Notícia:
Como já informado anteriormente, se você é um jovem do sexo masculino, magro, bonito e alto, permaneça em locais seguros e movimentados.
Os jornais continuavam repetindo o mesmo aviso após a confirmação da quarta vítima. A sensação era de que aquelas palavras já não serviam mais como alerta — eram apenas um lembrete cruel de que ninguém estava realmente seguro.
A direção da faculdade tomou medidas extremas. Os portões foram fechados. Alunos que moravam nos dormitórios passaram a ter toque de recolher, enquanto aqueles que viviam fora precisavam justificar cada saída. A liberdade universitária havia sido substituída por medo.
— Como é bom ter um motorista particular — Jeno comentou, tentando soar descontraído ao chegar à sala do clube de natação.
— Parece que perdeu o medo da minha moto — Jaemin respondeu com um sorriso leve, mas atento demais ao redor.
— Eu consigo aturar — Jeno fez uma careta divertida, que fez o coração de Jaemin acelerar sem aviso.
— Ele atura porque tem… — Donghyuck começou, mas foi interrompido quando Jeno rapidamente cobriu sua boca.
— Mais uma palavra e eu te afogo — sussurrou, fingindo brincadeira.
— Isso é normal? — Jaemin perguntou a Jaehyun, confuso.
— Mais do que você imagina — Jaehyun respondeu com um sorriso cansado. — Vai ter que se acostumar.
Taeyong chamou a atenção de todos enquanto se trocavam.
— Algum de vocês mora fora dos dormitórios?
— Eu e o Jeno — Jaemin respondeu.
— Então estão dispensados do treino de hoje. Passem na secretaria para pegar a permissão de saída. A partir de agora, os portões estarão fechados — explicou, com a expressão séria demais para alguém que costumava brincar com os alunos.
Os dois voltaram a vestir roupas normais e saíram juntos, mochilas nas costas.
— O que vamos fazer agora? — Jeno perguntou.
Jaemin passou pelo pátio e parou ao ver novamente o quadro pendurado.
— Meu amigo… — um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.
— O quê? — Jeno estranhou.
— Você já viu esse quadro? — Jaemin o puxou pela mão. — Bonito, né?
— É — respondeu, mais focado no toque do que na pintura.
— Não parece familiar pra você?
Jeno analisou melhor a obra, mas balançou a cabeça.
— Não… nunca tinha visto.
Ele é muito lerdo, Jaemin pensou, frustrado.
— Esquece. Vamos embora.
— Ei, o que foi? — Jeno apressou o passo atrás dele.
— Nada. Só quero resolver logo isso e ir pra casa.
De longe, qualquer um poderia pensar que eram um casal brigado.
Enquanto isso, no campus, os alunos montavam um pequeno altar para homenagear os colegas mortos. Velas, flores, bilhetes com lágrimas borradas. Alguns começaram a acreditar que o pesadelo havia acabado — já fazia uma semana sem notícias.
Outros, em silêncio, sentiam algo diferente: uma espera doentia.
E estavam errados em acreditar que havia terminado.
[...]
Notícia:
Dois jovens foram encontrados mortos nesta madrugada dentro do dormitório do curso de Direito. Um terceiro estudante está em coma após um confronto com o agressor.
Jungmin, de apenas 19 anos, dormia quando foi atacado. Há sinais de luta, indicando que acordou e tentou resistir, mas não sobreviveu à violência do ataque.
Sungchan, de 21 anos, provavelmente acordou com o barulho e tentou reagir, mas foi brutalmente ferido. Ele não resistiu aos ferimentos.
Doyoung, do quarto ao lado, deve ter ouvido algo estranho. A porta estava destrancada, como sempre ficava. Ele entrou — e se tornou a próxima vítima. Foi encontrado gravemente ferido e está em coma. Seu estado é crítico.
A cena encontrada pela polícia foi descrita como uma das mais perturbadoras já vistas.
O campus mergulhou em pânico absoluto.
Como alguém entrou com a segurança reforçada?
Como ninguém viu nada?
Como ainda não havia suspeitos?
Aulas e atividades foram suspensas. Os alunos estavam proibidos de sair de seus quartos, exceto em casos extremos.
Renjun e Donghyuck tremiam. Tudo havia acontecido a poucos quartos de distância. Se o assassino tivesse caminhado um pouco mais, poderia ter sido eles.
Além do medo, o luto agora fazia parte da rotina.
— Meu Deus… o Doyoung… — Jaehyun chorava sem conseguir se controlar. — Eu nem posso ver ele…
— Respira — Mark tentou acalmá-lo, mantendo certa distância.
— Respirar? — Jaehyun gritou, a voz quebrando. — Ele pode ir atrás do Doyoung no hospital!
Ele socou a parede com força. A mão sangrou, mas ele não sentiu nada.
— Eu vou fugir daqui — disse, decidido. — Não vou deixar ele sozinho.
— Você enlouqueceu? — Mark se levantou rapidamente. — Você está no segundo ano! Se fizer isso, vai ser expulso!
— Mas, Mark…
— Ele não está sozinho — disse com firmeza. — Ele está sob proteção policial. Os pais dele estão lá.
Quando percebeu que Jaehyun não reagiria com violência, Mark pousou a mão em suas costas.
— Eu não aguento ficar aqui enquanto ele está lá… — Jaehyun caiu de joelhos, soluçando.
— Eu sei — Mark respondeu baixo, lutando para não chorar também.
Aqueles meses seriam lembrados como um dos períodos mais sombrios da história da faculdade.
E ninguém ali sairia ileso.
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change | norenmin
Fiksyen PeminatOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
