GUARDA COMPARTILHADA

235 35 4
                                    

Sentindo-me descansada e sem dor, alongo o corpo ao acordar. Meu coração dispara - ele aproveitou que eu estava dormindo e levou minha filha - corro para o quarto dela, paro. Eles estão dormindo. Ele na cama auxiliar, mais sentado do que deitado com as pernas passando do colchão, o braço sobre a cabeça, a outra mão, carina mantém
três dedos presos na sua mãozinha.

No silêncio do quarto dava para ouvir sua respiração, ele parecia tranquilo e tão atraente, além do coração a respiração acelerou. Ele ainda tem insônia? E os pesadelos, será que a peituda o acalma?

Aproximo da cama, ele vai acordar quebrado nesta posição. observo seu rosto, lábios entreabertos, seus dedos se mexem, volto para a porta. Ele continua dormindo. Na mesa, álbuns de fotos, o caderno de história, ele sempre deixa um desenho ao escrever, umas folhas com rabiscos, ligo as luminárias e retorno para o meu quarto.

Suspiro aliviada pela sensação ao acordar não existiu. Meus dias estão sendo de sobressaltos, desde a ameaça da Virgínia estamos mantendo Carina num esquema de vigilância.

Estou com dificuldade para comer, dormir e relaxar. Se eu falar para Vinícius, mais uma vez ele vai defender a sua santa mãe e eu vou passar por mentirosa.

A boca saliva ao lembrar da sopa. Lavo o rosto e ao abrir a porta lembro que estou com baby doll, pego o roupão de seda sobre a cama.

Sou a última mulher do mundo que ele tocaria - resmungo. - A peituda com certeza passa muitas noites com ele na cama.

Uma olhada rápida para o lado, ele não está deitado.

- Está com fome? - A voz rouca de Vinícius me gelou, ele ao lado da mesa com o talher na mão. - Vou esquentar a sopa.

- Eu faço isso. - Alguns passos, sinto uma leve vertigem.

- O que está sentindo? - fala já segurando minhas mãos, fecho os olhos. - Vai desmaiar?

- Estou muitas horas sem comer. - Sinto seus dedos acariciando minha mão, uma sensação tão gostosa. Sempre gostei de suas mãos grandes, leves e macias quando tocava meu corpo. Fujo do contato.

Ele não se afasta, seus olhos passeiam no meu corpo e detém nos meus seios e pulam para a boca.

- Esquente a sopa. - Procurei manter a voz normal, embora o coração disparasse, por razão diferente de minutos atrás. - Estou com fome.

Calei não tanto pelo impacto das palavras, mas por sua presença perturbadora.

- Seu desejo é uma ordem - fala com um leve sorriso. - Não é melhor terminar de vestir o roupão.

Então sinto apenas o ombro esquerdo coberto, com o movimento o roupão escorrega, ele puxa para cima, dou um passo para trás e sobre seu olhar visto e dou um nó apertado na faixa.

- Vou matar sua fome. - ele segura meu cotovelo e me ajuda sentar de frente para a cozinha.

- Carina te viu antes de ir para cama - ele fala enquanto liga o microondas. -Ela só abriu a porta, mas não entrou.

Vai no refrigerador e enche dois copos com água.

- Filipe colocou um comprimido diferente, estava tão cansada que não tive ânimo para discutir.

Ele põe um copo na minha frente e senta.

- Não devia ter deitado naquela cama. -fala, toma a água e alonga o pescoço.

Como ele acordou tão rápido e já estava na cozinha? Será que me viu entrar e...

- Estava sonolento, mas tive a sensação que alguém me observava - O timer do micro dispara.

Amor ValiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora