Enquanto Chenle e Mark caminhavam pela faculdade, vasculhando cada canto em busca do ruivo que havia roubado o coração do canadense, Renjun tomava uma decisão que fazia suas mãos tremerem. Não podia mais adiar. Precisava se declarar para Jeno o mais rápido possível.
Despediu-se dos alunos do clube de artes com um sorriso nervoso e seguiu para o clube de natação. Ao chegar, foi recebido por Taeyong.
— Oi, Renjun! — Taeyong sorriu com carinho. — O que veio fazer aqui? É um pouco longe do clube de artes.
Todos sabiam que o chinês participava do clube; seus desenhos viviam espalhados pelos corredores da faculdade.
— Eu preciso falar com o Jeno… — respondeu devagar, controlando a voz para não gaguejar. O nervosismo era evidente.
— Entendo. Vou chamá-lo, mas vai ter que ser rápido, ok? O treino já está acabando e ele precisa tomar banho para ir embora — explicou com paciência, como sempre.
— Sim, senhor!
Renjun esperou na porta. Não teve coragem de entrar. Estava nervoso demais, envergonhado demais. Respirava fundo repetidas vezes, tentando acalmar o coração que parecia querer escapar do peito.
— Renjun! — Jeno apareceu sorrindo, secando o cabelo com uma toalha.
— Talvez… não seja uma boa hora — murmurou, com a voz baixa. O rosto estava vermelho, tanto pela timidez quanto por ver o corpo de Jeno tão de perto.
— Está tudo bem. O hyung disse que você precisava falar comigo — respondeu tranquilo. — O que foi?
Jeno manteve a toalha enrolada na cintura, por cima da sunga. O cabelo molhado e bagunçado o deixava ainda mais bonito, e Renjun teve que engolir em seco para não perder completamente o foco.
— Er… então… sabe…
As palavras pareciam fugir. Enquanto Renjun tentava organizar os pensamentos, Jeno o observava com atenção genuína, como sempre fazia quando alguém falava com ele, mesmo que fosse algo confuso.
Isso é tão injusto, pensou Renjun. Jeno não fazia aquilo de propósito. Era gentil, atencioso, presente. Impossível não se apaixonar.
— Talvez você nem lembre, mas nos conhecemos no ano passado — começou, respirando fundo. — Eu tinha acabado de chegar aqui, não entendia muito como as faculdades coreanas funcionavam… e sou introvertido. Achei que não falaria com ninguém, então fiquei desenhando sozinho no meu caderno. Você apareceu do nada e elogiou meu desenho.
— Hum… ah — Jeno arregalou levemente os olhos. — Estou começando a lembrar. Me desculpa, faz muito tempo. — Ele parecia genuinamente chateado. — Eu fiz algo errado?
— Não! — Renjun se apressou. — É o contrário. Pode parecer bobo, mas pra mim foi muito difícil. Eu não consigo me aproximar facilmente das pessoas. Então você ter elogiado meu desenho e ficado conversando comigo… foi especial. — Baixou o olhar, envergonhado. — Talvez pareça pouca coisa, mas significou muito pra mim. Desde então, comecei a prestar atenção em você do jeito mais introvertido possível… sem deixar que você percebesse. Agora deve estar me achando um stalker.
Levou as mãos à cabeça, constrangido.
— Renjun, olha pra mim — Jeno segurou suas mãos com cuidado. — Eu estou ouvindo tudo. Não precisa ter pressa, nem ficar com vergonha. Está tudo bem.
E sorriu.
— Isso… é tão injusto.
— O quê? — Jeno franziu a testa.
— O que eu quero dizer é que eu gosto de você — disse de uma vez, sentindo o peito apertar. — Gosto muito, muito mesmo. Já faz um ano. — As palavras começaram a sair com mais facilidade, junto de uma pontada de indignação. — Como você consegue ser tão gentil? Tão legal? As pessoas se apaixonam por você sem nem perceber.
— Renjun… eu não sei o que dizer — Jeno soltou as mãos dele, inseguro, temendo ser mal interpretado por quem pudesse ver a cena.
— Não precisa responder! — Renjun falou rápido. — Eu só queria que você soubesse.
Virou-se para ir embora, mas sentiu uma mão firme segurar seu pulso.
— Jeno?
— Eu posso pensar? — agora era ele quem estava corado. — Talvez você não acredite, mas é a primeira vez que alguém se declara pra mim. Eu… não sei como reagir.
Renjun o encarou, incrédulo. Achou impossível que alguém como Jeno nunca tenha passado por aquilo.
— Pode pensar pelo tempo que quiser — respondeu, sorrindo, aliviado. — Só isso já me deixa feliz. — Respirou fundo. — Eu vou deixar você voltar para o treino.
— É… eu preciso voltar.
Nenhum dos dois sabia o que dizer. O ar parecia pesado, carregado de emoções não resolvidas. Renjun apenas virou as costas e saiu correndo. Precisava ir embora antes que dissesse algo errado, antes que o nervosismo o traísse mais uma vez.
Jeno ficou parado, observando-o se afastar, provavelmente voltando para o clube de artes. Sua mente estava em caos. Desde a festa, sentia algo por Jaemin, e agora moravam juntos. Não era um relacionamento, mas significava alguma coisa. Ainda assim, aquela declaração mexera com ele de uma forma que não esperava.
Respirou fundo e voltou para a piscina apenas para se despedir. Já era hora de fechar tudo e ir para casa.
— Jeno, eu vou te deixar em casa hoje. Preciso sair mais cedo — Jaemin falou quando ficaram sozinhos no vestiário.
— Eu posso ir sozinho — Jeno respondeu, sem querer atrapalhá-lo.
— Nem pensar. Está escurecendo, é perigoso.
— Está preocupado comigo? — o coração de Jeno acelerou novamente.
— Claro. Você é meu colega de clube e de apartamento — respondeu de forma simples, quase impessoal.
— Ah… — murmurou. — Tudo bem então.
Enquanto esperava Jaemin se trocar, percebeu que ele não estava com o humor habitual. Havia algo diferente, pesado.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou.
— Nada demais. Só uma reunião de família — respondeu com um sorriso claramente forçado.
— Tem certeza?
— Tenho. Não se preocupe, volto logo.
Jeno desistiu de insistir. Parecia um assunto delicado demais. Pegaram suas coisas e saíram juntos. Taeyong estava fechando o clube, apagando as luzes uma a uma.
O caminho até o apartamento foi silencioso. Um silêncio estranho para dois amigos que sempre tinham algo a dizer — e que, naquela noite, estavam presos em pensamentos que não sabiam como compartilhar.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
