CAPÍTULO 5

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Assim que abri os meus olhos, senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão. Minha cabeça estava latejando de dor e por mais que tentasse não conseguia me lembrar, como tinha chegado ali.
           
Olhei o celular: 13:00 hora. Eu realmente tinha dormido demais…

— Acordou para a vida, Margarida? — Rebecca arrumava sua cama e por isso conclui que ela teria acordado a pouco tempo também.

— Que horas a gente… — Segurei minha cabeça ao sentir a dor ficar mais intensa.

— Toma isso, vai te ajudar com a ressaca.

Sem nem cogitar tomei todo o líquido da xícara que ela me entregou.

— É chá de gengibre. — Me informou.

— Que horas a gente chegou?

— Hum...Talvez às 02:00 horas? Foi por aí eu acho. Espera, você realmente não lembra de nada?

— Não mesmo! Parece que minha cabeça deu delete em todas as lembranças do que aconteceu depois que eu comecei a tomar aquele coquetel. Me diz, quem foi que disse que aquele coquetel não embebeda, hein?

— Eu não disse isso. Eu te disse pra ir com calma. Fora que quando eu cheguei você já estava toda animada com o garoto de Educação Física. Que festa, hein, Hanna? Você sabe como aproveitar uma.
           
De repente as imagens começaram a surgir na minha cabeça.

— Espera. Me diz que eu não dancei com...

— E beijou também. Foi "o beijooo"!

Beijo? O que?

— Relaxa! Muitas pessoas acabam se beijando enquanto dançam. Sabe, acho que é o clima do momento.

De repente mais memórias surgiram na minha cabeça. Droga Hanna, o que você fez? Que vergonha!

— Aconteceu mais alguma coisa? — Me sentia desesperada. — Ainda não consigo me lembrar como cheguei em casa.

— Ah...Isso? Na verdade, você me surpreendeu bastante! Acho que não lembra mais você foi vomitar no banheiro masculino.

Arregalei os olhos ao me lembrar disso também.

— Ah, não! O rapaz da Educação física sabe que eu o deixei plantado para ir vomitar, logo depois de beijá-lo?

Rebecca riu.

— Sério que você fez isso?

— Para, isso não tem graça! — Lhe acertei com meu travesseiro.

— Calma. Na verdade, acho que até agora ele não sabe onde você tá. Só que, você deve ter dado um belo susto nos homens que estavam no banheiro masculino naquela hora. — Senti meu rosto queimar ao imaginar a cena.
— Mas quanto ao seu crush* pode ficar tranquila. O rapaz que me avisou sobre seu estado, foi bem discreto e me ajudou a te levar até um táxi. E eu vou te dizer, que homem hein?! Você anda muito sortuda Hanna Clifford. O cara era um deus grego e ainda te carregou nos braços.

— Homem? Que homem?

— O que te ajudou quando você estava vomitando. Sabe, quando eu vi ele, pensei em fingir que estava bêbada também. Vai que colava… — Minha amiga parecia empolgada.
         
Mas por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar dessa parte da história.

— E como ele te achou?

— Ele disse que desbloqueou seu celular com sua digital e que viu meu número nas chamadas mais recentes. Ele até pediu desculpas por invadir sua privacidade assim, mas não conhecia ninguém que pudesse ajudar na hora. Ele é muito educado… E ele disse que quando perguntou sobre Rebecca você resmungava que Rebecca era sua VACA. “Muito”  amiga você.
           
Eu ri. Por que essa garota não leva nada a sério?

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