NOTAS INICIAIS DA MORCEGA:
Que delicia ler os comentários de vocês, irmãs, continuem para aumentar minha motivação kkkkkk os tempos sombrios tem que acabar logo pelo amor de Deus.
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Dentro do quarto, Maria Eduarda acordara há pouco, ainda fraca, ainda lenta, mas mais lúcida do que durante a madrugada. E, apesar da presença do pai, o primeiro impulso que tivera ao abrir os olhos não foi procurá-lo, foi olhar para o celular. A mensagem enviada para a mãe continuava ali, a resposta também.
"Eu vou. Te prometo."
Desde então, algo em seu peito estava num estado estranho, uma mistura de ansiedade e antecipação. Não sabia ao certo o que queria ouvir de Simone. Só sabia que queria ouvi-la, e sozinha, se possível.
Eduardo percebeu a mudança no humor da filha, embora não soubesse exatamente por que. Percebera também que ela estava mais silenciosa. Mais seletiva, como se uma parte dela estivesse guardando energia para outra conversa, e isso o irritava. Mas irritação, com Eduardo, quase sempre se vestia de serenidade.
— Quer que eu chame a enfermeira pra te ajudar a sentar mais? Perguntou ele, da poltrona.
Maria Eduarda desviou os olhos do celular e respondeu com educação suficiente para não criar guerra.
— Daqui a pouco.
Ele assentiu.
— Sua mãe deve chegar já.
Ela não respondeu, e a ausência de resposta doeu mais do que uma frase atravessada teria ferido. Eduardo cruzou as pernas.
— Imagino que esteja ansiosa.
Maria Eduarda demorou alguns segundos antes de dizer, olhando para o lençol
— Quero conversar com ela.
Ele sorriu pequeno, triste e comedido.
— Claro.
Mas por dentro a resposta vinha em outra língua: Eu sei. Do lado de fora, no estacionamento, o carro acabava de parar. Simone respirou fundo antes mesmo que a porta se abrisse, o estômago revirou um pouco, mais de nervoso do que de qualquer outra coisa, e ela fechou os olhos por um segundo e Alessandro percebeu.
— Quer esperar mais um minuto?
Ela balançou a cabeça.
— Não. Se eu esperar, piora.
Ele saiu primeiro, contornou o carro e abriu a porta para ela, Simone desceu com cuidado, o corpo parecia mais estável agora, embora ainda cansado. O braço dele permaneceu discretamente junto ao dela, não como imposição, mas como rede de segurança.
Quando entraram no saguão do hospital, o cheiro característico de limpeza, ar-condicionado e café velho atingiram Simone em cheio e o coração acelerou.
Ela parou por meio segundo, Alessandro baixou a voz.
— Estou aqui.
Simone assentiu.
— Eu sei.
E seguiu, o elevador até o andar pareceu demorar demais. O corredor, quando se abriu diante deles, trouxe junto uma familiaridade incômoda. Enfermagem trocando plantão. Rodas de maca. Uma senhora dormindo encolhida em duas cadeiras. Vozes baixas. Um técnico empurrando suporte de medicação. O som constante, discreto, dos monitores atrás das portas.
Simone caminhou mais devagar nos últimos metros, Alessandro conhecia aquele movimento, a desaceleração antes do impacto, o instante em que ela se preparava, por dentro, para caber numa cena emocionalmente grande sem desabar logo na entrada.
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Como 2 e 2
RomanceNunca passou pela cabeça de Simone Tebet passar por um turbilhão de emoções durante o segundo turno das eleições presidenciais, muito menos descobrir que ainda era capaz de sentir desejo e paixão por alguém. Ainda mais quando o tal alguém se trata d...
