CAPÍTULO 34

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Archie

O lugar era reservado: um pub antigo e pouco frequentado, com uma atmosfera discreta, ideal para encontros sigilosos.

Cheguei na hora marcada, exatamente no local descrito no e-mail que Hanna me enviara. Entre os rostos que passavam, nenhum parecia estar ali esperando por alguém. Resolvi me sentar e esperar mais um pouco.

Minha comunicação com Hanna estava limitada; o número de celular que eu tinha dela não atendia mais. A última vez que nos falamos foi quando ela esteve em minha casa. Mesmo que, na mensagem, ela tivesse me assegurado que estava bem e que logo entraria em contato, a ansiedade latejava sob minha pele.

— Com licença, você teria um isqueiro? — perguntou um senhor elegante, de barba feita e cabelos grisalhos, vestindo roupas discretas, enquanto eu bebia um copo de whisky.

— Desculpe, senhor, mas não fumo.

— Ah, tudo bem, eu que peço desculpas. Está certo você! Tento largar esse vício maldito, mas não consigo. — Ele suspirou e, olhando em volta com certa inquietação, completou: — A verdade é que estou ansioso. Vim fazer um favor a um amigo e me sinto pressionado pela responsabilidade.

— Veio encontrar alguém especial?

— Uma moça. Mas não me entenda mal, é como uma filha para mim... filha de um amigo, sabe? Hoje em dia, nunca se sabe o que os outros pensam. O mundo está perdido!

"Filha de um amigo"? Seria Hanna? O Sr. Campbell poderia ser esse amigo?

— Que tal uma bebida enquanto espera? Estou aqui sem companhia de copo.

— Faz tempo que alguém não me convida para beber assim. Todo mundo parece me ver apenas como um velho tagarela. — Ele soltou uma risada abafada.

— Pois então aceite, Sr...?

— Dalson. Pode me chamar de Dalson.

— Certo. Eu sou Archie. — Ofereci-lhe um pouco da bebida. — Se quiser, posso pedir outra coisa.

— Isso aqui está ótimo, rapaz. — Ele tomou um gole, fazendo uma careta. — Mas digo-lhe que este também não é um bom hábito. Vícios destroem vidas!

— É só de vez em quando. — Ri, tentando manter um ar descontraído.

Conversamos por horas. Ele narrava suas histórias e experiências, parecendo um homem vivido, um herdeiro rico que, de alguma forma, escolheu se manter à parte do luxo. Eu bebia com moderação, prestando mais atenção em servi-lo, na tentativa de afrouxar sua língua. Afinal, embebedar um senhor para arrancar algumas verdades não era exatamente um crime... ou era?

— Sr. Dalson, espero não me intrometer, mas já faz algumas horas e parece que sua companhia ainda não chegou. Era algo importante? — perguntei, tentando soar casual.

— Ah, é verdade! Me distraí tanto com nossa conversa que até esqueci o motivo de estar aqui. Vou indo, então. — Ele se levantou de repente.

— Não precisa apressar-se! Só mencionei porque lembrei do que disse sobre sua filha.

— Filha de um amigo. — Corrigiu, pensativo.

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