Chego na sala onde todos estão reunidos. Quando me avista, Bernardo da um sorriso animado. Me aproximo dele e falo em seu ouvido:
- Está tarde, pode me levar para casa? - pergunto e ele acente, pegando a chave do carro no bolso.
- Claro! - ele se apronta. - gente, irei levar a Violet para casa. - ele chama a atenção dos demais.
- Mas já querida? - Rosângela vem ao nosso encontro com os braços abertos. Ela me dá um abraço forte, falando sobre meu ouvido. - um prazer conhece-la, espero te ver em breve.
Sorrio com suas palavras, ela parecia ser uma boa pessoa. Ela era uma pessoa elegante, aquela mulher ali em minha frente de seus 1.55 de altura, esbanjava carisma e um sorriso de orelha a orelha.
- Obrigada pelo jantar, eu amei tudo! - falo sorrindo, mas quando lembro do episódio na biblioteca eu fecho o sorriso.
- Violet, já vai? - o pai de Bernardo se aproxima, aquele senhor tinha uma elegância e os filhos herdaram isso dele.
- Sim senhor Bennet, tenho algumas coisas para resolver ao amanhecer. - me justifico, ganhando um olhar de compreensão.
- Bernardo filho, a traga mais vezes, amei conhece-la. - fala a senhora a nossa frente.
- Mas é claro minha mãe, talvez semana que vem? - fala Bernardo me olhando, parecendo querer uma resposta mas nada falo. apenas o olho sem graca e o mesmo percebe.
O mesmo pousa sua mão sobre o fim das minhas costas, poucos milímetros de minha bunda. Sinto um desconforto, tento me afastar mas é inútil.
Bryan aparece na sala, anda devagar, parecendo não querer chamar a atenção. Seu olhar avermelhado me acha, mas logo acha também a mão do seu irmão mais novo sobre minhas costas. O azul dos seus olhos fica escuro, sua expressão é de raiva e irritação, seu olhar é desviado para Ingrid que está em pé a sua frente e lhe agarra o pescoço.
Me despeço de todos e vou em direção a porta, olho para trás e os olhos dele ainda estão em mim, mesmo que todos ja estivessem distraidos com outras coisas. Entro no carro estacionado à frente da mansão, Bernardo parece animado, me apresentar para a família o deixou alegre, não quero tirar essa alegria dele.
- Que bom que esta de bom humor bernardo.- falo divertida e o mesmo abre um sorriso maior.
- Como não ficar? Com uma mulher maravilhosa que nem você ao lado! - pergunta e eu sorrio. Um cavalheiro! - aliás, não se sentiu mal com as perguntas feitas no jantar?
- Não, pelo contrário, me senti incluída.
- Que bom, porque as vezes minha família é meio... Intrometida. - fala fazendo careta.
Ele arranca com o carro. A noite está fria, diferente do dia que estava quente. Olho para frente vendo as ruas escuras com poucos carros, os prédios já começavam a aparecer, e as luzes da cidade de longe já eram perceptíveis. Sinto um par de olhos em mim, Bernardo queria me falar algo, mas eu não estava preparada para aquilo.
Após um caminho longo e sem nenhuma palavra, Bernardo para o carro em frente à minha porta, olho ao redor para ver se tem alguma alma viva ainda na rua, mas está deserta.
- Obrigada por me levar, e me trazer, foi muito legal! - agradeço sincera, ganhando um sorriso em troca. Parece o sorriso do...
Ah nao! O sorriso do seu irmão não!
- Não tem nada a me agradecer, obrigado você por me acompanhar. - diz se aproximando. - sem você lá, essa noite seria uma merda!
- Não seja para tanto, foi muito agradável, estaria bem sem mim. - digo me afastando. Ele estava avançando o sinal vermelho, não queria ter que dar uma multa, não naquela noite.
- Por que está se afastando? - ele pega em minha cintura, me fazendo parar aonde estava. - Esta com medo? Nao faria nada que nao quisesse, nao sou desses que agarra sem permissao. - ele pende a cabeça para um lado.
- Claro que não, eu sei disso, so... -
- Então prove! Prova que nao esta com medo de mim. - sua voz sai baixa, sua boca está quase tocando a minha.
- Eu não quero provar nada. - falo também baixo.
- Posso te dar um beijo?
Talvez eu devesse provar...
