— O senhor supostamente sabia que iríamos vir, não é mesmo? — Archie questionava com firmeza, encarando o homem à nossa frente, que sorria de maneira descontraída, quase desafiadora.
— Digamos que o tempo me ensinou a ler as pessoas.
Estávamos nós três em um espaço ao ar livre, uma espécie de estufa coberta por plantas e flores que deixava entrever o vasto terreno verde ao redor. À distância, trabalhadores podavam arbustos e árvores, mas o ambiente, apesar de bucólico, parecia carregado de tensão.
— Por que não come alguma coisa, Hanna? — O homem desviou a atenção para mim, oferecendo um sorriso educado, quase paternal.
— O suco já está de bom tamanho, obrigada.
— Certo. — Ele assentiu, mantendo o tom amável. — Mas diga-me, de quem herdou esses cabelos ruivos? Do seu pai, sei que não foi.
— Puxei a minha bisavó. Na verdade, acho que sou a única da minha geração com cabelo ruivo. Mas... o senhor conhece meu pai, não é mesmo?
— Não é à toa que estou aqui.
Minha garganta secou. Falar sobre meu pai era sempre como pisar em cacos de vidro. Tentei manter a postura, mas senti minhas mãos começarem a suar.
— Onde ele está, afinal? — Archie perguntou, direto. Sua expressão estava séria, o tom levemente acusador. — Pelo que sabemos, ele não está preso, mas também não há registro de sua liberdade.
— Se o senhor sabe onde ele está, por favor, nos diga — Insisti, minha voz saindo mais alta do que esperava.
O homem nos avaliou por um momento, antes de responder com uma calma irritante:
— Ouçam bem, jovens. Se ele pediu para que eu falasse com vocês, é porque, por algum motivo, ele ainda não pode aparecer.
— Ora essa! — Minha paciência estourou, e bati o punho na mesa, me levantando de forma abrupta. — Ele desapareceu por anos e agora nos manda enigmas?!
— Mas não foram vocês que o abandonaram?— A voz do homem cortou como uma lâmina. — Quantas vezes compareceram às audiências? Tentaram ouvir a versão dele?
— EU ERA UMA CRIANÇA! — Gritei, minha voz embargada.
— Então, criança, não fale do que não sabe. Ou sinta remorso pelo que pensa saber. Alguma vez parou para se perguntar como ele se sentiu durante todos esses anos? Não, não é? Porque estava ocupada demais sentindo pena de si mesma.
Suas palavras foram um soco no estômago. Um nó se formou em minha garganta, e meus olhos ardiam. Ele estava certo. Durante todos esses anos, guardei apenas mágoa do meu pai. Nunca o procurei, nunca questionei minha mãe quando ela me desencorajava.
— Então, o que o senhor tem a me dizer? — Perguntei, derrotada, voltando a me sentar.
— Sei que está tentando descobrir a verdade sobre o passado. E, sim, seu pai é inocente. Ele não tentou matar Luke Stewart.
— E quem foi? — Archie apertou o maxilar, tenso.
— Thomson Flooder, a mando de Dylan Clifford.
Dylan Clifford. Aquele nome ecoou em minha mente como um trovão.
— O que o senhor está dizendo? Tem provas disso? — Archie insistiu, seus olhos queimando de frustração.
— Não há justiça para homens como Dylan. Só vingança.
— Chega! — Archie levantou-se abruptamente, puxando minha mão.
— Vamos, Hanna. Esse homem não vai nos dizer nada de útil.
Quando estávamos prestes a sair, a voz do homem nos deteve:
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TANGERINA
Romansa"Tudo começou com um segredo. E, desde então, Sierra Campbell viveu uma mentira." Depois que seu pai foi preso em circunstâncias que ninguém ousava mencionar, Sierra foi forçada a abandonar sua cidade, seu nome e sua vida. Agora, como Hanna Clifford...
