Assim que abri os meus olhos, senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão. Minha cabeça estava latejando de dor e por mais que tentasse não conseguia me lembrar, como tinha chegado ali.
Olhei o celular: 13:00 hora. Eu realmente tinha dormido demais…
— Acordou para a vida, Margarida? — Rebecca arrumava sua cama e por isso conclui que ela teria acordado a pouco tempo também.
— Que horas a gente… — Segurei minha cabeça ao sentir a dor ficar mais intensa.
— Toma isso, vai te ajudar com a ressaca.
Sem nem cogitar tomei todo o líquido da xícara que ela me entregou.
— É chá de gengibre. — Me informou.
— Que horas a gente chegou?
— Hum...Talvez às 02:00 horas? Foi por aí eu acho. Espera, você realmente não lembra de nada?
— Não mesmo! Parece que minha cabeça deu delete em todas as lembranças do que aconteceu depois que eu comecei a tomar aquele coquetel. Me diz, quem foi que disse que aquele coquetel não embebeda, hein?
— Eu não disse isso. Eu te disse pra ir com calma. Fora que quando eu cheguei você já estava toda animada com o garoto de Educação Física. Que festa, hein, Hanna? Você sabe como aproveitar uma.
De repente as imagens começaram a surgir na minha cabeça.
— Espera. Me diz que eu não dancei com...
— E beijou também. Foi "o beijooo"!
Beijo? O que?
— Relaxa! Muitas pessoas acabam se beijando enquanto dançam. Sabe, acho que é o clima do momento.
De repente mais memórias surgiram na minha cabeça. Droga Hanna, o que você fez? Que vergonha!
— Aconteceu mais alguma coisa? — Me sentia desesperada. — Ainda não consigo me lembrar como cheguei em casa.
— Ah...Isso? Na verdade, você me surpreendeu bastante! Acho que não lembra mais você foi vomitar no banheiro masculino.
Arregalei os olhos ao me lembrar disso também.
— Ah, não! O rapaz da Educação física sabe que eu o deixei plantado para ir vomitar, logo depois de beijá-lo?
Rebecca riu.
— Sério que você fez isso?
— Para, isso não tem graça! — Lhe acertei com meu travesseiro.
— Calma. Na verdade, acho que até agora ele não sabe onde você tá. Só que, você deve ter dado um belo susto nos homens que estavam no banheiro masculino naquela hora. — Senti meu rosto queimar ao imaginar a cena.
— Mas quanto ao seu crush* pode ficar tranquila. O rapaz que me avisou sobre seu estado, foi bem discreto e me ajudou a te levar até um táxi. E eu vou te dizer, que homem hein?! Você anda muito sortuda Hanna Clifford. O cara era um deus grego e ainda te carregou nos braços.
— Homem? Que homem?
— O que te ajudou quando você estava vomitando. Sabe, quando eu vi ele, pensei em fingir que estava bêbada também. Vai que colava… — Minha amiga parecia empolgada.
Mas por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar dessa parte da história.
— E como ele te achou?
— Ele disse que desbloqueou seu celular com sua digital e que viu meu número nas chamadas mais recentes. Ele até pediu desculpas por invadir sua privacidade assim, mas não conhecia ninguém que pudesse ajudar na hora. Ele é muito educado… E ele disse que quando perguntou sobre Rebecca você resmungava que Rebecca era sua VACA. “Muito” amiga você.
Eu ri. Por que essa garota não leva nada a sério?
VOCÊ ESTÁ LENDO
TANGERINA
Romance"Tudo começou com um segredo. E, desde então, Sierra Campbell viveu uma mentira." Depois que seu pai foi preso em circunstâncias que ninguém ousava mencionar, Sierra foi forçada a abandonar sua cidade, seu nome e sua vida. Agora, como Hanna Clifford...
