Corrida contra o tempo parte um
Rubí
Consegui evitar Lisa por todo o fim de semana apenas lhe falando o básico, mas não pareceu afetá-la já que parecia absorta com algo, conversamos nada mais do que a educação pedia e por mim seria assim, na segunda – feira fomos chamadas para um caso e não teve jeito tivemos que compartilhar o carro afinal ainda éramos parceiras e se dependesse da boa vontade do meu chefe isso não mudaria nem tão cedo, eu odeio esse cara com todas as minhas forças.
Seguimos o trajeto todo em completo silêncio, percebi que sua postura em relação a mim havia mudado e acho que não poderia ser diferente uma parte minha estava feliz por não ter que conversar, mas a outra sentia falta da Lisa alegre e falante. Trabalhamos no automático nada fora do padrão afinal ela sabia bem a forma que trabalho e não precisei pedir muitas coisas, nos separamos no D.P pelo que entendi, ela teria fisioterapia no fim da tarde e decidiu que faria os relatórios em casa, estava planejando trabalhar até mais tarde até que uma ligação mudou tudo.
_Oi amor, te atrapalho?
_Não meu bem o que houve? – O tom de Carolina parecia ansioso o que me fez ficar em alerta imediatamente.
_Cheguei em casa e não encontrei Dália e Arthur, ela disse para onde iriam hoje?
_Como assim ainda não chegaram? Já passa das 20h, já tentou ligar para ela? – Falei tentando ser racional.
_Já, mas só cai na caixa postal, tentei o do Pierre, mas só chama também e aí eu comecei a ficar preocupada e te liguei.
_Entendi, tenta ficar calma às vezes ela está sem bateria ou algo assim, eu vou passar em alguns lugares e te encontro em casa tudo bem?- Falei de forma mais tranquila possível, mas eu já sentia o pânico me envolver.
_Gonzáles eu vou ter que sair, você cuida das coisas por aqui? Lisa está na fisioterapia há essa hora. – Falei já juntando minhas coisas.
_Claro, mas aconteceu alguma coisa? – Disse preocupado.
_Eu espero que não, Dália saiu com Arthur e ainda não chegaram, os telefones não completam ligação então vou rodar por alguns lugares conhecidos para ver se encontro eles.
_Entendi, quer que eu faça algumas ligações? – Disse Gonzáles meio sem jeito, eu sabia a que tipo de ligação ele estava se referindo, normalmente em casos de desaparecimento o procedimento era procurar em hospitais e em IML's da região, meu coração gelou com a ideia e tirei forças nem sei da onde para lhe passar as informações necessárias antes de ir embora.
Eu conhecia o sistema e não abririam nenhuma investigação antes do prazo de 24h de desaparecimento e eu internamente ainda tinha esperanças de cruzar com eles em alguma praça ou lanchonete, Carolina me ligava a cada meia hora em busca de notícias e a cada resposta negativa minha sensação de impotência aumentava, depois de duas horas rodando a cidade decidi ir pra casa eu não sabia o que fazer e me sentia totalmente anestesiada, Gonzáles me ligou para informar que não tinha encontrado nada o que de certa forma era bom era sinal que estavam vivos, mas em que estado era outra preocupação. Estacionei na garagem de casa ainda reunindo forças para encarar Carolina, assim que abri a porta do apartamento fui abordada por ela, seus olhos azuis já estavam vermelhos e inchados de passar a tarde toda chorando e aquilo tornou aquele pesadelo ainda mais real, pela minha reação ela percebeu que eu não tinha nenhuma novidade assim que ouvi seu soluço choroso tive que trincar meus dentes para não transbordar também.
_Ei eu vou encontrá-los eu prometo. – Falei ajoelhada em sua frente, ela de sua posição sentada no sofá apenas ergueu seu olhar para mim e tudo que vi foi dor, uma dor tão profunda que eu poderia morrer ali na frente dela para evitar encará-la.
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A Detetive
RomanceSe me perguntassem qual era meu sonho quando eu tinha 12 anos eu diria que seria ser psicóloga como meu pai, porém aos 13 anos eu desisti de entender as pessoas, quando meu pai morreu na minha frente em um assalto esse sonho mudou. A partir de então...
