capítulo 21

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Chorar e chorar, pra que? Eu estou gostando daquele infeliz? Mas, porque? Ele só me faz mal.  Ele é um maldito escroto, se escondeu em baixo dessa máscara de bom moço que precisava de mim. E eu trouxa, cai.

- Ah mas isso não vai ficar assim.

Saio em direção a seu escritório, eu tenho que falar todas as coisas que estou guardado.

Abro a porta com raiva, e lá estava... vazia. Alguns livros em uma estante uma escrivaninha em madeira. Um belo tapete no centro redondo.
E poltronas.

Vou até sua cadeira e me sento, analiso as gavetas a frente.

-O que eu poderia encontrar aqui?

Abro uma a uma, apenas coisas sem importância, mas uma gaveta em especial chama minha atenção, ela está... trancada.

- Ah George hoje é meu dia de sorte.

Procuro pela chave em todos os lugares até por fim achá-la em baixo da escrivaninha.

Que lugar idiota pra se esconder algo.

Abro e pra minha surpresa, encontro documentos antigos, provas. Fotos sangrentas de um homem assassinado a sangue frio, várias das provas apontavam  George como culpado assim como laudo da perícia e um depoimento, a testemunha alegava que só poderia ser uma pessoa. GEORGE.

Minha cabeça rodou, um assassino? Meu filho... eu .... todo o perigo que corremos, todas as vezes que o testei, eu ...

Analisei o que ele era capaz de fazer, a pessoa na foto me lembrava alguém, mas quem? Tudo estava confuso, eu deveria ir embora enquanto tinha tempo, que merda eu me meti.

Coloco tudo da mesma forma, menos o testemunho, esse sera meu passaporte .

Subo para o quarto, dessa vez não pego roupas apenas uma bolsa de mão grande e coloco todas as minhas joias, isso iria me garantir alguma coisa .

Pego o carro em direção a escola do meu filho.

- Aconteceu algo senhora Gusmão? Está um tanto agitada.

Pergunta a diretora pela terceira vez.

- Estou bem, apenas cansada.

Passo a mão pela testa suada.

- Vem Victor, vamos passear um pouco.

Entro no carro e dou partida.

- Vamos ver a vovó?

- Em breve querido.

4 horas depois.

Olho para trás e lá está, meu pequeno adormecido.

Tenho que ir para o mais longe, antes que ele perceba, e quando acontecer, farei minhas exigências, dessa vez eu não volto .

Procuro a todo custo uma loja que possa comprar alguma joia minha, preciso de dinheiro para hotel, comida e claro um celular novo. Não quero ser rastreada pelo antigo o vendi a uns km atrás, consegui alguns trocados.

- Essa joia é de uma coleção exclusiva, posso te dar uma boa quantia por ela.

Diz o dono do estabelecimento com os olhos brilhando.

Não demora pra receber um pix deixando minha conta gorda. Mantenho as outras joias bem guardadas, odiaria ser roubada.

Um hotel bom, um quarto grande com banheiro e cama de casal.

Peço comida, Victor está vidrado na TV enquanto seleciono nossos pratos.

- Alô... papai... A gente tá num hotel que tem uma placa beeeeem verde parecendo do huck... mamae disse que aqui e loooonge.... quando você vem?

Corro tomando o celular de Victor, e converso com o monstro do outro lado da linha.

- Fique longe de nós!

- Meu docinho resolveu ficar rebelde? Eu vou te achar, você sabe, então só volta enquanto estou bonzinho.

- Não, e dessa vez tenho um triunfo, um certo depoimento, amanda Souza te diz algo?

- Você mexeu no meu escritório?

- Me deixa em paz, e eu não mostro a ninguém, chegue ao menos próximo de mim ou meu filho e te ponho na cadeia.

- Escuta Sofia, eu vou te achar, e quando isso acontecer, vou te ensinar a não mexer com minhas coisas.

- Pode tentar, mas tá avisado.

Desligo o celular, como pude me esquecer dele, Victor ganhou do "pai" em seu aniversário.

Rapidamente o guardo na bolsa, depois eu resolveria isso, agora, só quero dormir, e torcer pra esse pesadelo acabar logo.

Uma semana já tinha se passado, George parece ter desistido, e isso é maravilhoso, até deixei que Victor conversasse com ele por ligação uma vez ou outra.

Me sinto mal, meu estômago tem dado voltas por qualquer coisa, talvez o medo de que ele nos encontre.

Tenho olhado algumas escolas por aqui, não posso deixar meu filho assim, mas por hora tenho o ensinado em casa. Não são meus planos morar aqui, ficarei até pensar em algo.

- Mamãe deixa por favor... Eu tô com um tantão de saudade.

Bufo frustada.

- Tá tá, só cinco minutos.

- Ebaaa.

Sai correndo com o celular, ele coloca a chamada no viva voz e deita na cama.

" Victor? Como está as coisas?"

" tô com saudades"

" eu também bolinha, cadê sua mãe"

" tá aqui, ela passou mal de novo papai,"

" O que ela tem?"

" Ela vomita toda hora, o cheiro é ruim"

"Entendi, amanhã eu te ligo pra saber como vocês estão tá? "

" Tabom, oooo pai... Eu vi..um...um ...parecia o Huck, ele fica ajudando a mamãe a concertar as coisas, ele é beeeem legal."

" Quem? "

Corro pra tomar o celular dele.

- Vai tomar seu banho, depois você conversa.

- aaaaah mais...

- Não,  vai lá .

Ele sai triste e entra no banheiro.

" Sofia que porra é essa?"

George grita do celular.

" Ele só me ajuda vez ou outra, não começa"

Ouço vários barulhos de coisas quebrando.

" Porra! Porra!"

" Para de escândalo"

Falo com raiva.

" Se afasta dele ou vou te buscar, estou avisando."

Desliga na minha cara, na minha cara, imbecil!

Faço uma ligação para minha mãe, é ela me conta como o negócio entre meu pai e George está prosperando, ouço atentamente feliz por eles. Tomara que ele não desconte neles, não agora que meus pais estão felizes e bem. Para todos os efeitos estou de férias fora do país, essa foi a história que George contou a todos, que eu voltaria em três meses. Não sei o que ele fará quando isso não acontecer.

Como posso te amar?Onde histórias criam vida. Descubra agora