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— O quê…? — foi tudo o que Jeno conseguiu dizer.

Por longos minutos, ficou apenas encarando Renjun, tentando entender se havia escutado direito. O silêncio entre eles parecia pesado demais, carregado de tudo o que não sabia como responder.

— Eu acho que te amo — Renjun repetiu, a voz baixa, o rosto completamente corado. — Mesmo que você me rejeite… eu precisava dizer.

Desviou o olhar para a pintura, o que só piorou a vergonha. Ali estava o mesmo rosto que fazia seu coração bater mais rápido, agora transformado em arte.

— Como… assim — Jeno murmurou, ainda atordoado.

Sentou-se novamente, sentindo o rosto quente, o coração acelerado e a mente confusa demais para organizar pensamentos. Sentia-se péssimo. Não tinha coragem de rejeitar Renjun, mas também não conseguia ignorar o que sentia por Jaemin.

— Não estou dizendo isso para te apressar — Renjun completou, levantando-se e começando a guardar suas coisas. — Pode me responder quando quiser.

— Espera — Jeno falou rápido, levantando-se também. — Eu não posso deixar você sentir isso por mim sem nenhuma resposta.

Respirou fundo.

— Eu gosto do Jaemin. Sou muito grato pelos seus sentimentos, de verdade… mas não posso aceitá-los.

Renjun ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse absorvendo cada palavra.

— Está tudo bem — disse, por fim. — Eu já imaginava. Só queria que você soubesse.

Jeno não encontrou palavras. Em vez disso, aproximou-se e o envolveu em um abraço cuidadoso, passando a mão lentamente por suas costas.

— Eu sei que é estranho ouvir isso de quem acabou de te rejeitar — disse com sinceridade —, mas você é incrível. Tem algo em você que brilha… eu não sei explicar.

— Para com isso — Renjun reclamou, tentando soar firme. — Eu não vou chorar na sua frente.

Mesmo assim, retribuiu o abraço, apertando-o um pouco mais. Queria guardar aquele momento, mesmo sabendo que era o fim de algo que nunca chegou a começar.

— Já te disseram que você é gentil demais? — perguntou, a voz baixa.

— Não — Jeno sorriu, meio sem jeito. — Acho que é a primeira vez.

— Vai me abraçar por quanto tempo?

— Pelo tempo que eu quiser — respondeu, antes de se corrigir. — Quer dizer… se você permitir.

— Idiota — Renjun sorriu, sentindo o peito apertar. — Vai embora. Está ficando tarde, e você não mora no dormitório.

— Você tem razão — Jeno concordou. — O Jaemin está me esperando.

— Ele te leva pra casa?

— A gente divide um apartamento.

Jeno hesitou antes de dizer isso, mas achou que devia ser honesto. Renjun assentiu, mesmo que aquela informação doesse mais do que gostaria de admitir.

— Entendi.

— Até amanhã — Jeno disse, se afastando. — Obrigado pelos biscoitos. Estavam muito bons.

Antes de sair, inclinou-se e deixou um beijo leve na testa de Renjun.

— Ele é inacreditável… — Renjun murmurou sozinho, interrompendo-se antes de xingar. Estava irritado por Jeno ser tão gentil e consigo mesmo por sentir ciúmes de alguém que gostava de outra pessoa.

Ainda havia um longo caminho até alcançar seus próprios objetivos. Às vezes, temia não conseguir nada antes que o perigo que rondava a faculdade resolvesse se aproximar. Talvez fosse apenas pessimismo. Talvez o monstro nem estivesse interessado nele.

[...]

Donghyuck não queria namorar. Estava aproveitando a vida universitária como podia, mas seus planos eram constantemente ameaçados por um canadense insistente demais.

— Vamos — Mark insistia. — Os veteranos vão dar um jeito de fugir pra fazer uma festa depois da semana de provas.

— Com um assassino em série solto por aí? Nem pensar.

— É só ficar perto de mim — respondeu, confiante. — Eu te protejo.

— Cara… — Donghyuck desviou o olhar, envergonhado. — Para com isso.

— Você vai se acostumar comigo.

— Eu preciso me acostumar?

— Precisa — Mark sorriu. — Você não vai se livrar de mim tão cedo.

Fingiu não se abalar com as recusas, mas doía mais do que deixava transparecer.

— Vai comigo — pediu. — Não vai ser divertido sem você.

— Tem certeza? E aquele seu amigo que veio me procurar?

— Ele namora, e eu não gosto dele assim — respondeu rápido. — Eu só quero dançar com você.

Donghyuck suspirou.

— Você vai desistir se eu continuar recusando?

— Não — Mark respondeu, sorrindo daquele jeito que sempre o desarmava. — Vou te deixar louco.

— Tá bom — Donghyuck cedeu, cansado de resistir. — Mas você vai ser meu guarda-costas a noite toda.

— Só isso? — Mark abriu um sorriso enorme. — É o acordo mais fácil da minha vida.

— Eu moro no dormitório do curso de Direito.

— Um estudante de Direito… tão inteligente.

— Não vai me conquistar só com elogios.

— Eu sei — Mark respondeu. — Estou tentando conquistar o melhor dançarino de Bruno Mars.

Segurou o impulso de tocar seu rosto.

— Te busco às sete.

— Tá bom — Donghyuck respondeu, fingindo indiferença, mesmo já se sentindo animado.

A semana de provas passou arrastada. Em todos os cantos, alunos estudavam, como se o campus estivesse em uma estranha calmaria. Parecia fácil demais esquecer os que haviam morrido.

Mas o terror de viver ao lado de um assassino nunca desaparecia por completo. Ele apenas esperava o momento certo para voltar à superfície.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora