— Tem mais alguma bagagem, Hanna? — Mark estava me ajudando a colocar algumas malas no porta-malas do carro.
— Não, essa é a última.
Eu havia prometido à minha mãe que a visitaria nesse fim de semana. Por isso, decidi que viajaria, mas sairia antes de todos no domingo e passaria o resto do meu feriado em casa. No entanto, eu não poderia deixar de ir nessa viagem.
— Eu não sabia que você tinha tantas coisas assim no quarto, Hanna. — Rebecca se aproximou com o seu chapelão de palha, ainda me provocando por causa das três malas que eu estava levando. — Você trouxe tudo que tinha? Está de mudança?
Eles riram.
— Nunca se sabe do que vai precisar. E eu quero estar preparada.
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Seguimos o caminho até a casa de férias da prima de Rebecca. Ficava a mais ou menos uma hora e meia de carro. O trajeto era longo, mas a vista ficava cada vez mais surreal. A casa ficava dentro de uma floresta, perto de um lago. Era grande, bem cuidada e com uma vista incrível. O vento e o silêncio, apenas o barulho da natureza, já me faziam sentir renovada e entusiasmada.
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— Seja bem-vinda, minha querida prima.
A tão famosa May surgiu na nossa frente e foi de encontro a Rebecca. Elas se abraçaram e trocaram afagos ao se verem, mas dava para notar certa falsidade em suas ações — a típica cena de gente que convive, mas só se suporta.
— Olha aí, eu vim. — Rebecca forçava um sorriso.
— Estou vendo! E quem são seus amigos? — Ela forçou um sorriso ainda maior que o anterior.
— Esses são Mark e Hanna. São meus amigos da faculdade.
Quando May se aproximou para apertar minha mão, olhou-me dos pés à cabeça, e seu sorriso pareceu murchar um pouco. Ela me conhecia?
De qualquer forma, não pude deixar de observá-la também. Era uma garota extremamente linda. Sua pele era clara e limpa, e seus cabelos... Pelos olhos puxados, deveria ser descendente asiática. Se me dissessem que era uma atriz de doramas, eu com certeza acreditaria.
— Vamos nos apressar para entrar. O resto dos meus convidados já chegaram.
Convidados?
Eu não precisei imaginar muito quem seriam, já que os mesmos apareceram assim que ela terminou de falar.
Archie e John. Os irmãos Stewart. Que droga! Por que os dois?
— Precisa de ajuda com a mala, Hanna?
John se aproximou e eu apenas aceitei sua ajuda. Archie simplesmente passou por nós e foi ajudar Mark a retirar o restante das malas do carro.
Assim não iria dar certo! Como eu poderia me aproximar do Archie se John estava aqui, parecendo "colar" em mim? Mas nós já não tínhamos conversado? Por que ele parecia querer manter contato apesar da nossa conversa?
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Se por fora a casa já era bonita, por dentro era de outro mundo. May nos mostrou nossos quartos. Como a casa era grande e tinha vários cômodos, cada um ficou em um. O meu era ao lado do de Rebecca, então fiquei um pouco mais aliviada.
— Prontinho. Vocês podem se acomodar agora e, mais tarde, se quiserem, podemos fazer algo juntos. Tem uma sala de jogos, podemos andar a cavalo, de barco ou jogar algum esporte ao ar livre também. Só quero que se sintam à vontade e curtam esse fim de semana. Inclusive vocês, Mark e Helena.
Helena?
— Hanna!
Ela me ignorou e virou em direção a Archie.
— Archie, você poderia me ajudar a abrir minha mala? Acho que o zíper emperrou e eu não tô conseguindo abrir. — Fez beicinho.
Por que ela estava fazendo beicinho? Estava querendo ser fofa por acaso? Era uma criança?
— Você é tão forte, não vai ser sacrifício me ajudar, não é mesmo? — Ela roçou a mão nos braços dele, e aquilo fez meu sangue começar a ferver.
Tentei me acalmar internamente para não parecer um pimentão vermelho na frente dos outros. Mas como iria sobreviver a isso se só era o primeiro dia e já parecia tão difícil?
