus parecia estar atrasado. Logo ouço um ronco de motor, e um carro parar em minha frente, o mesmo carro do meu chefe.

— Entra! O ônibus vai demorar. — ele manda, olhando pela janela do carona, esperando uma atitude minha.

— Não precisa, o ônibus já está vindo...  —  falo crendo nessa possibilidade, mas é óbvio que ele pularia aquele horário e apareceria só no próximo. Bryan bufa descendo do carro, apoiando o braço no capô, encarando-me outra vez com seus olhos azul intenso, os mesmos que me olharam antes de quase colar seus lábios nós meus.

— Entra logo ou te dou advertência por chegar atrasada! — ele fala entrando no carro novamente, e sorri, ao perceber que eu estava adentrando o veículo, com um pouco de raiva. Ele sai do ponto fazendo-me sentir o solavanco do carro.

— Não precisava. — falei ainda olhando pela janela. A vista estava linda da ponte Tower Bridge, a qual passávamos rápido, sentindo apenas o vento gélido sobre a pele.

— Você prefere ir de ônibus, que está atrasado, do que ir comigo? — ele pergunta sério, sem olhar em minha direção. Parece avaliar a minha resposta, sem mesmo eu ter dito ela.

— Não é isso. — falo. — é que você é estranho...

Ele ri forçado, mas naquela situação não tem nada a rir. Estou séria, agora olhando para as minhas mãos que estão sobre meu colo. O quê será que ele pensa? Quase nos beijamos e ele simplesmente consegue agir naturalmente. Ele é o noivo aqui, e parece ter apagado aquela situação. Talvez eu devesse fazer isso também.

— Sempre fui estranho. — ele fala rápido, girando o volante em uma curva só com uma mão, estabilizando o mesmo logo em seguida. Ele tinha um auto controle invejável, algo que eu precisava ter para lidar com ele.

Amante Do Meu ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora