Quando Jaemin chegou à sala do curso de Administração, encontrou Renjun parado em frente à porta, como se estivesse esperando especificamente por ele.
— Bom dia, Jaemin — disse o chinês, sorrindo de forma sincera.
— Bom dia — respondeu, mal conseguindo sustentar o olhar.
Depois do que havia acontecido com Jeno, encarar Renjun parecia errado demais.
— Eu queria te contar uma coisa — continuou Renjun, animado. — Eu me declarei para o Jeno. Muita gente me fez pensar sobre isso… e você foi uma delas. Obrigado.
Ele parecia genuinamente feliz.
Eu sou um lixo.
Era tudo o que Jaemin conseguia pensar. Sentia como se estivesse atrapalhando algo bonito antes mesmo de começar.
— Fico feliz por você — disse, forçando um sorriso que não alcançou os olhos.
— Obrigado! — Renjun parecia aliviado. — Preciso ir, a aula já vai começar. Vamos tomar um café mais tarde? Quero te agradecer direito.
— Não precisa…
— Eu insisto — interrompeu, sorrindo novamente. — Me encontra na cafeteria do refeitório. É por minha conta.
E então foi embora, seguindo em direção ao prédio do curso de Direito.
— Eu sou o pior de todos — murmurou Jaemin, antes de entrar na sala.
Durante o resto do dia, Jaemin não conseguiu se concentrar em nenhuma aula. Os pensamentos rodavam sem parar, cheios de culpa e medo. Ele e Renjun não eram exatamente amigos próximos, mas mesmo assim… ele sabia dos sentimentos dele. E isso tornava tudo ainda pior.
Enquanto Jaemin se afundava em pensamentos, Chenle fazia exatamente o oposto: flertava descaradamente com Jisung, como se não houvesse amanhã.
— Você está muito bonito hoje — comentou Chenle, sem qualquer vergonha. — Quer dizer, você é bonito todo dia, mas hoje parece especial.
Jisung ficou vermelho quase instantaneamente, até as orelhas denunciando sua timidez.
— Para, Chenle! Estamos na sala, eu preciso prestar atenção na aula!
— E como eu paro se você fica ainda mais fofo quando está envergonhado?
— Nossa, como ele é atacante — brincou Shotaro, sentando-se perto deles.
— É claro! — respondeu Chenle. — Se eu não atacar, alguém vai. Não posso deixar isso acontecer!
Jisung não desgostava de Chenle. O problema era a própria timidez. No dia a dia, não podia contar com a coragem artificial que o álcool lhe deu naquela festa em que passaram a noite inteira conversando.
As horas passaram rápido demais, e logo Jaemin precisou ir para o clube. Sua mente repetia, como um castigo, que havia estragado sua amizade com Jeno. Pensar em vê-lo novamente fazia seu estômago revirar, mas faltar dois dias seguidos não era uma opção — o treinador não perdoaria.
Assim que entrou no vestiário, deu de cara com Jeno sem camisa.
Que visão.
— Jaemin, como foram as aulas? — perguntou Jeno, sorrindo despreocupado enquanto tirava o restante da roupa, ficando apenas de cueca antes de ir ao banheiro vestir a sunga.
— Normais… eu acho — respondeu, tentando ignorar o efeito que aquela cena tinha sobre ele. Seu coração batia rápido demais.
— O que é “normal”? — provocou Jeno, tentando manter o tom leve, embora também estivesse sentindo algo diferente.
Nenhum dos dois conseguiu evitar pensar em Renjun. No fim, sabiam que ele sairia mais machucado do que qualquer um.
Como se fosse chamado pelos pensamentos deles, Renjun apareceu minutos depois, justamente quando Jeno ainda estava no banheiro.
— Renjun! Bom dia, bebê! — cumprimentou Jaemin, agora tirando suas próprias roupas.
— Que apelido é esse? — Renjun fez uma careta, mas respondeu o cumprimento. — O Jeno já chegou?
Era inevitável reparar nos corpos fortes naquele ambiente. Treinos diários deixavam marcas evidentes.
— Já sim — respondeu Jaemin. — A gente veio junto.
O tom saiu diferente do que pretendia. Ciúme. Ele percebeu tarde demais.
— Ah… — Renjun tentou disfarçar. — Onde ele está?
— No banheiro, já deve sair.
Achou que a conversa acabaria ali, mas percebeu o olhar do outro sobre si.
— Impressionado com o quanto eu sou lindo? — brincou, tentando mascarar o próprio desconforto.
— Que autoestima — respondeu Renjun, desviando o olhar com dificuldade. — Não quer dividir um pouco comigo?
— Tenho uma ótima ideia de como dividir — Jaemin se aproximou demais.
— Para! — Renjun colocou a mão em seu peito, afastando-o.
A palavra foi dita em tom normal, defensivo. Ainda assim, foi o suficiente.
Para Jaemin, tudo voltou.
O coração disparou, a respiração ficou curta, e a dor — aquela dor antiga — atravessou seu peito como um golpe. Ele se afastou rápido, virou de costas, tentando esconder as lágrimas.
Por que eu sempre choro? Será que eu mereço algum alívio depois de tudo? Denunciei minha própria mãe… eu não mereço conforto nenhum.
— Jaemin, o que foi? — Renjun se aproximou, assustado. — Está tudo bem, eu estou bem… eu sei que você estava brincando.
— O que está acontecendo? — Jeno apareceu naquele momento.
Assim que viu Jaemin, entendeu. Não precisava de explicações.
— Eu… eu não entendi — Renjun parecia perdido. — A gente estava conversando e…
— Eu falo com ele — interrompeu Jeno, com cuidado. — Pode me esperar lá fora? Só alguns minutos.
— Tá bom… — respondeu Renjun, saindo com um aperto no peito que não sabia explicar.
— Fala comigo — pediu Jeno, se abaixando à frente de Jaemin. — Eu estou aqui.
— Eu fiz uma brincadeira… ele pediu pra parar, e foi como se tudo voltasse — confessou, com a voz falhando. — Doeu muito. Não é culpa dele… eu sou quebrado.
— Não — respondeu Jeno imediatamente. — Você não é quebrado. Você é humano. Alguém te machucou profundamente. Isso não some de uma hora pra outra.
Secou suas lágrimas com cuidado.
— Vai demorar, mas um dia isso vai doer menos.
— Será que eu mereço? — murmurou Jaemin. — Olha o que eu fiz com minha própria mãe…
— Você fez o certo — disse Jeno, firme. — Mesmo mães erram. E quando erram desse jeito, precisam enfrentar as consequências. Você se protegeu. Isso não é errado.
Acariciou seus cabelos com delicadeza.
— A polícia vai cuidar disso agora.
Jaemin não respondeu. Apenas respirou fundo, tentando se recompor.
Do lado de fora, Renjun havia voltado para se desculpar, mesmo sem saber pelo quê. Ao ver Jeno confortando Jaemin daquela forma, algo se partiu silenciosamente dentro dele.
Sem dizer nada, foi embora.
Os biscoitos que passou a noite inteira aprendendo a fazer ficaram esquecidos em sua mochila.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
