CAPÍTULO 7

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Eu estava secando o cabelo. Rebecca tinha saído mais cedo, e, embora a minha vontade fosse fugir de toda a situação que vinha acontecendo, decidi enfrentar tudo com calma e coragem.
          
Afinal, eu não tinha como fugir mesmo...

Toc-toc

— JÁ VAI! — Desliguei o secador e corri para atender a porta ao ouvir a batida insistente.

Flores!
           
Bem na minha frente, um buquê enorme de flores acompanhado por um sorriso tão bonito que me fez sorrir também.

— John, o que são essas flores? — Tentei conter o sorriso bobo, mas era impossível.

— Fiquei preocupado e quis saber se você estava melhor. Mas não podia vir de mãos vazias.

— São lindas! — Abracei o buquê, sentindo o aroma suave das rosas. — E sim, estou bem agora. Acho que foi só minha pressão que caiu.
           
Na verdade, a desculpa que inventei era que foi por causa da ressaca, mas agora mudei a história para algo menos constrangedor. No fundo, o motivo real do meu mal-estar era outro, mas quem precisava saber dos detalhes?

— Fico feliz em ouvir isso.
           
E então a ficha caiu. Como aquele homem lindo e atencioso podia ser o John Stewart? Como eu ia lidar com isso agora?
           
John Stewart sempre foi o filho querido da família. Ele era o mais velho, três anos mais velho que Archie. Lembro que o vi poucas vezes, já que passou boa parte da vida estudando e morando fora. Acho que nem lembra do meu antigo nome, e seria o menos provável a me reconhecer. Mas eu não queria me envolver com a família Stewart de novo — isso só me levaria de volta ao Archie.

— John... — Tentei encontrar as palavras certas. — Acho que precisamos conversar sobre nós. Acho que fui um pouco rápida. Quer dizer, a festa, o beijo...

— Calma. Não quero te pressionar. — Ele sorriu, tranquilo. — Não precisa achar que estamos namorando, relaxa. Mas não posso negar que gosto de você e quero te conhecer melhor.

Gosta?

— Eu...
          
Abaixei a cabeça, tentando encontrar uma maneira educada de dispensá-lo, mas ele continuou antes que eu pudesse falar.

— Que tal irmos ao cinema na sexta? Tem filmes ótimos em cartaz. Não sei qual gênero você prefere, mas estou disposto a descobrir.
           
Por que tinha que dificultar as coisas, John?

— E então? — Ele perguntou, com aquele sorriso lindo.

Hanna, volte a si! Ok...

— Tudo bem. Que horas você quer ir?

                  _________ __________

            
Sim, eu tinha sido louca o suficiente para aceitar o convite de John. Mas, na verdade, eu não estava fazendo nada errado. Passei tanto tempo esperando alguém legal, alguém que me fizesse sentir especial. Não podia deixar essa chance escapar só por causa de um passado que já deveria ter deixado para trás. Agora, eu era Hanna Clifford, e já tinha decidido viver como tal.
           
Terminei de arrumar o cabelo e me olhei no espelho. Estava com um jeans largo e uma blusa justa. Minha maquiagem era leve, mas eu realmente estava bonita.
           
Sentei na cama e fiquei contando os minutos, esperando ele chegar.

19:00 horas...

19:05 horas... 19:08 horas.

Meu celular vibrou:

John: Hanna, desculpe, vou me atrasar um pouco. Pode esperar mais alguns minutos? A aula foi puxada hoje...

John: Só vou tomar um banho e já desço para te buscar.

Hanna: Sem problemas.

Hanna: Me passa o número e o setor do seu quarto que vou até você. Já estou pronta, a gente desce juntos.

John: Ok.

         
Eu definitivamente estava amando essa minha nova postura de mulher madura e decidida. Estava indo ao quarto do meu paquera para buscá-lo para sair!

                    _________ _________

          
Segurei o sorriso ao bater na porta. Para minha surpresa, quem abriu foi Archie Stewart. Acho que ele ficou tão surpreso quanto eu. Eu sabia que John era seu irmão, mas não pensei que fossem colegas de quarto também.

— O John...

— Entra. — Ele segurou a porta e abriu caminho. Era impossível não me sentir constrangida.
          
Entrei, quase me arrastando. Para dois ricos mimados, o quarto era bem comum. Sem nenhum toque especial. Duas camas, um frigobar, uma mesa de estudo. Parecia um quarto universitário normal, assim como o meu.

— Pode sentar, se quiser. O John está no banho.
           
Olhei ao redor, buscando um lugar para me acomodar. Das duas camas, apenas uma estava organizada. E eu apostaria que essa era a de Archie, já que ele sempre foi o cúmulo da organização.

— Senta aqui. — Ele desocupou uma cadeira que estava coberta por roupas, jogando-as na cama arrumada.

Talvez os dois fossem bagunceiros.

— Valeu. — Dei de ombros e me sentei, ignorando meus pensamentos. Eu mesma não era o cúmulo da organização.

— Você e o John estão namorando?

Archie perguntou assim que se sentou na cadeira da mesa, meio virado para mim, mas focado em seu computador e papéis.

— Não. — Voltei a me concentrar na situação. — Estamos só nos conhecendo.

— Sério?

— Sim.
           
Talvez eu tenha exagerado ao vir até o quarto do John. Só uma namorada teria essa liberdade, o que explicava o motivo da pergunta.

— Não precisa ficar vermelha.

— Eu não estou vermelha. — Será que fiquei ruborizada?

Archie sorriu e voltou a se concentrar nos estudos. Ele parecia focado e ainda devia ser muito inteligente. Senti saudades dos velhos tempos, de todos os momentos que passamos juntos.

— Você faz Arquitetura? — Sem perceber, me peguei do lado dele, olhando os desenhos. — Você é muito bom!

— Não. Estudo Controladoria e Finanças.

— Jura?
           
Não esperava isso. Ele sempre gostou de planejar coisas, e isso envolvia cálculos, mas nunca imaginei que escolheria Finanças. Eu realmente não o conhecia mais.

— Você...

— Hanna, demorei muito? — John apareceu com uma toalha no pescoço.

— Ah, oi! Não, sem pressa... o Archie me fez companhia.

Virei-me, percebendo que Archie agora parecia indiferente.

— Vamos? — Sorri, meio sem graça.

— Vamos.

— Até uma outra hora, Archie.
           
Ele apenas assentiu, mas seu maxilar rígido indicava algo. Ele sempre fez isso quando estava com raiva. Talvez isso não tenha mudado.

— Estou levando a chave, irmão. Não se preocupe se eu demorar. — John avisou antes de sairmos.

E assim, partimos.

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