CAPÍTULO 19

89 23 128
                                        

— Então, o que vão querer? — May parecia amuada.

— Eu quero ser a anfitriã da festa amanhã. — Rebecca provocou.

— O quê?!
          
May arregalou os olhos, e eu não pude deixar de rir baixinho.

— Não era qualquer coisa?

— Mas ter bom senso é de graça.

— Deve ser por isso que você não tem, só consome coisa paga. Esnobe do jeito que é...
          
A cor pálida de May agora estava vermelha. Eu quase conseguia ver fumaça saindo de suas orelhas, mas todos ao redor apenas se divertiam com a situação.

— Olha aqui, Rebecca...

— Pensando bem, prefiro pizza no jantar. Esse é meu pedido. — Como minha amiga era debochada!

— SUA...

— Eu quero que a Hanna me acompanhe até o vilarejo amanhã, quando eu for buscar as encomendas da festa da May. Você pode ir comigo, Hanna?
         
O pedido inusitado de John fez até a briguinha das primas parar. Olhei disfarçadamente para Archie, que estava bem atrás do irmão; ele apenas sorriu.

— Ok.

— Uuuh... Não sabia que estavam de casalzinho. — May me fez revirar os olhos. Ela deveria adorar ser insuportável.

                  __________ _________

          
Depois do jantar, decidi voltar para o quarto e descansar um pouco. Os garotos foram jogar na sala de jogos, Rebecca ficou jogada no sofá mexendo no celular, e May tentava chamar a atenção de todos, em especial a de Archie. Sinceramente, eu estava sem paciência para os comentários sem noção dela e para vê-la tentando manter contato físico com ele. Por que ele deixava essa garota se aproximar tanto?

Sploc-Sploc
          
Algo bateu na minha janela.
Mesmo sentindo um pouco de medo, levantei da cama para conferir.

— Ei, Hanna. — Archie quase cochichava.

— O quê você...? Por que está aí?

— Desce aqui. — Ele fez gestos para que eu descesse.
          
Eu sorri. Do que ele estava se escondendo?
          
Saí do quarto e desci as escadas discretamente, passando despercebida pela minha amiga que continuava no celular.

— Por que não me ligou? Teria sido mais fácil. — Falei assim que o encontrei do lado de fora da casa.

— Deixei meu celular no quarto e não queria ter que subir e voltar depois. Vem comigo! — Ele segurou minha mão e me puxou, correndo.

— O que você está fazendo? Seu doido!
         
Eu estava de pijama e casaco, correndo sem destino sobre a grama verde-escura. Era uma cena típica de filme romântico, e eu não conseguia conter o sorriso.

— Aqui.

— Aqui o quê?
         
Observei o lugar vazio, apenas grama e algumas árvores ao redor.

— Este é o lugar perfeito para vermos as estrelas. A grama é baixa, e as árvores não atrapalham a visão do céu.

— Sério que me chamou para isso?

— Por que, não foi uma boa ideia? Eu queria fazer algo diferente com você, e não encontrei muitas opções para ficarmos a sós. Achei que seria simples e romântico.

— Romântico? O que aconteceu com "vou com calma"?

— E eu vou... Mas um soldado só vence a guerra lutando; tenho que fazer minha parte também.

TANGERINAOnde histórias criam vida. Descubra agora