CAPÍTULO 8

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— Vou comprar pipoca e algumas bebidas para a gente. Quer mais alguma coisa?

— Não, só isso já está bom.
         
Assim que John saiu, voltei a olhar os filmes em cartaz. Homem-Aranha, Através da Minha Janela, Simplesmente Acontece... Simplesmente Acontece?! Esse filme voltou ao cinema? Eu amava esse filme!

— Se decidiu? — John se aproximou, me entregando um pote de pipoca e um refrigerante.

— Você viu que Simplesmente Acontece está passando hoje? —      Perguntei, mordendo discretamente o lábio inferior da boca enquanto esperava a resposta.

— Nossa, esse é bem antigo. Acho que já tentei assistir uma vez, mas cochilei na metade.

— Jura? — Fiz uma cara desapontada.

— Estou brincando! Esse filme está na minha lista há anos. Só adiei de propósito.

— Quer ver comigo? — Sorri, animada.

— Acho que o destino me fez esperar até hoje, só para ver com você.

— Que coisa mais brega! — Ri dele.

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Aqui estava eu, chorando pela milésima vez com esse filme. Impossível não chorar assistindo. Eu poderia vê-lo de novo daqui a algumas horas, e as lágrimas ainda viriam.

— Quer um lenço?
          
Virei o rosto e vi John me oferecendo um lenço branco.

— Obrigada. — Peguei o lenço e discretamente limpei os olhos. — Mas... Desde quando você anda com um lenço no bolso? Em que ano você vive?

— Trouxe hoje só para você. Imaginei que, se fôssemos ver um drama, você poderia precisar.
           
Era impossível não sorrir. Ele era tão atencioso, cuidadoso... Como alguém assim podia ser tão perfeito?

— Aposto que você é um mestre em encontros.

Ele riu, sem responder.

— Quer fazer algo especial agora?

— Acho que não. — Dei de ombros, sem ideia do que ele queria dizer.

— Então vem comigo. Quero te levar a um lugar.
           
Ele estendeu a mão para mim, e aquele sorriso lindo me desarmou. Como eu poderia recusar?

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Era um restaurante, mas não qualquer um. Tinha um palco aberto para karaokê e instrumentos, incluindo um piano maravilhoso.

— Como você descobriu esse lugar? — Eu sorria como criança.

— Tenho meus contatos.

— Hum...

— Queria te trazer a um lugar especial. Pensei que, como já tínhamos marcado o cinema, podia te surpreender com algo a mais.

— Devia ter avisado. Eu teria me arrumado melhor. — Olhei para minha roupa despojada. O lugar era clássico, eu destoava totalmente.

— Relaxa, você está linda. Acho que é o restaurante que precisa se adaptar à sua beleza.

— Você andou pesquisando cantadas baratas?

— Só me sinto inspirado.
           
Por que ele me olhava assim? Eu estava ficando sem graça.

— Quer sentar para comer? — Desconversei.

— Vamos, sim.
          
Ele segurou minha mão, e eu não pude deixar de notar nossos dedos entrelaçados. Era tão fácil me deixar levar por ele.
          
O garçom nos conduziu até uma mesa, e pedimos algumas bebidas e petiscos. Tudo ali era tão retrô e chique ao mesmo tempo. John parecia pertencer a esse ambiente: elegante e sofisticado.

— Você toca para mim?

— Tocar? Como você sabe que eu toco piano?

— Tem um motivo para eu ter te trazido aqui. Eu fiz minha lição de casa e descobri que você é uma musicista incrível.

— O quê? Foi a Rebecca que te contou?
           
Ele apenas sorriu. Eu ia matar aquela garota!

— Sim, eu estudei piano por um bom tempo e toco em casa às vezes. Mas é só um hobby, e nunca toquei para muita gente.
          
Olhei ao redor; o restaurante estava cheio.

— Qual é, Hanna, aposto que você é incrível. Nunca te ouvi tocar, mas posso imaginar.

Olhei para o piano, tentada a tocar depois de tanto tempo sem tocar uma nota.

— Está bem, mas só uma música.
           
Juntei coragem e fui até o piano. Quando coloquei as mãos sobre as teclas, senti uma conexão imediata. Fui dedilhando Nuvole Bianche, de Ludovico Einaudi. Era uma das minhas preferidas.
           
Ao terminar, recebi aplausos e sorri, tocada pela sensação de estar ali, naquele momento tão especial. Eu não teria muitas oportunidades de tocar em público, e a atenção de John em me trazer aqui tinha sido um presente.

— Sabia que você seria incrível.

— Obrigada. — Respondi, tímida e um tanto incrédula. Eu estava tão feliz que mal conseguia comer.

— Quer sair daqui agora?
          
Assenti, e deixamos o restaurante de mãos dadas.

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Andamos em silêncio por uns quinze minutos até nos aproximarmos da universidade.
         
De repente, ele parou e virou para mim. E eu percebi como ele estava bonito: camisa social branca com as mangas dobradas, calça xadrez e um relógio grande e brilhante. Notei isso porque sua mão estava bem próxima ao meu rosto, acariciando minha bochecha.

Ele se inclinou e, sem perceber, nossos lábios se encontraram. O beijo foi lento e calmo. Agora, eu podia dizer que aquela noite estava perfeita.

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