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Os alunos daquela faculdade não sabiam como reagir quando outro estudante foi encontrado morto nas proximidades do campus. A notícia se espalhou rapidamente pelos aplicativos, acompanhada de descrições que faziam o estômago revirar.

Notícia:
O jovem Xiao Dejun, de vinte e dois anos, foi encontrado morto nos arredores da faculdade onde cursava medicina. O local do crime foi um beco que ele costumava usar como atalho ao voltar do estágio. A polícia investiga se o caso tem relação com o assassinato ocorrido anteriormente nas imediações da mesma instituição.

Nos corredores, só se falava nisso. As alunas caminhavam juntas, assustadas, olhando por cima dos ombros. Muitos alunos insistiam em dizer que era apenas coincidência, como se repetir isso em voz alta pudesse afastar o medo. Mas ninguém conseguia ignorar a sensação sufocante de que algo estava profundamente errado.

— Eu não acredito que isso está acontecendo… — Lucas murmurou, completamente desnorteado.

Xiaojun havia sido seu amigo desde a infância. Cresceram juntos, dividiram risadas, sonhos e planos. Agora, tudo o que restava era um vazio cruel, impossível de preencher. A ideia de nunca mais vê-lo fazia o peito doer de um jeito quase físico.

O time de basquete decidiu, em conjunto com o treinador, suspender o treino daquele dia. Não havia clima para competição, não quando um dos seus estava despedaçado. Lucas soluçava sem conseguir se controlar, mas, pela primeira vez desde que recebera a notícia, não estava sozinho. Mesmo sendo desajeitado com palavras em momentos de luto, sentia algum conforto em saber que havia pessoas ao seu redor — pessoas que ficariam ali, em silêncio se fosse preciso, até que ele conseguisse respirar sem dor.

Ainda assim, o clima geral era pesado.

Em menos de uma semana, dois alunos foram assassinados. Em uma faculdade com milhares de estudantes circulando diariamente entre dormitórios, salas e clubes… como alguém conseguiria cometer crimes assim sem ser visto? Ou ouvido?

A pergunta pairava no ar como uma ameaça.

[...]

Pensamentos de alguém:

Eu fiz de novo.

A sensação ainda pulsa em mim, viva demais para ser ignorada. Meu corpo treme, não de medo, mas de algo que me enoja admitir. Eu me sinto um monstro… mas é tão errado assim procurar prazer? Não é isso que todos fazem, de uma forma ou de outra?

O que eu estou pensando?

Isso não é prazer.
Não pode ser.
Eu não sou um monstro.

[...]

Enquanto isso, o clube de natação estava completamente focado nos preparativos para uma competição importante, marcada para dali a duas semanas. Definitivamente não era o melhor momento para receber um membro novo — e, ainda assim, Na Jaemin estava ali.

— Seja bem-vindo ao nosso time, Jaemin — Taeyong anunciou, durante a reunião inicial. Sua postura era firme, mas o olhar carregava cuidado. — Sejam bons com ele. Somos uma família, independentemente das fofocas que estão rolando pelos corredores… e sim, eu sei de tudo. Quero vocês fortes. Estarei sempre ao lado de vocês, apoiando e corrigindo quando for preciso.

— Sim, senhor! — os membros responderam em uníssono, rindo ao fingirem um tom militar.

— Seus idiotas… — Taeyong riu junto. — Agora andem, vistam as sungas. Quero todos aqui em cinco minutos!

Foram dez, não cinco. Ainda assim, logo estavam enfileirados, prontos para pular na piscina enquanto Taeyong cronometrava e anotava os tempos. O treino foi intenso, passando por todos os estilos de nado, seguido por exercícios na academia próxima ao campus — algo que Jeno explicou a Jaemin enquanto recuperavam o fôlego.

— Quer ir com a gente? — perguntou, curioso demais para esconder.

— Espera um pouco — Jaemin respondeu, vestindo a camisa. — Vocês estudam das sete às três da tarde, treinam até às sete da noite e depois ainda vão pra academia até às dez?

— Exatamente.

— Qual é o problema de vocês? — ele brincou, balançando a cabeça. — Deve ser cansativo pra caramba.

— Depois que o corpo se acostuma, você nem sente mais.

— Com certeza — Jaemin comentou, sem muito entusiasmo.

Ele observou ao redor. Os corpos dos colegas denunciavam anos de treino: músculos definidos, nada exagerado, mas visivelmente fortes. Sob as jaquetas largas, talvez ele não chamasse atenção, mas Jeno lembrava perfeitamente de como Jaemin ficava usando apenas a sunga… e isso fazia seu coração acelerar por motivos que ele não queria analisar.

— Então… você vem? — Jeno insistiu.

Jaemin suspirou antes de responder.

— Eu vou. Mas peguem leve comigo — disse, sorrindo.

— Você vai gostar — Jeno sorriu de volta, tentando ignorar o fato de como aquele sorriso mexia com ele. Não estava se apaixonando. De jeito nenhum.

A academia ficava perto, convenientemente perto demais para estudantes ocupados. Jaemin parecia magro à primeira vista, mas Jeno ficou genuinamente chocado ao vê-lo quase levantar duzentos quilos, mesmo dizendo que nunca havia frequentado uma academia antes.

— O que você fazia antes pra ser forte assim? — perguntou, tentando não soar invasivo.

— Prefiro não contar… — Jaemin respondeu, evitando o olhar. — Não me orgulho disso.

Em qualquer outra situação, a resposta não pareceria estranha. Mas agora… dois assassinatos haviam acontecido. Boatos corriam soltos. Diziam que tudo começara depois da chegada dele.

Jeno não queria desconfiar. Ainda assim, percebeu o quão pouco sabia sobre Jaemin — apenas o nome, alguns sorrisos e muitas lacunas.

— Tudo bem — disse, forçando leveza. — Não precisa contar nada que não queira. Estou louco pra terminar e ir pro dormitório dormir.

— Você dorme tão cedo — Jaemin comentou.

— Depois daqui, não sobra energia nenhuma.

— Eu imagino… eu também fico cansado. Mas não consigo dormir antes das duas da manhã.

— O que você faz pra dormir tão tarde?

— Coisas…

Jaemin sempre desviava quando o assunto era ele mesmo. Aquilo tornava tudo mais suspeito — e mais intrigante. Jeno respirou fundo, decidindo afastar os pensamentos paranóicos. Se houvesse algo errado, a polícia descobriria.

Ele voltou ao treino, tentando ignorar o aperto estranho no peito.

Mas, no fundo, já sabia: aquela tranquilidade era apenas uma ilusão.

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