A conversa com Renjun não havia acontecido como Jeno imaginara, mas, ainda assim, não estavam brigados. E agora ele estava ali, trazendo o chinês para morar com eles. Talvez aquilo já fosse um avanço — pequeno, confuso, mas real.
— Jeno? — Jaemin comentou assim que os viu entrar. — Saiu sozinho e voltou acompanhado, aí sim! — brincou, mas logo seu semblante ficou sério. — Me desculpa por aquilo, Renjun. Eu estou sozinho no mundo… só tenho ele ao meu lado, então fico louco de medo de perdê-lo.
Renjun engoliu em seco.
— Me desculpa também. Eu me deixei levar pelos meus sentimentos sem pensar que você também gosta dele.
— O quê? — Jaemin virou-se imediatamente para Jeno, o olhar afiado. — Como você sabe disso? Lee Jeno, você contou?
— Eu não! — Jeno levantou as mãos em rendição, quase rindo de nervoso.
Renjun desviou o olhar por um instante antes de responder:
— Eu não sei explicar… mas consigo saber o que você sente tão fácil quanto ler um livro.
O silêncio que se seguiu foi diferente. Pesado, mas não desconfortável. Jaemin e Renjun se encararam por alguns segundos a mais do que o necessário, como se algo invisível estivesse sendo reconhecido ali. Eles se percebiam um ao outro com uma facilidade estranha, quase assustadora. Por enquanto, Jeno era o elo entre eles — mas, em algum ponto, todos acabariam conectando seus próprios corações.
— Então… — Renjun quebrou o clima. — Onde eu vou dormir?
— Você que sabe — Jeno respondeu de imediato, prático demais para perceber a tensão.
— Nada disso! — Jaemin retrucou rápido. — Ele vai dormir comigo!
— Por quê? — Renjun perguntou, surpreso.
— Minha cama é maior, meu quarto também — explicou, um pouco apressado. — Pode escolher, mas seria mais confortável comigo.
— Então vou dar uma olhada primeiro — Renjun respondeu, tentando soar casual.
— Justo. Eu vou fazer algo pra comermos — Jaemin disse antes de se afastar.
Jeno sabia que cozinhar era a terapia particular de Jaemin, então apenas sorriu em apoio. Renjun observou os dois por um momento antes de sair pelo apartamento, curioso com o lugar que agora chamaria de casa.
— Tem alguma regra que eu deveria seguir morando aqui? — perguntou enquanto caminhavam.
— Não — Jeno respondeu. — A gente divide contas e tarefas, mas a cozinha é sempre do Jaemin.
— Por quê? — Renjun ficou curioso.
— Ele gosta de cozinhar. Diz que é como uma terapia — Jeno baixou a voz. — Só não deixa ele saber que a gente pensa assim, ou vai ficar desconfortável.
Renjun sorriu de leve.
— Você está sempre cuidando dele, né?
— Sempre — respondeu sem hesitar. — E vou cuidar de você também agora. Vamos nos conhecer melhor… aprender as manias um do outro.
— Eu não tenho manias — Renjun fez uma careta.
— Todo mundo tem — Jeno riu. — O Jaemin trata a cozinha como território sagrado, briga comigo quando tento ajudar. E eu… — pensou um pouco. — Eu odeio gente perto de mim quando estou escovando os dentes.
— Nossa, você é estranho! — Renjun riu. — Vamos ver se você acha alguma mania em mim.
— Isso é um desafio? — Jeno fez uma careta exagerada, arrancando outra risada.
— Você é muito bobo.
— Eu sou assim só pra te ver rir desse jeito — disse sem pensar, com aquele romantismo desajeitado que parecia natural demais nele.
Renjun ficou vermelho, desviou o olhar e entrou no primeiro cômodo que encontrou.
— Esse é o seu quarto?
— É… pequeno, né? — Jeno coçou a nuca. — Acho que o Jaemin tem razão, melhor você dormir com ele.
— Seu quarto é a sua cara — Renjun comentou, reparando em uma foto de Jeno com Donghyuck. — Vocês estão no mesmo clube.
— Você conhece o Haechan?
— É meu colega de curso… e de quarto.
— Verdade — Jeno riu. — Esqueci que ele estuda direito. Imagina como ele vai ser quando virar advogado?
— O advogado mais louco da história — Renjun respondeu, rindo junto. — Como vocês viraram amigos? Vocês parecem opostos.
— Aconteceu naturalmente. Eu já fazia natação antes da faculdade, ajudei ele a melhorar o tempo… e pronto — explicou. — Mesmo que agora ele esteja ocupado demais com o Mark atrás dele.
— Mark? — Renjun sorriu. — Uau.
— Conhece?
— Ele aparece às vezes no clube de artes pra levar comida pro Jisung, dizendo que é filho dele — contou, rindo.
— Coitado do Jisung — Jeno riu também.
— Melhor você me mostrar logo o quarto, Jaemin vai chamar a gente pra almoçar já já.
— Tão rápido?
— Não se engane — Jeno sorriu. — Ele cozinha rápido, mas é muito bom nisso.
— Dá pra sentir pelo cheiro — Renjun fechou os olhos por um segundo. — Vamos logo, estou morrendo de fome.
Eles deixaram as malas no quarto e seguiram para a cozinha, onde Jaemin já organizava a mesa.
— Qual é o menu de hoje, chefe? — Jeno brincou.
— Tteokbokki, curry e miojo — respondeu. — Tô com preguiça de fazer mais que isso.
— Ainda assim? Já vi que vou engordar morando com vocês!
— Nada — Jaemin riu. — Normalmente só comemos frango cozido. Ele é um rato de academia.
— Dá pra perceber — Renjun comentou, lançando um olhar rápido para o corpo forte de Jaemin, construído não por vaidade, mas como uma forma silenciosa de defesa contra um passado que ainda doía.
Eles se sentaram e comeram em silêncio, aproveitando a comida quente e a presença uns dos outros.
— Mês que vem eu começo a ajudar nas contas — Renjun disse ao terminar, um pouco constrangido.
— Fica tranquilo — Jaemin respondeu. — Já dissemos que está tudo bem.
— Vocês são muito tranquilos… trabalham com o quê?
— O Jaemin recebe auxílio do governo depois da denúncia contra a mãe e tem economias de quando trabalhava meio período — Jeno explicou. — Eu trabalho remotamente pro escritório do meu pai.
— Que sonho ser estudante de administração — Renjun comentou, depois hesitou. — No meu curso… só vou conseguir algo na área no terceiro ano.
— Direito é puxado mesmo.
— Muito — suspirou. — Estudo o tempo todo, ainda tem o clube de artes… quase não sobra tempo.
— Administração é mais tranquila — Jeno respondeu. — Mas a natação compensa. O Taeyong pega pesado, mas é como um irmão mais velho.
Conversaram sobre tudo o que podiam naquele tempo raro e precioso. Depois, decidiram descansar um pouco, tentando recuperar a noite mal dormida.
Jaemin se deitou ao lado de Renjun com o coração acelerado, inquieto demais para relaxar. Ainda acreditava que o chinês não sentia nada além de amizade por ele. Mesmo assim, o simples fato de dividir aquela cama já fazia seus pensamentos girarem, silenciosos e perigosamente esperançosos.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
