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Já eram sete vítimas. Sete nomes, sete histórias interrompidas de forma brutal. Os estudantes seguiam sob a vigilância constante de policiais à paisana, homens impacientes que observavam cada movimento com olhos atentos demais. Ainda assim, a investigação não havia avançado um único passo sólido. Não havia provas, não havia suspeitos concretos - nada que permitisse apontar um culpado sem sombra de dúvida.

Mesmo com o medo pairando no ar, as atividades da faculdade começaram a retornar à normalidade, ao menos na superfície.

Foi em um desses dias que Renjun voltou a fazer o que prometera a si mesmo que não faria mais: entrar escondido no clube de natação. O coração batia acelerado enquanto ele se acomodava discretamente nas arquibancadas, fingindo observar apenas o treino, quando na verdade buscava algo que nem ele sabia nomear.

Não esperava, porém, ser pego no flagra.

- Ora, ora... - a voz grave e divertida soou atrás dele.

Renjun se virou e sentiu o cérebro falhar por alguns segundos.

Jaemin estava ali, usando apenas uma sunga preta, o corpo ainda molhado do treino. A água escorria lentamente por seu peitoral definido, e Renjun odiou a si mesmo por notar o quão absurdamente bonito ele era. Pensou, contra a própria vontade, se o moreno treinava desde a adolescência para ter um corpo daquele jeito.

- O que está fazendo aqui, jovem artista? - Jaemin continuou, exibindo um sorriso descaradamente cafajeste. - Esse treino não é aberto ao público. Veio ver o seu namorado?

- Eu já falei que o Jeno não é meu namorado! - Renjun retrucou rápido demais, sentindo o rosto queimar. Não sabia se era pela acusação ou pelos próprios pensamentos nada inocentes. - Só sou um grande fã de natação.

- Aé? - Jaemin arqueou uma sobrancelha. - Engraçado... eu também sou um grande fã. O Jeno fica muito gostoso depois do treino, todo molhado, todo ofegante...

- Para de falar do Jeno! - Renjun interrompeu, nervoso demais para disfarçar. - Eu não vim ver ele!

Jaemin riu baixo, satisfeito com a reação.

- Então o que está fazendo aqui? Não devia estar treinando? - Renjun tentou mudar de assunto.

- Ultimamente eu tenho me sentido observado aqui no clube - respondeu Jaemin, cruzando os braços. O movimento fez seus músculos se destacarem ainda mais, para o desgosto do autocontrole inexistente de Renjun. - Agora tudo faz sentido. Se não veio ver o Jeno... veio me ver?

- Quanta autoestima.

- Você não negou. - Jaemin se aproximou um passo. - E seu rosto está todo corado. Acha que eu não percebi que você estava praticamente me devorando com os olhos?

- Do que você está falando?! - Renjun tentou recuar, mas não teve tempo.

Jaemin avançou mais um passo, e outro, até que Renjun se viu encurralado entre o corpo quente e forte do moreno e a parede fria ao lado da arquibancada. Era uma cena digna de dorama, e ele odiava o quanto seu corpo reagia a isso.

- Você vai me molhar - reclamou, com a voz baixa demais para soar convincente.

- É essa a sua preocupação? - Jaemin o observou de cima a baixo, o olhar mais sério do que provocador agora. Havia começado como brincadeira, mas algo em Renjun despertava nele uma atração real, inesperada.

- Sai! - Renjun gritou, mais por vergonha do que por raiva.

Empurrou Jaemin com força suficiente para criar distância. O moreno se deixou afastar, percebendo que talvez tivesse ido longe demais. Ainda assim, sorriu ao ver Renjun se afastar apressado, o passo rápido denunciando o caos interno que ele tentava esconder.

Jaemin voltou para perto dos colegas do clube ainda com aquele sorriso bobo no rosto.

- Fugindo do treino, Na Jaemin? - Donghyuck provocou ao vê-lo retornar.

- Nada disso. Só estava me divertindo - respondeu, distraído.

- Credo - o ruivo fez uma careta. - Que sorriso é esse?

- Deixa ele, Hyuck - Sungchan comentou ao se aproximar. - Olha a cara dele. Será que o nosso colega gótico está apaixonado?

- Gótico? - Jaemin franziu o cenho. - Apaixonado? Nem pensar!

- Vamos fingir que acreditamos - Sungchan riu.

Jeno observava tudo em silêncio. O aperto no peito era familiar, incômodo. Não gostava da ideia de Jaemin estar apaixonado - não por outra pessoa. Já entendia seus próprios sentimentos havia tempo demais, mas o medo de se declarar ainda o paralisava.

E se fosse rejeitado?

Perderia o melhor amigo... e talvez até o apartamento onde moravam juntos. Ainda assim, uma parte dele acreditava, quase dolorosamente, que eram feitos um para o outro. Almas gêmeas que só precisavam de coragem.

- O papo está bom, né? - Taeyong surgiu depois de um tempo. - Folga demais já tiveram nesses dias sem atividades. Vamos trabalhar!

- Sim, senhor! - responderam em uníssono, fingindo disciplina militar.

Enquanto Jaemin não conseguia parar de pensar no olhar tímido e provocante de Renjun, Jeno mergulhava cada vez mais fundo no "e se" que se recusava a deixá-lo em paz.

[...]

No time de basquete, o clima era outro.

Yangyang praticamente brilhava ao contar que havia arranjado um namorado. Era seu primeiro relacionamento, e os membros do time reagiram com uma mistura de surpresa e alegria. Ele sempre fora o mascote do grupo - fofo demais para o próprio bem - e aquilo só reforçava essa imagem.

- A gente conhece ele? - Yuta perguntou, curioso.

- Acho que não - Yangyang respondeu, um pouco vago. - Ele não trabalha nem estuda aqui. Trabalha numa biblioteca no centro de Seul.

- Como vocês se conheceram? - insistiu Yuta.

- Vocês sabem que eu amo ler, né? - todos assentiram; era impossível não notar Yangyang sempre com um livro. - Durante a pausa da faculdade, fui procurar um dicionário de alemão que nunca achei na biblioteca daqui. Ele me ajudou... e foi como se fôssemos feitos um para o outro.

O sorriso bobo que surgiu em seu rosto era impossível de ignorar.

- Nossa, que romântico - Taeil comentou.

- Lucas, nem pense em estragar isso - Mark advertiu.

- Ei! Eu nem falei nada! - Lucas se defendeu, embora não acreditasse muito em finais felizes.

- Deixa nosso mascote ser feliz - Chenle brincou, bagunçando o cabelo rosa de Yangyang.

- Eu sou mais velho que você - Yangyang retrucou.

- Mas continua sendo o mascote - Chenle sorriu. - E só temos um ano de diferença.

- Mesmo assim!

- Lá vem... - Mark murmurou.

As discussões sobre idade eram quase tradicionais entre os dois, e só terminavam quando alguém - geralmente Taeil - os mandava treinar.

Com o aumento das medidas de segurança, as aulas e atividades dos clubes passaram a se estender até mais tarde, inclusive nos fins de semana. Ninguém gostou da ideia de ficar preso na faculdade até as oito da noite, mas era o preço a se pagar para tentar manter todos seguros.

Nem todos sabiam resistir ao perigo. E nem todos percebiam quando ele já estava perto demais.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora