Mark havia conseguido uma carona para voltarem à faculdade com um homem de idade avançada. Ele era muito calado, embora tivesse permitido que entrassem no carro com um sorriso educado, quase gentil demais para alguém tão silencioso.
O clima estava estranho, pesado.
— Está tudo bem? — Donghyuck perguntou, incapaz de conter o impulso de falar em momentos tensos. — Se o senhor mudou de ideia, pode nos deixar aqui.
— Não é isso — o homem respondeu após alguns segundos. — Estou pensando em alguns problemas. Preciso me mudar rapidamente.
— Se mudar? — Mark repetiu, surpreso.
— Sim. Moro aqui há mais de trinta anos, mas está ficando perigoso demais para meus netos virem me visitar.
— Por causa do assassino? — Jisung perguntou, com cautela.
— Exatamente. Não quero que eles corram perigo só para me ver, nem quero ficar muito tempo sem vê-los. Alguns sacrifícios precisam ser feitos — suspirou, a voz carregada de resignação, como quem já lamentava deixar para trás uma vida inteira de memórias.
— O senhor acha que a polícia não vai conseguir pegá-lo? — Chenle perguntou, tentando esconder o medo.
— Acho que a polícia enfrenta muitas desvantagens no momento — começou a explicar, com uma clareza surpreendente. — Em casos assim, o assassino costuma ser alguém que conhece bem a faculdade. Existe uma grande chance de ser um aluno novo, já que os crimes começaram quando eles chegaram. Mas não dá para tirar conclusões precipitadas. Não se pode revistar quartos sem mandado, e para conseguir um, é preciso convencer um juiz de que a teoria faz sentido. Eles estão em uma posição muito complicada.
Os mais novos trocaram olhares incrédulos. Ele falava com tanta propriedade que chegava a assustar.
— O senhor é policial? — Jisung perguntou.
— Policial aposentado — respondeu com um leve sorriso. — Me mudei para cá quando fui transferido, ainda na ativa. Trabalhei muitos anos na corporação, mas nunca vivi algo como o que meus antigos colegas devem estar enfrentando agora. Já vi casos parecidos em outros países. Talvez pudessem se inspirar neles para capturar o culpado.
— Então por que o senhor não fala com eles? — Chenle perguntou, exaltado. — Mesmo aposentado, o senhor sabe coisas importantes!
— Sou um policial aposentado. Talvez nem me levem a sério.
— Mesmo assim! — Chenle perdeu a calma. — É melhor falar com alguém que possa fazer alguma coisa! O que nós, universitários, podemos fazer?
— Chenle — Mark o repreendeu imediatamente.
— Ele tem razão — o senhor disse, surpreendendo-os. — Talvez eu esteja desperdiçando um tempo precioso para a investigação. Preciso tomar coragem e procurar meus antigos colegas.
O carro parou a cerca de quatro quadras da faculdade.
— É aqui que nossos caminhos se separam. Tomem cuidado — disse ele.
— Muito obrigado pela carona. E desculpe qualquer coisa — Mark respondeu, conduzindo a despedida.
Eles desceram do carro ainda pensativos. O homem foi embora após um último sorriso, deixando para trás a sensação de que aquela havia sido a interação mais estranha e inesperada da semana inteira. No caminho restante, Mark passou o tempo todo repreendendo Chenle pelas palavras duras, mesmo sabendo que vinham do medo.
[...]
Jaemin acordou depois de dormir apenas duas horas. A cabeça doía, o quarto estava escuro e um cobertor o cobria com cuidado. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios ao imaginar que seus futuros namorados haviam feito aquilo para que ele descansasse melhor.
Levantou devagar, mas não conseguiu evitar a tontura que veio logo em seguida. Pular refeições quando estava estressado era um defeito antigo e irritante.
— Jae! — Renjun levantou-se rapidamente do sofá ao ouvir os passos e sorriu ao vê-lo.
— Jae? — Jaemin repetiu, sorrindo sem conseguir conter a reação.
— Ah… foi sem querer — Renjun corou imediatamente.
— Eu gostei.
Jeno observava os dois em silêncio, sorrindo. Quando tinham se aproximado tanto? Fazia pouco tempo que Renjun havia aparecido com a intenção clara de conquistar seu coração e agora olhava para Jaemin da mesma forma. Não era ciúmes. Esse sentimento não existia mais entre eles. Estava feliz. A única coisa que tornaria tudo perfeito seria poderem namorar sem preocupações, sem julgamentos… sem assassinos. Ainda assim, sua maior inquietação continuava sendo se Jaemin conseguiria lidar com um relacionamento estando tão fragilizado.
— Está pensando em quê? — Jaemin perguntou, olhando para ele.
— Nada importante — respondeu, sorrindo para não preocupá-los.
— Tem certeza?
— Você está preocupado comigo? Sou eu quem deveria estar preocupado! — brincou, tentando mudar de assunto. — Como você está?
— Melhor — respondeu Jaemin. — Obrigado por cuidarem de mim. Eu… sempre preciso de vocês.
Havia vergonha em sua voz.
— Ei — Renjun interrompeu de imediato. — Não fala assim. Estamos aqui porque te amamos. Você não é fraco, não está se aproveitando da gente e nem nos incomoda. Então para com esses pensamentos.
Jaemin ficou em silêncio, sem saber o que dizer.
— Jaemin… — Renjun respirou fundo. — Você consegue perceber tudo o que mudou por sua causa?
Ele se aproximou e segurou sua mão direita.
— Eu tinha um crush no Jeno há muito tempo. Nunca tive coragem de falar com ele. Tudo o que eu fazia era desenhá-lo e pendurar os quadros pela faculdade. Hoje eu moro com ele… e amo mais uma pessoa incrível que nem imaginava que entraria na minha vida assim.
As lágrimas vieram sem aviso. Era bom demais se sentir amado depois de tantos anos acreditando que não merecia aquilo.
— Comigo foi parecido — Jeno se aproximou e segurou a mão esquerda de Jaemin. — Eu só vivia para os treinos e para manter as notas. Não tinha nenhum desejo além de continuar nadando. Aí você apareceu, com aquela conversa estranha na festa, entrou no clube… e mudou tudo. Agora, tudo o que eu quero é fazer vocês se sentirem amados e felizes pelo resto das nossas vidas.
— Vocês… obrigado — Jaemin chorava novamente, mas dessa vez era diferente. Era felicidade.
— Não precisa agradecer — Jeno sorriu, puxando os dois para um abraço apertado. — Vai ficar tudo bem agora. Estamos juntos.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
