CAPÍTULO 12

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Jungkook começou a procurar por Jieun. Ele não a viu no pátio, e não era de seu feitio não recebê-lo com os irmãos após uma viagem. Ele a encontrou, previsivelmente, na antecâmara que usava como escritório. Era onde guardava as correspondências e respondia-lhes, arquivava os registros de transações do clã e também os registros de nascimento e morte de todos os Jeon sob sua proteção.
Seu pai era meticuloso com essas coisas e insistira que Jungkook aprendesse a ler e escrever cedo na vida. Em uma época em que a maioria dos alfas aprendia a arte da guerra, Jungkook estudava por longas horas sob a luz das velas memorizando o alfabeto e lendo os registros mantidos pelo pai.

Jeon Jongun insistira que, primeiro, a mente deveria ser moldada, para depois se tornar um bom guerreiro fisicamente habilidoso, e que um guerreiro inteligente sempre venceria um ignorante. Jungkook não tinha certeza se concordava, mas não teve outra escolha sobre o assunto. Por outro lado, Jieun estava determinada a aprender a ler e escrever e devorava cada pedaço de papel escrito que encontrava, em um esforço para aprender sozinha. Ela sempre fora um pouco estranha, mas era uma pura Jeon, e Jungkook a amava muito.

– Ainda está determinada a assumir a posição de líder um dia? – Jungkook disse da porta.

Jieun ergueu a cabeça de repente e cobriu o pergaminho que estava encarando com tanta concentração.

– Por que você não estava lá fora para nos receber? – o alfa perguntou discretamente.

A ômega suspirou.

– Achei que não tinha motivo. Você trouxe para casa o filhinho maluco dos Park's. Não é exatamente algo para celebrar, não é?

Jungkook franziu as sobrancelhas.

– Desde quando você é tão impiedosa, Jieun? Não é do seu feitio julgar as pessoas antes de conhecê-las.

Jieun lançou um olhar que sugeria que ele era um idiota.

– Ele é um Park, Jungkook. O que mais é preciso saber? E, antes que me dê um sermão sobre julgar as pessoas, será que preciso lembrá-lo de que aprendemos desde criança a odiar o nome Park e qualquer um que o carregue?

Jungkook soltou um longo suspiro.

– Ele não é um Park qualquer, Jieun. Ele é meu ômega e agora é um Jeon. Eu espero que você respeite a posição dele. Eu gostaria… Gostaria que você o procurasse e fosse gentil com ele. Jimin está em seu quarto agora, provavelmente com medo e sozinho. Sua recepção não foi das melhores. Não sei o quanto ele entende, mas mesmo um completo simplório entenderia a hostilidade de que foi vítima. Preciso que você faça isso.

A expressão de Jieun se tornou pensativa.

– Até onde vai à loucura dele, Jungkook? De verdade. Os rumores são exagerados?

Jungkook passou as mãos nos cabelos e suspirou com força.

– Não sei, Jieun. Tenho muito a aprender sobre ele. Às vezes ele parece distante, alheio. Mas conseguimos nos comunicar. Jimin fica fascinado quando eu falo, o que aparentemente é incomum, pois sua mãe ficou boquiaberta quando presenciou sua reação a mim. Tenho de pensar que nem tudo é o que parece, mas, até agora, não tive tempo para determinar a extensão de tudo isso.

Jieun cruzou os braços sobre o peito e depois lançou um olhar que Jungkook conhecia muito bem, um olhar de quem está tramando alguma coisa. Ela podia não gostar de sangue e violência, mas possuía a mente digna de um guerreiro sedento por sangue, sempre buscando a jugular, mesmo que figurativamente.

– Quanto minha gentileza vale para você, líder Jeon?

Jungkook precisou limpar a garganta para não soltar uma risada. Aquela ômega era muito audaciosa, mas ele nunca conseguia repreendê-la. Sem dúvida, ela fora criada solta demais. Sem uma figura ômega, Jieun provavelmente passara a maior parte da infância pensando que era uma alfa.

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