NOTAS INICIAIS DA MORCEGA
Hoje o domingou veio cedo né? Ja comecei o próximo, solto quando esse cap bater 100 comentários!
.
.
Eduarda não deu a Simone nem cinco minutos de folga depois que o resultado saiu. Mal o alívio geral percorreu o quarto, mal Fairte conseguiu sentar-se sem parecer à beira de convocar meio corpo clínico do hospital, mal Maria Eduarda terminou de rir da língua infantil que a mãe mostrara para a tia e a caçula já estava de volta ao modo comando, digitando pedidos, organizando o que precisava ser feito como se a única maneira de impedir o mundo de se romper mais um pouco fosse manter ao menos uma veia da irmã sob controle.
— Certo! anunciou, olhando da tela do celular para Simone. — Hidratação, reposição EV e nada de cara feia. Você vai me agradecer depois.
Simone recostou a cabeça na cadeira e fechou os olhos por um instante.
— Não vou.
— Vai.
— Não vou.
— Vai, sim. Porque, se dependesse de você, estaria saindo daqui cheia de orgulho e uma hemoglobina deprimente.
Maria Eduarda soltou um riso curto no leito, já menos tensa, menos armada, menos ocupada em proteger a própria dor da proximidade da mãe. Fairte, sentada ao lado da neta, apertou os lábios e observou Eduarda organizar as próprias ordens com aquela objetividade quase brutal de quem ama melhor quando pode mandar em alguém.
— Você não pode simplesmente pôr qualquer coisa nela sem explicar direito! resmungou a mãe, ainda agarrada a alguma forma de controle.
Eduarda nem ergueu os olhos.
— Posso, mas não vou. Vai ser soro, reposição, observação e, se ela tentar ir embora antes de eu autorizar, eu amarro.
— Eduarda Nassar Tebet!
A matriarca repreendeu
— Com fita hipoalergênica, mamãe querida, pra não deixar marca.
Simone soltou um suspiro vencido.
— Você é uma péssima pessoa.
— Eu sou uma excelente médica com vocação limitada para diplomacia familiar.
Tasso, que já tinha voltado com agua para Fairte, entregou à matriarca com a discrição de sempre. Ela aceitou sem olhar muito para ele, ainda constrangida demais pela manhã inteira e pelo fato de a existência dele, ali, agora estar reorganizada na cabeça de todos como algo tão simples quanto namorado. Mas não era momento de mergulhar nisso, não com uma neta no leito, uma filha quase desfalecendo de anemia e outra andando de um lado para outro como se o próprio jaleco lhe desse direito de mandar em gerações inteiras.
Foi nesse momento que uma técnica de enfermagem apareceu à porta, era uma moça jovem, de rosto redondo e cabelo preso num coque impecável, com bandeja na mão e uma expressão de quem já tinha sido avisada que encontraria levemente inadministrável.
— Doutora Eduarda?
— Graças a Deus... Entra, Nina. A médica levantou a mão, chamando-a para dentro. — É a minha irmã, pode pegar o acesso pra gente fazer a reposição aqui mesmo.
Nina olhou para Simone, sorriu com gentileza profissional e aproximou-se.
— Oi, tudo bem? Sou a Nina.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Como 2 e 2
RomanceNunca passou pela cabeça de Simone Tebet passar por um turbilhão de emoções durante o segundo turno das eleições presidenciais, muito menos descobrir que ainda era capaz de sentir desejo e paixão por alguém. Ainda mais quando o tal alguém se trata d...