- Ok
Bernardo abaixa a cabeça, quebrando aquele milímetro de distância que ainda havia entre nós. Sua boca tomou a minha em segundos, minha boca se abre, não consigo me desvencilhar de seu aperto. Suas mãos começam a ficar rígidas, e sinto o beijo ficar mais forte, Bernardo não mede esforço e logo adentra minha boca com sua língua. Sinto gosto de vinho, mas não me incomodo, oque me incomoda é o fato de eu não sentir nada...
Merda! Mil vezes merda!
Me incomoda o fato de um homem lindo, estar ali me beijando e eu não sentir nada! Nem um arrepio, nem uma calcinha úmida, nada! Ele se afasta aos poucos, percebendo minha rigidez, seus olhos eram pura luxúria e sua boca era puro desejo, mas eu estava ali ainda me perguntando oque acabara de acontecer.
- Desculpa... - Bernardo se afasta e eu continuo a olhá-lo.
- Tudo bem...
- Não, desculpa mesmo! Eu avancei um sinal que não deveria, talvez até estraguei as poucas chances que tinha! - fala culpado e eu sinto dó, porém não escondo oque penso.
- Bernardo, não é isso, é mais complicado do que você imagina. - falo passando a mão em cima dos cabelos, fazendo abaixar o volume dos fios rebeldes.
- Eu sei, aquele papo de que está ainda juntando os cacos. Mas não acha que deveria dar uma chance ao amor? Não acha que deveria amar outra vez? - os olhos verdes me examinam, pareciam querer uma resposta para aquelas perguntas, mas nem eu mesma sabia responder.
- Eu... Não sei. - respondo.
- Confia em mim, eu vou te ajudar, eu vou ajuda você a amar de novo. Esse babaca fez alguma coisa que a machucou, mas eu sou diferente, não vê?! - bufo, estou ficandochateada com a situação. Bernardo esta ali na minha frente falando do seu irmão sem saber, isso era uma loucura.
- Sim, ele me machucou, mas o problema não é esse, não quero entrar em uma relação tão rápido! - coloco a mão no rosto, ele tenta se aproximar mas me afasto. - melhor você ir Bernardo!
- Não! Você quer fugir de mim e não irei aceitar isso, Violet, só uma chance... - o olho pensativa, se ele soubesse o porque não quero lhe dar essa chance, ou por causa de quem eu estou desse jeito. - Prometo nao te machucar.
- Não Bernardo, como eu disse eu quero ir aos poucos, quero dar tempo ao tempo e isso é o máximo que posso fazer. Você é incrível, amoroso, gente boa, mas eu estou indecisa com os meus sentimentos. Gosto de você, mas preciso varrer e tirar a sujeira do meu coração primeiro para depois me dar ao luxo de amar outra vez. - meu olhar era gélido, sentia como se estivesse partindo o seu coração em pedaços.
Bernardo acente, sua boca agora está uma linha reta, ele parece entender, mas mesmo assim sua pose é de dúvidas.
- Ok, não irei te pressionar mais. - ele suspira, levantando os braços em rendição. - estarei a sua disposição para caso mude de ideia, não sei oque esse filho da puta fez com você mas prometo que se me der uma chance, eu irei concertar isso! Mas fique tranquila...
- Bernardo...
- Não, está tudo bem! Só, conte comigo para tudo Violet, sempre estarei ao seu lado! - ele se aproxima rapidamente, me dando um beijo longo na testa.
Seu gesto me faz repensar sobre a conversa, mas lembro do beijo e acho que é o melhor a se fazer, não quero machucar uma pessoa para aumentar o meu ego, para eu me sentir bem, pelo contrário, estarei me sentindo a maior filha da puta. Foi melhor assim.
- Obrigada... - minha voz sai como um sussurro contra o vento da noite.
Bernardo entra em seu carro, seu olhar é baixo, mas mesmo assim sorri com o seu melhor sorriso. Acena um tchau com a mão e sai, sem dizer mais nenhuma palavra.
Foi melhor assim...
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Amante Do Meu Chefe
Roman d'amourDeterminada a conquistar sua independência, Violet Grims vê sua vida mudar ao conseguir uma vaga em uma das maiores empresas de advocacia da Inglaterra. O que ela não esperava era cruzar o caminho de Bryan Bennet - seu chefe arrogante, irresistível...
