.15.

64 8 0
                                        

— Uau… esse clube está bem vazio hoje — Taeyong comentou, observando os dois alunos à sua frente.

— Parece que aconteceu alguma coisa com a dupla dinâmica e o Jaehyun praticamente trancou a faculdade — Donghyuck respondeu, sentado na beira da piscina enquanto balançava os pés na água.

— “Dupla dinâmica”… que jeito criativo de chamar aqueles dois — Sungchan entrou na conversa, rindo de leve. — E agora, o que vamos fazer? Temos poucos membros hoje.

— O de sempre — Taeyong respondeu com firmeza. — Não é porque eles não estão aqui que vamos pegar leve, certo? Principalmente vocês dois. Sungchan, você é alto, tem vantagem. Donghyuck, vai ter que se esforçar em dobro.

— Acabei de ser chamado de baixinho na cara dura — Donghyuck fez uma careta exagerada.

— Dá um tempo, hyung! — Sungchan pediu, rindo.

— Não vão me conquistar com essas carinhas fofas. Vamos, mexam-se!

E assim, o treino começou. Passaram por todos os estilos de nado, começando pelo borboleta — o mais exaustivo — e terminando com o de costas, mais simples, mas ainda exigente. O corpo ardia, os músculos reclamavam, mas a mente precisava se manter focada. Naquele campus, ninguém podia se dar ao luxo de relaxar.

Enquanto isso, em outro ponto da faculdade, alguém ainda procurava obstinadamente por um certo ruivo.

— Vamos, Mark! Nada de desistir agora! — Yangyang tentava animá-lo.

— Existem clubes demais nessa faculdade… — Mark reclamou, ofegante. — Artes, basquete, badminton, idiomas, anime… tem até clube de origami! Eu estou exausto!

— Vai mesmo desistir?

— Não posso! — Mark respondeu quase dramático. — Ele pode ser minha alma gêmea. A forma como ele dançou Billionaire, do Bruno Mars… meu coração quase saiu do peito.

— Certo, certo… — Yangyang riu. — Então vamos continuar. Ainda faltam vários.

Para Yangyang, aquilo parecia uma caça ao tesouro. Para Mark, era uma missão romântica de vida ou morte.

Enquanto alguns membros do clube de basquete aproveitavam a ausência de Taeil para relaxar, Chenle estava, como sempre, no clube de artes. Já Mark e Yangyang seguiam firmes até o próximo destino.

— Para onde agora? — Mark perguntou.

— O clube de natação fica logo ali — Yangyang respondeu.

— Como você sabe onde ficam todos os clubes? — Mark perguntou, genuinamente curioso.

— Tenho amigos em todo lugar — respondeu, coçando a nuca. — E acabei aprendendo enquanto fugia dos treinos de basquete.

Ele corou levemente, constrangido com a própria confissão.

— Impressionante — Mark comentou.

Entraram no clube com cuidado. O espaço era enorme, com a piscina ocupando quase todo o ambiente. Taeyong os notou rapidamente e se aproximou.

— Boa tarde, meninos. Em que posso ajudar?

— Estamos procurando uma pessoa — Yangyang respondeu primeiro. — Tem algum ruivo aqui?

— O Donghyuck — Taeyong respondeu. — Ele foi ao banheiro. Por quê?

— Ele esqueceu algo na sala — Mark mentiu, sem pensar muito. — Viemos entregar.

— Certo… — Taeyong disse, observando ao redor. — Ele já deve estar voltando. Ah, ali está ele. Hyuck!

Donghyuck saiu do vestiário distraído, usando uma touca que escondia o cabelo.

— Hã? — respondeu, assustado ao ouvir seu nome.

— Eles disseram que você esqueceu algo na sala. Resolve isso rápido e volte pro treino — Taeyong disse, já se afastando.

— Obrigado por trazerem… mas o que foi que eu esqueci? — Donghyuck perguntou, retirando a touca.

Foi nesse instante que o coração de Mark disparou.

O cabelo ruivo, o rosto delicado, o corpo magro… tudo fez sua memória voltar imediatamente para a pista de dança, para a música, para aquele momento que parecia inesquecível só para ele.

— Deixo isso com você, amigo! — Yangyang deu um tapinha em suas costas e saiu quase correndo.

Merda. O que eu falo?
Ele pensava rápido demais e, ao mesmo tempo, não pensava em nada. Sabia o nome dele. Sabia onde ele treinava. Sabia que era lindo. E agora ele estava ali, olhando para Mark, esperando que dissesse alguma coisa.

— Você está bem? — Donghyuck perguntou, confuso. — Seu rosto está vermelho.

— E-estou… — Mark engoliu em seco. — Você esqueceu isso.

Ele quase entregou o próprio celular, só para acabar logo com aquele constrangimento.

— Isso não é meu — Donghyuck respondeu, franzindo a testa. — Acho que você se enganou.

— Ah… me desculpa! — Mark estava suando. Mas não podia deixar aquilo acabar assim. — Na verdade… esse celular é meu. Eu só… queria pedir seu número, Donghyuck.

— O quê? Por quê?

Donghyuck era ótimo entendendo a vida amorosa dos outros. A própria, no entanto, era um completo mistério.

— Eu sou o Mark — ele falou, tentando sorrir. — A gente dançou Billionaire, do Bruno Mars, naquela festa no começo do ano.

— Bruno Mars? — Donghyuck arregalou os olhos. — Minha música favorita! Foi muito divertido!

— Você se lembra de mim? — Mark perguntou, esperançoso.

— Não… me desculpa. Faz muito tempo.

Mentira. Donghyuck se lembrava perfeitamente. Apenas não gostava do rumo que aquilo estava tomando.

— Tudo bem — Mark respondeu, tentando não demonstrar a decepção. — A gente pode se conhecer de novo, certo?

— Tá bom… — Donghyuck pegou o celular e digitou o número. — Mas eu preciso voltar pro treino.

— Claro! Me desculpa por tomar seu tempo — Mark disse rapidamente. — Até depois!

Saiu dali com o coração leve, quase flutuando.

Donghyuck, por outro lado, ficou parado por alguns segundos, encarando o nada. Não queria nenhum envolvimento amoroso naquele momento. E mesmo assim… algo naquela abordagem o deixou inquieto.

— Conseguiu? — Yangyang perguntou do lado de fora.

— Consegui — Mark respondeu, sorrindo.

— Aí sim! Vamos voltar pro clube agora?

— Vamos… — a animação dele diminuiu de repente.

— O que foi?

— Preguiça.

Os dois riram.

O dia estava chegando ao fim. Mais uma vida havia sido perdida naquela manhã. Mais um anúncio ecoou pelos alto-falantes. Mais seguranças foram contratados. E a polícia, finalmente, ganhou um novo aliado.

Notícia anunciada no campus:

“Recebemos um comunicado direto da polícia. Um vídeo será exibido agora.”

Na tela, um homem de terno preto apareceu. Cabelo longo penteado para trás, expressão séria, olhar firme.

— Para os alunos da faculdade — sua voz era segura. — Estou me juntando à equipe responsável por este caso. Meu nome é Na Yejun, investigador da polícia central de Seul. Tenho experiência com esse tipo de crime e prometo que vou livrá-los deste pesadelo.

Não havia hesitação em sua postura. Nem na voz, nem no olhar.

E, pela primeira vez em dias, muitos alunos sentiram que talvez… só talvez… estivessem finalmente seguros.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora