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Depois de acalmar Jaemin, ele conseguiu pilotar a moto até o apartamento. Não ficava muito longe, e Jeno confiou que, apesar de tudo, ele conseguiria chegar bem. Ainda assim, só respirou aliviado quando estacionaram no prédio.

— Como você está? — perguntou assim que Jaemin guardou a moto.

— Muito cansado — respondeu com um sorriso fraco. — Preciso trabalhar isso em mim… como se não bastasse minha mãe, nem meu pai me quer. É complicado aceitar.

— Eu não consigo nem imaginar o que você está sentindo — Jeno disse com sinceridade. — Mas eu estou ao seu lado.

Jaemin assentiu em silêncio, destrancando a porta.

— Vai passar as férias aqui? — perguntou, tentando soar casual, embora a pergunta tivesse mais peso do que gostaria de admitir.

— No apartamento? Acho que sim.

— Não vai visitar sua família?

— Por quê? — deu de ombros. — É melhor ficar tranquilo aqui do que enfrentar uma viagem longa e cansativa pro interior.

Mentira. A verdade era que não queria deixá-lo sozinho.

— Você deveria ir… — Jaemin murmurou. — Queria ter alguma família pra visitar.

A tristeza na voz dele fez o peito de Jeno apertar.

E agora? Prometi que ficaria ao lado dele. Ele precisa de alguém. Não que seja dependente de mim, mas não tem ninguém em quem confiar. Minha mãe me chamou… vou me sentir péssimo se não for.

— Você quer ir comigo? — perguntou antes de pensar demais.

— O quê? — Jaemin piscou, confuso.

— Quer ir comigo? Minha mãe iria te adorar. Eu vou só depois da semana que vem.

Diferente de Jeno, Jaemin pensou. E pensou rápido.

— Jeno… você pensou bem nisso? Tem certeza?

— Sim. Por quê?

— Vai me apresentar pra sua mãe?

— Sim. Ué, qual o problema?

— E o que eu sou?

— Meu… amigo — respondeu, hesitando. Só então percebeu o que Jaemin queria dizer. — Ah.

— Pois é.

— Isso não importa agora — Jeno disse no impulso. Percebeu rápido demais. — Quer dizer… eu me importo com nós dois, claro. Mas acho que passar um tempo com uma família amorosa vai te fazer bem.

— Então é isso que você está planejando — Jaemin sorriu, tocado. — Sempre pensando em mim.

— Era pra ser surpresa — Jeno riu. — Mas eu sou péssimo em enrolar as pessoas.

— Você é horrível com palavras.

— Nossa, precisava humilhar?

Os dois riram, quebrando um pouco o peso da noite.

— Tá bom — Jaemin disse, enfim. — Eu vou com você. Obrigado por sempre pensar em mim.

— Já virou algo natural — Jeno respondeu, sorrindo sem perceber.

Mas sua mente já estava em outro lugar. Ou melhor, em outra pessoa. Um chinês baixinho, talentoso demais e com um sorriso que insistia em aparecer em seus pensamentos. Precisava conversar com ele. Resolver aquilo. Não queria perdê-lo agora que finalmente entendeu o que sentia.

Gostava dos dois. Era confuso. Mas era a única explicação possível.

[...]

O que eu fiz? Foi burrice matar o Liang. Mesmo tomando cuidado para não deixar digitais, com certeza estou na lista de suspeitos agora. A ideia de arranjar um namorado pra me misturar foi brilhante, mas como ele se atreveu a me cobrar algo? Eu não devia nada a ele. Quase fui pego por culpa dele. Ainda bem que sempre levo minhas luvas. Agora é só agir como se estivesse triste, evitar matar alguém por um tempo… logo vou estar fora de suspeita.

Esses eram os pensamentos dele.

Depois que Mark saiu do quarto, Yangyang se espreguiçou na cama, relaxado. Nunca seria pego. A polícia era fácil de enganar. Olhou para o colega de quarto e riu internamente — aquele gigante era lento, previsível, fácil de manipular. Tinha muita sorte.

[...]

Jeno foi até a faculdade apenas para procurar Renjun. Torcia para encontrá-lo na sala do clube de artes.

E lá estava ele.

O chinês mais talentoso que Jeno já conhecera. O sorriso calmo, o cabelo loiro que parecia natural demais, o moletom azul enorme em seu corpo pequeno. O coração de Jeno bateu estranho.

Será que estava apaixonado?

— Ainda bem — disse ao se aproximar.

— Jeno? — Renjun se surpreendeu. — O que faz aqui?

— Eu preciso conversar com você — disse com firmeza. — Primeiro… me desculpa pelo que aconteceu ontem.

— Tá tudo bem — respondeu, mentindo.

— Me deixa terminar — pediu, respirando fundo. — Eu não estava te iludindo. Eu realmente queria te beijar. Só não era o momento certo. Me desculpa por isso também.

Renjun ainda tentava processar quando Jeno continuou.

— Me desculpa por sempre correr atrás do Jaemin. A vida não tá fácil pra ele, e eu prometi que estaria ao lado dele. Mas… — engoliu em seco. — Eu gosto de vocês dois.

Sentou-se na cadeira mais próxima, sentindo o peso da confissão.

— De nós dois? — Renjun perguntou. — Tem certeza?

— Tenho.

— E o que você pretende fazer? — questionou, apreensivo. — Não dá pra ficar com duas pessoas assim.

— Eu sei. Não vai ser fácil. Mas mesmo que a gente não fique junto como um trisal, eu não quero que nenhum de vocês se afaste. Ainda mais agora, com tudo isso acontecendo. Então… que tal pegar suas coisas e ir pro apartamento?

— Eu vou atrapalhar vocês.

— Eu e Jaemin não somos um casal — Jeno respondeu. — A mesma chance que eu tenho com ele, tenho com você. Nós gostamos um do outro, não gostamos?

— Você está meio agressivo hoje, Lee Jeno — Renjun comentou, sorrindo apesar da confusão.

— Eu cansei de esperar o momento certo — confessou. — Por isso, fiz merda ontem. Mas acho que isso é o certo. O Jaemin também quer que você vá.

— Tem certeza que ele não está só fazendo isso por você?

— Ele não sabe fingir quando não gosta de algo — Jeno sorriu de leve. — Sempre sei o que ele está sentindo.

— Isso parece uma conexão incrível…

— É uma conexão que eu quero ter com você também. Se você quiser.

Renjun ficou em silêncio por alguns segundos.

— Tá bom — disse, enfim. — Vamos pegar minhas coisas.

E, pela primeira vez em dias, Jeno sentiu que talvez estivesse seguindo o caminho certo, mesmo sem saber exatamente onde ele terminaria.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora