CAPÍTULO 31

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Eu mal consegui comer durante o jantar, e percebi que Archie também estava no mesmo estado. As conversas dos nossos pais, entre acordos comerciais e projetos futuros, preenchiam toda a sala. Dylan Clifford era especialmente estrondoso. Eu odiava ainda mais sua voz naquele momento.
          
Nossas trocas de olhares foram breves, mas intensas; Archie parecia completamente confuso e quase suplicava por uma explicação. Mal sabia ele que, até algumas horas antes, nem eu imaginava que estaria ali, presa naquele jantar.

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Algumas horas antes:

         
Enquanto terminava de me vestir, recebi uma mensagem de um número desconhecido no celular:
“Se quer mesmo descobrir a verdade, me encontre no restaurante ao lado do hotel em que está hospedada. Te espero em quinze minutos."
Eu sabia que podia estar me expondo a mais perigo, mas ainda assim fui, movida por uma impulsividade que me dominava.
         
Assim que entrei no restaurante, meus olhos ficaram fixos na porta, aguardando o misterioso emissor da mensagem. A ansiedade tomou conta de mim, mas rapidamente se dissolveu quando Dylan Clifford entrou, preenchendo o ambiente com sua presença intimidadora. Ao se aproximar, seu olhar denunciava uma fria satisfação.

— Quanto tempo, Hanna! — Sua voz carregava uma ironia que me causou arrepios. — Parece surpresa em me ver.

— O que... O que está fazendo aqui?

— Quem deveria perguntar sou eu. Achou que poderia sumir e que eu não a encontraria? Ou que eu não descobriria sobre seus planos? — Seus olhos brilhavam com uma raiva mal contida — Foi ingênua ao tentar contato com o Thomson. Ele me ligou furioso, acreditando que eu mandei um jovem e uma garota ruiva o agredir. Thomson é mais esperto do que você pensa, Hanna. Ele tem contatos demais.
         
Senti um frio na espinha, percebendo o quão longe minha situação havia ido.

— Você conhece o Sr. Thomson? Como ele...?

— Vamos, Hanna, eu sou Dylan Clifford. — Ele sorria, um sorriso ameaçador. — Tenho contatos e influência. Ou acha mesmo que estou por trás de cartas de ameaça? Você está tentando criar problemas entre mim e sua mãe?

— O quê? Não...!
        
Ele soltou uma risada seca, carregada de desprezo.

— Sempre soube que você nunca gostou de mim, mas tentei vê-la como uma filha. Agora, se você prefere um inimigo... parabéns, acaba de conseguir um. — Ele riu, com um olhar que só piorou minha inquietação. — Já que estamos aqui, Hanna, vamos tirar algo disso. Eu tenho um desejo antigo e você vai me ajudar a realizá-lo.

— Se está achando que vou te ajudar em alguma coisa, está maluco.

— Não quer me ver como inimigo, não é? Pense bem, por sua mãe.
        
Senti o chão fugir sob meus pés. O lado obscuro e frio de Dylan era ainda mais apavorante quando ele não fazia o menor esforço para se esconder.
        
Ele prosseguiu, com um tom calculadamente casual:

— Pelo que vejo, aquele jovem... Archie, não é? Ele deve gostar muito de você. Pois bem, quero que faça algo para mim: case-se com ele.

— O quê? Casar com o Archie? — O choque me paralisou.

— Exatamente. Você tem duas opções: ou faz o que mando, ou finalmente as ameaças de morte contra sua mãe vão se concretizar. Não vou mais protegê-la do Sr. Thomson.
         
Minha mente girava. Dylan Clifford era ainda pior do que eu jamais poderia imaginar.

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