Chenle não conseguia evitar dar uma “passadinha” no clube de artes todos os dias. Era quase um hábito inconsciente. Desde a noite da festa — aquela que ainda insistia em morar em sua memória — ele sempre arranjava um motivo para aparecer ali e ver Jisung. Às vezes trocavam apenas um olhar, outras vezes algumas palavras rápidas, mas aquilo já era suficiente para aquecer seu peito. Ainda assim, aquela noite parecia ter acontecido há anos, mesmo tendo se passado apenas alguns meses.
— Seu namorado não vem hoje? — Renjun provocava sempre que tinha oportunidade.
— Que namorado? — respondeu automaticamente, sem perceber o rumo da conversa.
— O jogador de basquete.
— Chenle?
— Olha só… — Renjun sorriu de lado, malicioso. — Já estão se chamando pelo primeiro nome.
— Quer que eu fale do seu crush vergonhoso no Jeno? — rebateu sem pensar duas vezes.
— Não. Cala a boca.
Jisung riu com a troca de provocações. No fundo, havia algo reconfortante em acompanhar Renjun até o clube de natação; aquilo os aproximara mais do que ele imaginava.
— Quando você vai contar o que sente? — Jisung perguntou de repente, em um tom mais sério.
— Por que todo mundo me pergunta isso? — Renjun reclamou, cruzando os braços. — Só porque eu gosto dele não quer dizer que eu tenha que contar como me sinto.
— Você percebe o que está acontecendo ao nosso redor? — Jisung continuou. Ele notou quando Renjun respirou fundo, já esperando um sermão. — Pessoas estão sendo assassinadas. Gente que talvez nunca tenha dito o que sentia para quem amava. E você está desperdiçando um tempo precioso.
Renjun piscou, pego de surpresa.
— Caramba… quanta filosofia do nada.
— Não é do nada — Jisung respondeu, sério. — Eu tenho pensado muito nisso ultimamente. E você também deveria.
Depois daquela conversa, a mente de Renjun não conseguiu mais ficar em silêncio. A ideia de como a vida era curta e frágil o perseguiu durante o dia inteiro. Qualquer universitário ali podia estar correndo perigo por causa de alguém que caminhava pelos corredores fingindo normalidade, como se seus crimes não significassem nada. Jisung tinha razão. Ele não podia continuar guardando seus sentimentos daquele jeito. Precisava contar a Jeno. Precisava dizer que gostava dele, ou corria o risco de morrer sem que ele jamais soubesse.
[…]
Yuta estava fazendo algo que não contou a ninguém.
Desde que Winwin foi assassinado pelo serial killer do campus, ele não conseguira retomar sua vida normalmente. Fingir que estava bem diante dos colegas se tornara um ato automático, mas por dentro a dor nunca diminuía. Sentia falta de Winwin de forma quase desesperadora, mesmo sabendo que era impossível trazê-lo de volta. Foi então que decidiu que faria a única coisa que lhe restava: vingaria sua morte descobrindo e denunciando o assassino.
Investigava sozinho, em silêncio. E agora entendia por que a polícia estava tão nervosa. Não havia provas, não havia pistas. Era assustador perceber o quão minucioso alguém podia ser ao cometer crimes tão brutais.
— Yuta! Bom dia — Yangyang chegou ao clube após as aulas, sorrindo.
— Bom dia, Yang — respondeu, esforçando-se para sorrir de forma convincente, como vinha fazendo há meses.
— Chegou aqui que horas?
— Faz alguns minutos — respondeu de forma vaga. — Minhas aulas terminaram mais cedo, resolvi treinar um pouco sozinho. O treinador ainda não chegou. Os outros devem aparecer logo.
— Hum… tá bom. Vou me trocar.
Yuta teve a sensação incômoda de que sua explicação não havia convencido totalmente Yangyang, mas não podia voltar atrás agora. Respirou fundo e voltou a treinar seus arremessos. Com o tempo, os outros membros chegaram e a quadra se encheu de vozes e risadas. Taeil ainda não havia aparecido, ocupado com suas aulas como professor, então Chenle ficou responsável por supervisionar o treino.
— Vocês precisam ser mais rápidos! — Chenle reclamou. — Yuta! Johnny! Sei que vocês já estão ficando velhos, mas dá pra correr um pouco mais!
— Quê?! — Yuta parou, lançando-lhe um olhar irritado.
— Eu tô brincando! — Chenle riu, divertindo-se com a reação.
Apesar das provocações, o basquete era uma das poucas coisas que ajudavam Yuta a afastar a saudade constante de Winwin. Chenle, surpreendentemente, era ainda mais rigoroso do que o treinador, talvez empolgado demais por estar liderando o time ou confiante demais em suas próprias habilidades.
— Não vai sair correndo pra ver seu namoradinho no intervalo? — Yuta provocou.
— Hoje não — Chenle cruzou os braços, sorrindo. — Quero que ele sinta saudade.
O sorriso carregava uma certeza silenciosa. Ele acreditava já ter conquistado Jisung, não precisava mais correr atrás dele como antes.
— Você é incrível — Johnny entrou na provocação.
— Até você, Johnny? — Chenle fingiu estar ofendido, arrancando risadas. — Aquele fofinho já é meu.
— Quanta confiança — Mark comentou, sorrindo, embora sentisse uma pontada de inveja ao lembrar do ruivo que dançara tão bem sua música favorita do Bruno Mars na festa.
— E você? Quando vai namorar? — Chenle perguntou sem maldade. — Fica babando por alguém que viu uma vez e não fica com ninguém.
— Se ele estava na festa, deve estudar aqui — Mark pensou em voz alta. — Talvez seja do clube de dança… ele dançava muito bem.
— Então por que a gente não dá uma volta pra procurar ele? — Chenle sugeriu. — Nesse horário deve estar em algum clube, não tem aula agora.
— Mark, ele só quer sair pra ver o namorado — Johnny riu.
— Eu sei, mas ainda é uma boa ideia — Chenle respondeu rápido demais. — E o Taeil não está aqui.
— Ele vai ficar bravo se descobrir — Yuta alertou.
— Não acho que ele descubra — Yangyang comentou. — Não é como se tivesse câmera aqui.
— Mas tem câmera em praticamente toda a faculdade — Lucas reclamou. — Nem dá pra ficar com alguém no sigilo, fora os fofoqueiros.
— Quem você queria esconder, hein? — Chenle provocou.
— Ninguém que você conheça, provavelmente — Lucas respondeu de forma vaga.
— Seu chato.
— Bom — Chenle passou o braço pelos ombros de Mark, sorrindo de lado. — Eu e meu amigo vamos procurar o crush dele da festa.
— Claro, fingimos que acreditamos, Zhong Chenle — Yuta brincou. — Aposto que vai largar o Mark em algum clube e correr atrás do Jisung.
— Não vou comentar nada sobre isso — Chenle respondeu, fingindo não ouvir.
Mas todos sabiam.
E ele também.
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change | norenmin
FanficOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
