Jaemin decidiu preparar ao menos um pouco de arroz e carne, algo simples, mas que fugisse do excesso de besteiras industrializadas. Cuidar dos outros vinha de forma natural para ele, quase instintiva. Quando os convidados começaram a chegar, o cheiro de comida caseira já havia se espalhado por todo o apartamento, envolvendo o ambiente em uma sensação acolhedora.
— Que cheiro é esse? Carne? Vocês estão cozinhando? — Donghyuck perguntou assim que entrou.
— O Jaemin está cozinhando — respondeu Jeno, com um sorriso que já antecipava a reação do amigo.
— Ele sabe cozinhar?! — o ruivo arregalou os olhos, como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo.
— Sabe, sim — Jeno riu da expressão surpresa. — E cozinha muito bem.
— Essa eu não esperava. Onde ele está?
— Provavelmente… na cozinha? — respondeu de forma retórica, deixando clara a obviedade da pergunta.
Donghyuck riu de si mesmo.
— Vou ver se consigo beliscar alguma coisa — disse, sorrindo como uma criança travessa enquanto seguia o cheiro.
— Ele vai te bater — Jeno alertou.
— Vai nada.
Donghyuck seguiu até a cozinha, onde Jaemin mexia a carne na panela, concentrado, como se nada mais existisse ao redor.
— Daqui a pouco ele aparece dizendo que apanhou — comentou Jeno, balançando a cabeça.
— Lee Jeno dando uma festa… — Mark brincou, provocando o amigo.
— O apartamento é do Jaemin, então a festa é dele — respondeu, sem se deixar afetar.
— Mas você mudou muito desde que se conheceram. Está indo a todas as festas da faculdade e quase não te vejo com um livro — continuou Mark. — E as notas?
— Continuam as mesmas, mãe — Jeno retrucou, revirando os olhos. — Está tudo bem, a gente estuda junto.
— Que bom — respondeu Mark. Mesmo tentando se conter, ainda agia como o mais velho do grupo.
Enquanto isso, Renjun conversava com os mais novos.
— Não acredito que você conseguiu tirar o Jisung daquele dormitório.
— Ei! Não fala como se eu não estivesse aqui! — Jisung reclamou.
— Ele faz tudo o que eu mando — Chenle disse, ignorando completamente o protesto.
— Chenle… — Jisung murmurou, envergonhado, porque no fundo sabia que era verdade.
Renjun os observou por um instante, quase fazendo uma pergunta que acabou engolindo. Se eles estivessem namorando, contariam quando se sentissem prontos.
— Estão com fome? — mudou de assunto.
— Eu não estava, mas esse cheiro está fazendo meu estômago roncar — respondeu Chenle.
— Vamos ver se ele já terminou.
Quando se viraram em direção à cozinha, Donghyuck estava saindo de lá, massageando o ombro direito.
— O Jeno tinha razão…
— Eu avisei — Jeno riu. — Ele não gosta que mexam nas panelas quando está cozinhando.
— Ele veio pra cima de mim com uma colher! — Donghyuck reclamou, arrancando risadas.
— Prometo não fazer de novo — disse, fazendo uma careta dramática, como se fosse chorar.
Jaemin apareceu logo depois, segurando a colher como se ainda estivesse pronto para defender sua comida.
— Está tudo bem agora. Já terminei. Estão com fome?
— Oba! — Chenle foi o primeiro a correr até a mesa.
Todos haviam imaginado uma festa informal, com bebidas espalhadas pela sala e conversas soltas, mas Jaemin, sem perceber, transformou aquele momento em algo familiar. Em cada gesto, em cada prato servido, ele mostrava o quanto se sentia em casa com aquelas pessoas.
— Obrigado pela comida — disseram em coro antes de começarem a comer.
Não era nada elaborado, mas o significado daquela refeição era profundo. Eram estudantes de direito, administração e contabilidade dividindo a mesma mesa, rindo juntos, compartilhando algo simples como se fossem uma família improvisada.
Depois do jantar, todos se reuniram na sala para maratonar filmes antigos, bebendo e beliscando salgadinhos. As risadas ecoavam a cada piada datada dos anos 2000, até que, inevitavelmente, surgiram os jogos de bebida. Em qualquer festa universitária, eles eram quase obrigatórios, e o beer pong foi o primeiro escolhido.
— O Jisung não é muito atlético nem aguenta bebida — provocou Chenle. — Vai se dar mal.
— Por que eu não seria bom em esportes? — Jisung rebateu.
— Estou presumindo. Nunca te vi fazer nada além das atividades do clube de artes.
— Mas eu consigo…
— Ok, chega, casal. Vamos jogar! — Donghyuck interrompeu, claramente querendo deixá-los constrangidos.
— Casal? A gente não está namorando — Jisung respondeu rápido demais, vermelho até as orelhas.
— Aham — Donghyuck respondeu, com um olhar claramente descrente.
Organizaram os copos em formato de setas nas duas extremidades da mesa de jantar e os encheram com uma vodka sabor maracujá, escolha de Jaemin para começar de forma mais leve.
— Vamos decidir os times. Os líderes serão Chenle e Jeno — anunciou Mark.
— Eu? Por quê? — Jeno perguntou, confuso. — O Chenle faz sentido, ele é do time de basquete, mas eu?
— Porque a outra opção seria eu, e eu não quero — Mark respondeu com um sorriso convencido.
— Vamos logo! Vocês falam demais! — reclamou Renjun.
Dividiram-se em dois times, e Mark assumiu o papel de juiz para não desequilibrar o jogo. Ele observava tudo com um olhar quase paternal, como alguém assistindo crianças se divertirem.
Chenle errava mais do que se esperaria de um jogador de basquete, enquanto, para surpresa geral, Jisung acertava quase todas as jogadas, provavelmente beneficiado pela altura.
— Você estava escondendo esse talento do mundo? — Renjun comentou, já um pouco bêbado depois de alguns copos. — Devia entrar pro time de basquete!
— Não — Chenle respondeu rápido. — Ele já treinou comigo. É péssimo.
— Mesmo sendo alto? — Donghyuck perguntou.
— Basquete exige treino e habilidade, não só altura — explicou Chenle.
— Diz o especialista — Mark brincou.
O jogo terminou com a vitória apertada do time de Chenle, graças a Jisung. Antes mesmo das onze da noite, todos já estavam bêbados demais para continuar. Decidiram então jogar algumas partidas normais de Uno, sem bebida, para tentar recuperar a sobriedade.
Dizem que Uno pode destruir famílias, mas com eles aconteceu o oposto. Como não se aproximar ainda mais depois de zoarem Mark por ser péssimo no jogo? Entre risadas, provocações e pequenas discussões, a bebida foi perdendo o efeito.
Quando o jogo acabou, estavam sóbrios demais para continuar bebendo, mas cansados demais para qualquer outra atividade. Apesar de terem planejado muito mais, acabaram se ajeitando pela sala e dormindo todos juntos, espalhados entre sofás, almofadas e cobertores, com a sensação reconfortante de pertencimento aquecendo o silêncio da madrugada.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
