CAPÍTULO 15

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Não podia acreditar que Rebecca tinha chamado o Archie. Estava claro que qualquer esforço para afastá-lo seria em vão.
 

O sorriso dele me arrepiava dos pés à cabeça. E só de pensar que agora eu tinha algo em comum com a Sierra, me sentia ansiosa e nervosa. Principalmente se tratando do piano.

— Aceita pedidos de músicas, Hanna?
         
A pergunta de Mark me trouxe de volta à realidade.

— Claro. Se eu souber a melodia, posso tentar alguns arranjos.

— Então toca para mim Perfect, do Ed Sheeran.

— Tão clássica! — Rebecca o provocou. — Eu quero Memories, do Maroon 5.

— E eu quero Falling like the stars, do James Arthur.
 

       
Ele estava claramente tentando me testar, já que escolheu uma das músicas que eu costumava tocar quando era mais nova. Apesar de me sentir observada, tentei agir o mais natural possível.

— James o quê? Gente, dessas aí eu só conheço Perfect.
          
Continuei mentindo, enquanto ele me olhava atentamente.

— Fala sério! — Rebecca reclamou.

— Melhor deixar esse negócio de pedidos para lá. Vou tocar o que me vier à cabeça.
          
Eu estava convencida de que estava me saindo bem. Apesar da coincidência, não havia nada que pudesse revelar minha verdadeira identidade. Relaxe e toquei como de costume.
           
Ghost (Justin Bieber), Sour (The Rose), Perfect (Ed Sheeran), Enchanted (Taylor Swift) e Christmas Tree (V do BTS) foram algumas das músicas que toquei durante a noite.
           
De vez em quando, meus olhos se voltavam para a mesa no canto esquerdo do restaurante. Mesmo com a casa cheia, a presença de Archie se destacava entre a multidão. Ele estava com uma camisa social preta e parecia especialmente bonito.

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Após terminar uma sequência de músicas, me levantei e fui até a mesa para falar rapidamente com meus amigos antes de voltar ao trabalho. Mas, para minha surpresa, apenas Archie estava lá.

— Onde estão a Rebecca e o Mark?

— Eles pediram desculpas por saírem sem se despedir. Algo urgente surgiu.

Era difícil acreditar que fosse mesmo isso, vindo deles.

— E você, não quis ir também?

— Acho que vou beber mais um pouco. — Ele ergueu o copo, mostrando o líquido amarronzado pela metade. — A propósito, você estava incrível lá em cima. Curti cada música que você tocou.
           
Eu sorri, me sentindo um pouco tímida ao escutar o elogio. Mas ouvir isso dele me deixou feliz.

— Vou esperar você sair e te acompanhar. Já está tarde, e não quero que volte sozinha.

— Você não... Bem, ok.
           
Eu não pude recusar. Por mais que minha razão gritasse, minha emoção sempre ganhava. E o caminho era mesmo bem estranho a essa hora.
Voltei ao trabalho, ainda faltava uma hora para sair.

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Quando finalmente o encontrei na porta de saída, me desculpei.

— Precisei organizar uma mesa onde um cliente derramou bebida. Fiz você esperar muito?

— Estava jogando no celular, então não foi tão tedioso. E além disso, podia te ver sempre que quisesse.

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