Só que... instantaneamente meu coração se acalmou quando, pela primeira vez no dia, vi Archie me olhar nos olhos.
Enquanto May se insinuava ao seu lado, ele apenas me encarava hipnotizado, e isso fez meu coração disparar. Seus olhos eram frios e distantes, mas ainda assim calorosos e brilhantes.
Dessa vez, senti meu rosto enrubescer, já que ele não disfarçava enquanto me observava.
— Então vamos? — May insistia.
Engoli seco sem perceber.
— Vamos, May. — Ele era educado, mas seu humor ainda era sério.
Precisei respirar fundo para me recompor. Quando me virei, percebi que John havia notado toda a situação, e aquilo me deixou ainda mais constrangida.
— Aonde quer que eu deixe suas malas?
— Pode deixar aí na cama dela. — Rebecca se intrometeu, me salvando de um momento constrangedor. — Nós garotas ainda temos muito o que fazer, então podem ir para o quarto de vocês. Vem, Hanna... Vou te ajudar primeiro e depois você vem e me ajuda.
Ela me puxou pela mão e nós entramos no quarto. Não preciso dizer que ela praticamente fechou a porta na cara dos garotos, certo?
— Que climão, hein amiga? Senti a tensão entre os irmãos Stewart. Disputadíssima você!
Ela se jogou na minha cama e se aconchegou para me olhar enquanto eu arrumava a mala. Ela não ia me ajudar? Não sei por que me surpreendia!
— Eu não estou sendo disputada. Eu nem sei direito o porquê do John estar querendo se reaproximar de mim depois do que aconteceu entre nós, mas posso te garantir que não é porque gosta de mim! Só que... Vai ser difícil passar um tempo com o Archie se o John continuar por perto. — Admiti.
— Uh... Então é mesmo o Archie? Sabia que é a primeira vez que você fala dele para mim? — Ela se empolgou. — Então você está apaixonada?
— Deixa de ser boba. — Acertei-a com uma das roupas que estava guardando. — A verdade é que, no final das contas, ainda tem sua prima, podre de rica e linda!
— E você não é assim também? Deixa de ser tonta, Hanna. Se o Archie quisesse algo com ela, já tinha conseguido. Por que, ô mulher oferecida, essa minha prima! Ele está pouco se importando com ela. Mas eu vi como ele te olhou.
Sorri sem perceber.
Embora só fizesse um pouco mais de um ano que conhecia Rebecca, ainda assim sentia que ela era uma amiga de longa data, e eu era grata por sua companhia louca.
— E não se preocupe que eu cuido da May. Vou me juntar com o Mark e vamos despistar aquela cobra. Você só vai precisar despistar o John.
— Ok. — Assenti. — Ei, mas mudando de assunto, o que aconteceu com o... Como era o nome dele mesmo? Erik!
— O Erik?
— Sim! Eu não te vi mais com ele. A última vez foi na lanchonete.
— Ele não faz muito meu tipo. Percebi que era apenas um rostinho bonito, mas era insuportável ouvi-lo falar.
Ela revirou os olhos e eu ri com suas expressões.
— Mas e o Mark? Ele sempre parece estar por perto e meio que vive te cercando. Não tem nada entre vocês?
— CRUZES, HANNA! Você não me ouviu falar que odeio homem insuportável? Eu e o Mark somos como cão e gato, percebeu?
— Já vi muito romance começar assim...
— Só se for nos filmes que você assiste, porque na vida real isso não dá certo. Olha, depois dessa vou para o meu quarto arrumar minha mala!
Ela deu um pulo da cama, toda descabelada e desnorteada.
Eu continuei rindo da situação. O que eu iria fazer com essa garota?
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TANGERINA
Romance"Tudo começou com um segredo. E, desde então, Sierra Campbell viveu uma mentira." Depois que seu pai foi preso em circunstâncias que ninguém ousava mencionar, Sierra foi forçada a abandonar sua cidade, seu nome e sua vida. Agora, como Hanna Clifford...
