É fato que me recordei de muitas coisas, mas ha alguns brancos na minha cabeça que me deixam agoniada.
Resolvo me levantar e tomar um banho já que faz um tempo que fiz isso pela última vez.
George deu uma saída para ver Victor e agradeço aos céus por esse momento só.
Tiro a roupa do hospital e entro debaixo da água quente. Fecho os olhos e relaxo o meu corpo, isso é muito bom.
Ouço uma sirene talvez ambulância. Olho para cima na direção da janela e vejo luzes coloridas refletidas nela. Olho para o chão e estou com um vestido lindo, é preto, cobre tudo mas é muito justo.
Estou em casa, não a de George, mas em casa com meus pais. Passo pela sala e vejo meu reflexo.
Ceus devo ter quinze anos no máximo dezesseis.
-Pronta?
Me viro vendo George lindo e jovem.
- É claro docinho.
Sai sem que eu queira, isso não parece estar acontecendo agora, é uma lembrança.
Vejo quando ele enruga a testa em desgosto com o apelido, mas não diz nada, não dessa vez.
Caminho com ele até o carro.
Estamos a caminho da balada que insisti meses para ele me trazer.
-Se lembre princesa, se comporte e nada de conversar com homem nenhum, entendido.
-Sim. Eu entendi.
-Ótimo.
Me lembro de ter a certeza nesse dia que se discordasse em qualquer mínima coisa, eu não conheceria aquela boate.
-Chegamos. Se lembra do que conversamos ontem né?
Não faço ideia do que ele está falando, mas naquele momento eu parecia bem antenada no assunto.
- Qual seu problema docinho, está com medo?
Seus olhos brilham.
- Só não quero problemas com sua mãe e outra, uma garota de 15 anos não deveria ir a uma boate.
Faço beicinho.
- Ah! Por favor, afinal com você ao meu lado o que pode acontecer?
Um pouco de manipulação e charme e ele cede, como sempre.
- Tá só um pouco.
Pulo em seu colo sendo recebida por um abraço caloroso.
- Obrigada!
- Tudo por você princesa.
Descemos do carro, enquanto George entrega as chaves dos carro para um homem que acredito ser o manobrista, tento descobrir como entrar sem pegar toda essa fila.
-Vem princesa, eu sou vip.
Estou dentro e é incrível! Tudo é lindo, as luzes piscam em várias cores me deixando um pouco tonta.
- Ei gostosa.
Sinto um aperto na minha bunda, olho para trás.
Um homem na casa dos 30, alto e careca está me analisando dos pés a cabeça.
- Some, meu namorado só foi buscar um drink.
Mostro o anel de compromisso no dedo, na esperança de que isso o afaste.
- Deixando você sozinha? Tá querendo virar boi.
Reviro os olhos, um babaca completo.
- O que está acontecendo?
George me abraça por trás.
-Nada docinho só...
- Só estava falando pra essa vadia, que deve ficar linda em cima do meu pau!
Oh não, meu coração começa a palpitar.
- O que você disse?
A essa altura, ele já está indo para cima e não há nada que eu possa fazer quando sinto meu braço direito começar a formigar. Não posso ter uma crise agora.
- Além de corno é surdo!
Foi rápido, o homem ficou desacordado no chão enquanto George me arrastava pra fora dali, me puxando pelo braço.
- Qual o seu problema porra?
Grita quando saímos pelos fundos num corredor estreito.
- Qual o seu? Não fiz nada!
- Tava dando mole pra quele filha da puta.
- O que?
Meus olhos ardem.
- Não consegue se comportar? Qual o seu maldito problema?
Aperto a mão em cima do coração que começa a doer muito.
- Agora? Com toda certeza meu dedo podre para namorado!
O empurro e corro para longe dali, longe dele até que encontro um banco, minha visão está embaçada e eu só quero chorar.
Pulo de susto, meu coração parece que vai sair pela boca.
Percebo duas mãos em meus ombros, meu peito sobe e desce rapidamente então me dou conta da água caindo nas minhas costas, o chão gelado abaixo dos meus pés e George me olhando intensamente.
-O que aconteceu?
Pisco repetidamente.
- Mais uma memória.
Rapidamente ele me cobre com uma toalha.
-Nao parece ter sido uma boa.
"Nunca é" pensei.
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Como posso te amar?
Roman d'amourSofia se vê em um casamento que não quer, com um homem que odeia, e fará de tudo para acabar com ele. George gosta dela, de exibi-la, usou tudo que podia para tê-la e não deixará ir tão fácil. Poderia Sofia entender como poderia amar, quando seu co...
