- Mãe, cheguei! - grito ao abrir a porta do apartamento dos meus pais. - Carina,... onde você está? - pergunto tirando os tênis de academia.
Deixo a bolsa sobre o sofá e confiro o porquê da TV desligada - o silêncio impera no ambiente - Onde elas foram? Será que aconteceu alguma coisa? Corro para a cozinha, panelas no fogão ainda quentes, mesa de jantar arrumada - e o silêncio - Volto para a sala e busco o celular na bolsa. Ouço barulho de chaves no aparador. Leandro entra.
- Mamãe falou com você? - pergunto sem esperar que ele fale.
- Que cara é essa?
Disco o número de mamãe, andando de um lado para o outro, mil pensamentos fervilhavam no meu cérebro. Leandro liga para o papai. Eles não atendem.
- Ela não deixou nenhum recado? - pergunta Leandro.
Nego com meneio de mão e cabeça ao mesmo tempo, o coração agitou.
- Não demorem - Escuto mamãe falar corro para a porta. - Preciso terminar o jantar.
- Onde estava, e Carina onde...
Vejo-a de frente a porta do vizinho, ela dá tchau, segurando uma sacola da loja do avô, ele com outra. Ponho mão no peito e me apoio no aparador da entrada tomada por um momento de pânico, estremeço ao imaginar que talvez o desejo da Virgínia se concretizasse.
- Isa, o que foi? Filha,....
Não consigo falar e ponho a mão na boca e pisco várias vezes. Sou levada para o sofá e fecho os olhos tentando normalizar a respiração. Sentia a mão de Leandro na minha e o calor dela, precisava disso, para ter certeza que estava em casa.
- Beba, vai ajudar a acalmar - Obedeço. Pego o copo com água. - Fomos a padaria, seu pai pediu para esperar por ele.
- Não aconteceu nada - fala Lulu afagando meu ombro. - Respire, ela logo estará aqui.
Sem ter o que dizer, sentindo uma tola por ter me assustado por nada, concordo com um aceno de cabeça. Sem abrir os olhos, bebo a água e aguardo me acalmar.
- Vai ter uma crise de pânico de verdade se não conseguir superar. - fala Leandro.
- Estou me esforçando, mas não consigo, é mais forte do que eu.
- Tentem não pronunciar o nome dela, sabemos quanto nossa Estrela é curiosa. - Pede mamãe.
- Já acabou. Por que fica assim?
- Não sei. - Abro os olhos e exponho o que estava sentindo. - Tenho a sensação que estou naquele camarim com ela e vendo-a se gloriar do que fez com minha filha.
- Ainda pressa nesse sonho, filha foi um sonho - Mamãe afaga minha perna e se afasta. - Estão entrando.
Falando mamãe, Carina se joga no meu colo.
- Mais um cliente satisfeito. Certo, vovô? - ela diz com um sorriso aberto. Beijo sua bochecha.
- E querendo comprar mais. - responde o avô, deposita um beijo na minha cabeça e conclui. - Vou tomar um banho antes de comer. Estrela, deixe um pãozinho doce para o vovô.
- Deixo, mas não demore, estou com fome, trabalhei muito. E você mamãe, trabalhou quanto?
- Muito e muito. - falo e aperto-a em meus braços até ela reclamar. Todo cansaço e temor desapareceu e foi substituído pela magia do sorriso da minha filha.
- Tio Lulu também trabalhou muito. Não mereço um beijo, ou melhor dois? - ele pergunta.
No meu colo, Carina fecha um olho e bate no nariz com o polegar, avaliando a proposta, balança a cabeça em negação. Cai na risada e se joga no colo do tio. O riso de Carina afastou por completo a angústia. Mamãe me chama para a cozinha.
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Amor Valioso
RomansaVocê venderia o seu amor? Heloísa tem sua vida planejada: trabalhar numa empresa com um bom salário e ajudar a mudar a realidade da sua família. Com pais interracial, desde de criança sabe o que é preconceito e acredita que só quem possui dinheiro...
