Quando for oportuno

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NOTAS INICIAIS DA MORCEGA

Eu não aguento a ansiedade de vocês kkkkkk Obrigada pelos comentários meninas, eles me dão muita vontade de escrever mais!

Vou aproveitar e indicar para todas as irmãs que gostam de um enemies to lovers com máfia e alto índice de sacanagem outra fic minha com eles como protagonistas: Omertà

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Eduarda só permitiu que Simone se levantasse da poltrona do consultório quando teve certeza de duas coisas muito específicas. Primeiro, que a irmã não ia apagar no meio do caminho, segundo, que, se apagasse, haveria gente suficiente ao redor para carregá-la sem transformar o ambulatório num caos maior. Ainda assim, quando Simone apoiou as mãos no braço da cadeira e fez força para ficar de pé, a primeira coisa que sentiu foi o corpo protestar.

Não em forma de dor, nem exatamente como um golpe súbito, era um cansaço largo, desses que parecem começar nas pernas e subir devagar, como se cada músculo lembrasse que não tinha concordado com nenhum daqueles planos. A tontura não voltou forte, mas também não tinha ido embora completamente. Ficava ali em vigília, como se só esperasse algum movimento mais impensado para lembrá-la de que continuava frágil.

Alessandro já estava ao lado dela antes que qualquer orgulho pudesse se antecipar. Dessa vez, Simone nem tentou fingir que não precisava. Passou o braço pelo dele e Alessandro imediatamente sustentou parte do peso sem teatralidade, sem olhar de pena, sem comentário do tipo "eu avisei". Só se ajustou a ela do jeito exato. O corpo dele servindo de eixo. A mão firme na cintura, mas leve o bastante para não constrangê-la. Fairte observou em silêncio.

Aquela era a segunda vez, no mesmo dia, em que via a filha se apoiar nele daquele jeito, e ainda não sabia se o que doía mais nela era a preocupação imediata ou o atraso com que aprendia a reconhecer que, às vezes, acolher não era enquadrar, nem corrigir, nem perguntar antes de tocar. Às vezes era só estar ali, no ponto certo, quando a fraqueza finalmente admitia existir.

Eduarda tirou as luvas, jogou-as no descarte e já pegou a prancheta.

— Os exames vão demorar um pouco, mas o hemograma deve sair antes. A glicemia no dentro está normal. A pressão segue ruim. Ela não vai ficar aqui trancada no consultório porque sei que vai infernizar minha alma, então vamos voltar pro quarto da Madu.  Olhou para Simone com o cenho franzido. — Você vai sentada na primeira cadeira que aparecer se piorar no caminho, não me desafie.

— Eu não tenho energia nem pra te desafiar...  Simone murmurou.

— Ótimo. Então hoje talvez você sobreviva.

Tasso, encostado à parede do consultório como quem ocupava o menor espaço possível sem deixar de estar presente, aproximou-se um pouco.

— Eu vou na frente

— Vai  Eduarda respondeu. — Porque, se o Eduardo estiver rondando, eu prefiro vê-lo antes que ele veja a Simone cambaleando.

A simples menção ao nome fez o corpo de Simone endurecer um pouco, Alessandro sentiu.

— Ei  disse baixo, só para ela. — Eu estou aqui.

Simone ergueu os olhos para ele por um segundo. Havia gratidão ali, mas também cansaço demais para floreio.

— Eu sei.

Fairte ajeitou a bolsa no ombro e assumiu naturalmente uma posição do outro lado da filha, como se formasse com Alessandro uma espécie de escolta involuntária e maternal. Eduarda viu a cena e, apesar da preocupação, quase sorriu. Não havia nada mais típico da família do que aquela coreografia improvisada entre orgulho e pânico. Saíram do consultório em marcha lenta.

Como 2 e 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora