CAPÍTULO 16

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Jimin apertou os lábios em uma linha fina. Ele queria desviar os olhos, fingir que não havia entendido, mas, se fizesse isso, Jieun poderia perceber ainda mais do que já havia percebido. E não acabara de decidir que não havia mais necessidade de fingir? Talvez pudesse começar a entrar nessa nova vida dando um passo de cada vez. Jimin engoliu em seco e depois lentamente negou com a cabeça.

– O quê? Não, você não é maluco? Não, você não é normal? Por que está balançando a cabeça? – Jieun perguntou.

Jimin endireitou os ombros, ergueu o queixo e depois encarou Jieun com intensidade. O ômega cruzou os braços sobre o peito e, com firmeza, voltou a balançar a cabeça.

– Você não é louco.

Jimin repetiu o gesto negando com a cabeça. Agora balançando também seu dedinho indicador.

– Você entende o que estou perguntando?

Jimin assentiu positivamente.

Jieun respirou fundo e depois desabou de volta na cadeira, olhando para Jimin com uma clara incredulidade.

– Então, por que diabos permite que as pessoas pensem isso de você?

Jimin ergueu as mãos bem afastadas e depois as afastou ainda mais.

Jieun arqueou uma sobrancelha.

– É uma longa história?

Jimin assentiu vigorosamente.

– Certamente, é uma história que eu gostaria de ouvir.

Jimin fez uma cara de tristeza e cruzou ainda mais os braços.

– Você está com medo – Jieun disse.

Jimin hesitou por um instante e depois assentiu rapidamente. Odiava admitir fraquezas como essa, mas como poderia não estar com medo? Todos o odiavam ali. Jieun continuava analisando o rosto de Jimin intensamente, como se tentasse entrar em sua mente e arrancar seus pensamentos, ou, ao menos, comprovar se tinha mesmo sanidade.

– Mas não apenas aqui. Em sua casa também. Você tinha medo.

Por um logo tempo, Jimin permaneceu imóvel, sem querer admitir que sim, ele tinha medo no único lugar em que deveria se sentir seguro.

– Jimin? – Jieun chamou.

Seu olhar caiu por um momento, mas assentiu de novo.

– Então, me diga uma coisa – Jeon Jieun disse, enquanto inclinava-se para frente. – Você estava fingindo esse tempo todo? Desde o acidente? Não foi alguns anos atrás?

Jimin encolheu os ombros. Quem podia dizer?

Naqueles primeiros dias, ele realmente estava confuso e não se lembrava de muita coisa. Seu mundo estava caótico enquanto tentava lidar com tudo o que acontecia. Ele entendia por que seu clã chegara àquela conclusão. Por certo, agia como alguém que não tinha pleno controle de suas faculdades mentais.

Os olhos de Jieun se arregalaram como se tivesse acabado de pensar em algo.

– Você consegue falar?

Jimin sacudiu a cabeça. Isso não era mentira. Ele não tinha mais como saber se conseguia ou não. Não tinha como julgar os sons. Não poderia monitorar o volume de sua voz. Seus lábios tremeram com a lembrança de como formar palavras, mas ele não cedeu àquele impulso.

– Então você fingiu ser louco porque tinha medo de alguma coisa e usou a loucura como disfarce. – Jieun esfregou o queixo pensativamente e depois inclinou a cabeça para o lado. – Não sei se isso faz de você tão louco quanto dizem ou se faz de você um gênio. Seja o que for você devia estar realmente com medo para escolher um caminho tão difícil quanto esse.

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