CAPÍTULO 47

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"As coisas nem sempre são do jeito que esperamos. Não temos todo o tempo do mundo. Momentos e pessoas não são eternos, e o controle sobre isso é uma ilusão. Em um piscar de olhos, a paisagem diante de nós pode mudar. Por isso, não espere para viver ou perdoar depois. E, acima de tudo, siga em frente. Siga em frente e escolha fazer melhor. Guardar ressentimentos apenas nos aprisiona e aumenta o arrependimento de uma vida vivida pela metade.
Se você respira, se está aqui, com a chance de existir, faça valer a pena. Algumas pessoas dariam tudo por essa oportunidade.
E, quando a vida lhe der a chance de fazer diferente, faça valer a pena."

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Quatro anos depois

Minhas mãos estavam suadas. Eu havia me preparado tanto para este dia, havia ensaiado sem descanso, mas, ainda assim, a ansiedade era inevitável. O dia finalmente havia chegado.

- Você tem certeza de que a maquiagem está boa? - Perguntei, tentando me distrair.

- Claro que está. Fui eu que fiz! Agora, vai lá e arrasa! - Rebecca respondeu, guardando seus pincéis com a rapidez de quem tinha tudo sob controle. - Vou esperar lá fora com todo mundo. Nada de desistir agora, entendeu?

- Entendido.

Sacudi as mãos, assoprei os dedos e balancei as pernas, como se estivesse me preparando para uma batalha.

- Ei, o Mark veio com você? - Perguntei, lembrando-me da briga que eles haviam tido dias atrás.

- Na verdade, decidimos ser apenas amigos. Depois desses longos quatro anos, percebemos que algo ainda faltava. Acho que nossa amizade é mais forte do que qualquer outra coisa. Ainda estou esperando encontrar alguém que faça meu coração estremecer.

Sorri, entendendo o que ela queria dizer. Rebecca devolveu o sorriso, e ele parecia carregar algo mais. Recentemente, ela havia mencionado um encontro inesperado com John e como isso havia mexido com seus sentimentos. Talvez, no fundo, sempre houvesse algo entre eles, mas isso era uma história para outro momento. Uma spin-off?

Falando em John, ele ainda vivia afastado da família, mas mantinha contato breve conosco. Ele estava em processo de reconciliação consigo mesmo e com os outros. A relação com a família tinha melhorado, e todos esperavam pacientemente pelo seu retorno.

Rebecca saiu, e o tempo parecia acelerar. Eu conseguia ouvir os aplausos vindos da plateia, marcando o fim de uma sinfonia. A próxima apresentação seria a minha.

Ó céus, era agora. O que eu faria?

- Mamãe!

A voz doce e animada ecoou pela sala, e meu coração se aqueceu.

- Minha pequena! - Segurei Sophie em meus braços, rodopiando com ela enquanto ela gritava, cheia de alegria.

Minha visão foi interrompida por um grande buquê de flores que surgiu em minha frente. Coloquei Sophie no chão e aceitei o arranjo, sorrindo ao receber um beijo breve do meu marido.

- São lindas! - Falei, inspirando o perfume suave das rosas. - Mas o que estão fazendo aqui? Pensei que estivessem na plateia.

- Íamos esperar até o fim da apresentação, mas Rebecca disse que você estava nervosa. Achei melhor passar aqui para desejar sorte mais uma vez.

- Obrigada. - Passei os braços ao redor de seus ombros, sorrindo ao vê-lo tão perto.

- Ah, não! - Sophie reclamou, abaixando-se com as mãos cobrindo o rosto de forma adorável. - A Sophie não pode ver essas coisas! É "inti... inti..."

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