.05.

82 13 13
                                        

No clube de artes, o clima ainda estava longe de melhorar. A morte de Jungwoo havia deixado uma ferida aberta demais para cicatrizar rapidamente. Ninguém ali tinha realmente superado a perda do amigo — apenas aprendiam, dia após dia, a conviver com o vazio que ele deixou. Ainda assim, tentavam não permitir que a dor transbordasse por completo em suas obras, embora isso fosse quase impossível.

— Como você está, Doyoung? — Renjun perguntou com cuidado. — Você era o mais próximo dele.

Doyoung levantou o olhar devagar. Seus olhos estavam inchados, avermelhados; o rosto denunciava uma noite inteira chorando em silêncio.

— Estou tentando seguir em frente… — respondeu, a voz baixa, sem força. — Ele sempre vai viver em mim. Em todos que o amavam.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Quer tirar alguns dias de folga do clube? — Chittaphon sugeriu, pousando uma mão reconfortante em seu ombro.

— Acho que seria bom… — Doyoung suspirou. — Não estou em boa forma para criar agora.

— Pode descansar por uma semana — Chittaphon decidiu. — Vai lá.

Ele deu um leve tapinha nas costas do mais alto, que assentiu agradecido antes de se afastar. Precisava de tempo. Todos precisavam.

Mesmo tentando esconder, a dor se infiltrava na arte. Um artista não consegue mentir para a própria criação — e isso fica claro nos tons mais escuros das pinturas espalhadas pelo ateliê. Assim como ficava evidente nos traços delicados de Renjun, sempre que desenhava um certo nadador da faculdade.

— Eu não sei como o Jeno ainda não percebeu o seu crush — Jisung comentou, cruzando os braços enquanto observava o amigo pintar. — Você foge do Ten só pra ver ele nadar, desenha e pinta quadros dele que ficam expostos pra todo mundo ver. Ele deve ser muito lerdo.

— Ou eu sou muito bom em borrar o rosto dos desenhos — Renjun respondeu, fingindo despreocupação.

— Mas o corpo é idêntico! — Jisung apontou para a tela recém-finalizada. — Olha isso!

— Você está olhando pro corpo dele? — Renjun lançou um olhar desconfiado, logo abrindo um sorriso ao ver a expressão assustada do mais novo. — Estou brincando, seu besta.

— Onde você vai colocar esse?

— No pátio.

— Você está louco pra ele te descobrir, né?

— Claro que estou — Renjun brincou, sentindo o rosto esquentar. — Quero dar uns beijos. Não que eu seja super confiante, mas… não faz mal pensar que, se ele souber dos meus sentimentos, a gente vai acabar namorando.

— É bom ser otimista — Jisung sorriu. — Eu te ajudo.

Com cuidado, Jisung pegou o quadro — a tinta ainda estava fresca. Caminharam devagar até o pátio, atentos a cada passo, e penduraram a pintura na parede designada. Foi então que alguém se aproximou para colar uma folha ao lado.

*“Procura-se colega de quarto para dividir aluguel.”*

Quem colocou o anúncio foi o aluno novo.

— Que quadro bonito — ele comentou, sorrindo de forma despreocupada.

— Obrigado — Renjun respondeu, tentando parecer natural. — Você paga aluguel?

— Sim. Estou morando em um apartamento aqui perto. Disseram que não havia dormitórios disponíveis, então estou procurando alguém pra dividir o quarto e o aluguel.

— Tenho um amigo que também está procurando um lugar — Jisung comentou animado. — Ele vem dos Estados Unidos pra estudar idiomas aqui. Vou mandar uma foto do seu cartaz pra ele.

— É… artes nunca foram meu forte — o garoto riu, meio sem graça ao lembrar dos desenhos tortos no anúncio. — Diz pra ele me ligar se se interessar. Ah! O Jeno deve ficar feliz, já que o namorado dele desenha tão bem.

— O quê?! — Renjun arregalou os olhos.

— É um desenho do Jeno, né? Vocês são namorados.

— De onde você tirou isso?! Não é o Jeno! E nós não somos namorados! — Renjun tentou se controlar, mas o nervosismo ficou evidente.

— Tudo bem, tudo bem — o outro levantou as mãos, rindo. — Esquece o que eu disse. Eu entendo… ele é muito bonito.

Ele se afastou rindo, pensando em como aquele chinês era absurdamente fofo quando ficava envergonhado.

Jisung caiu na gargalhada, zoando o hyung sem piedade. Renjun, por sua vez, sentia o coração acelerado. Seu sentimento parecia cada vez mais perto de ser descoberto — e ele não sabia se isso era bom ou assustador. Afinal, sempre existia a chance de levar um fora.

Enquanto isso, no ginásio, Taeil apresentava um novo membro do time de basquete.

— Meninos, esse é o Johnny — anunciou. — Ele vai se juntar a nós e aos alunos do curso de idiomas.

— É um prazer conhecer vocês — Johnny disse, sorrindo de forma aberta.

Mark se animou imediatamente ao ver outro mestiço no time e começou a conversar com ele em inglês. Os outros observavam sem entender nada, mas ficavam felizes em vê-lo tão empolgado. Johnny logo se enturmou com todos — extrovertido, animado, fácil de gostar. Ele dividiria o dormitório com Yangyang, e os dois já discutiam como organizariam o quarto.

O restante da semana passou de forma surpreendentemente tranquila. Nenhuma nova notícia, nenhum alerta. Aos poucos, os alunos voltaram às rotinas, tentando acreditar que o pior havia ficado para trás.

Mas no fim de semana, aconteceu de novo.

Notícia:
Infelizmente, o jovem Dong Sicheng, conhecido como Winwin, teve sua vida interrompida aos 21 anos de idade nesta madrugada, nos arredores da faculdade, onde cursava idiomas.

Ele foi encontrado por uma criança a caminho da escola. Era o terceiro caso semelhante na região. A polícia intensificou as rondas noturnas e as investigações durante o dia. Muitos alunos foram interrogados exaustivamente, mas ainda não havia suspeitos.

O time de basquete estava incompleto naquele dia.

Yuta havia perdido o namorado naquela noite.

Ele se recusava a sair do quarto, afundado em culpa e dor. Se amaldiçoava por não ter ido buscá-lo. Winwin havia acabado de voltar da China, onde visitara os pais — era por isso que caminhava sozinho pelas ruas às três da madrugada.

E, naquela mesma madrugada, algo mais aconteceu.

Um aluno acordou assustado com o som do chuveiro ligado.

Seu colega de quarto estava tomando banho… no meio da noite.

E isso, por algum motivo, parecia errado demais para ser ignorado.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora