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Mark não sabia o que fazer.

Parte dele queria atravessar o campus e bater à porta do quarto de Yuta, sentar ao seu lado em silêncio, mesmo que fosse apenas para lembrar que ele não estava sozinho. A outra parte, porém, respeitava o pedido do amigo para ficar isolado, afundado na própria dor. Winwin ainda nem sequer havia sido enterrado — seu corpo permanecia sob custódia para a autópsia, enquanto os pais viajavam da China para se despedirem do filho aventureiro que jamais voltaria para casa.

A espera tornava tudo ainda mais cruel.

Enquanto alguns tentavam lidar com o luto, outros tentavam ignorá-lo à força.

No clube de natação, a semana da competição finalmente havia chegado, e a tensão era quase palpável. Cada respiração parecia pesada demais, cada batida do coração era acelerada demais. Mesmo assim, houve uma surpresa inesperada.

Jaemin.

Apesar de ser membro há apenas uma semana, sua habilidade e velocidade eram inegáveis. O treinador não teve escolha senão incluí-lo na equipe oficial.

— Isso é muito raro de acontecer — Jeno disse, sendo o primeiro a se aproximar. — Meus parabéns.

— Obrigado! — Jaemin respondeu com um sorriso largo, genuíno, daqueles que iluminavam o rosto inteiro.

Naquele momento, porém, seu celular vibrou novamente em sua mão. Ele lia mensagens de Daeyoung, amigo de Jisung que procurava um lugar para morar, mas que acabara desistindo e decidiu ficar com um parente. O brilho em seus olhos diminuiu quase imperceptivelmente.

— O que foi? — Jeno percebeu na hora.

— A pessoa que ia dividir o aluguel comigo cancelou — Jaemin suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Preciso encontrar alguém rápido… não consigo pagar tudo sozinho este mês.

— Você mora de aluguel? — Jeno perguntou.

— É… um apartamento pequeno.

Jeno pensou por alguns segundos, o coração batendo um pouco mais rápido do que deveria.

— Acho que eu poderia dividir o aluguel com você.

Jaemin arregalou os olhos.

— O quê?

— Meu dormitório está lotado — ele deu de ombros, fingindo casualidade. — Eu já estava pensando em sair de lá mesmo.

— Isso é… — Jaemin sorriu, surpreso. — Muito bom! Mas você não quer ver o apartamento antes?

— Não pode ser pior que o dormitório — Jeno riu.

Antes que pudessem dizer mais alguma coisa, a voz firme de Taeyong ecoou pela piscina.

— Ei! O que vocês dois estão fazendo aí? Para a fila! Quero Jaemin no dois e Jeno no um. Agora!

O treino seguiu intenso. No fim, a equipe ficou em segundo lugar — rápidos, determinados, mas ainda assim superados por um time mais experiente. Mesmo assim, havia orgulho nos olhos de todos.

No dia seguinte, a faculdade amanheceu em silêncio.

As atividades foram suspensas. A diretoria precisava pensar em maneiras de proteger os alunos daquele possível serial killer que rondava a instituição como uma sombra invisível. A orientação era clara: fiquem em casa, fiquem nos dormitórios, não saiam.

Jeno resolveu tudo rapidamente. Oficializou sua saída do dormitório e, algumas horas depois, encontrou Jaemin do lado de fora da faculdade, sentado em sua moto.

— É seguro andar nisso aí? — Jeno perguntou, desconfiado.

— Ela nunca me fez mal — Jaemin brincou.

— Ela? Tem nome?

— Nome… — ele pensou por um instante. — Lucille. Não sou muito criativo.

— Você roubou o nome do taco do Negan em The Walking Dead.

— Você assistiu? — Jaemin abriu um sorriso enorme.

— Claro! Melhor série de zumbis já feita.

— Nossa… casa comigo — ele riu. — Só vai levar isso tudo?

— É tudo o que eu tenho — Jeno deu de ombros, segurando uma mochila grande e uma mala pequena.

— Me dá a mochila.

— Tá louco? Você vai pilotar isso aí!

— Confia em mim.

Depois de alguma resistência, Jeno cedeu. Jaemin colocou a mochila à frente do corpo.

— A mala vai entre nós dois. Agora sobe e segura firme.

— Ai, meu Deus… — Jeno obedeceu, abraçando a mala com um braço e segurando Jaemin com o outro.

— Olha o seu tamanho pra ter medo de moto.

— Olha o tamanho dela! Qual a velocidade máxima?

— Cento e setenta.

— Nem brinca!

— Não vou forçar a Lucille — Jaemin riu antes de dar partida.

O trajeto foi surpreendentemente tranquilo. Jaemin pilotava com cuidado, atento às ruas movimentadas de Seul. Quando chegaram, Jeno respirou aliviado.

— Chegamos.

— Até que é bonito — Jeno admitiu.

— Eu falei pra você olhar antes de aceitar.

— Eu gostei. Sou simples — respondeu, convencido.

— Tem duas camas de solteiro. A minha é a da parede — Jaemin avisou. — Odeio acordar com o sol na cara.

Ele largou as chaves e se jogou no sofá.

— Fique à vontade. Você mora aqui agora.

— Obrigado… eu acho — Jeno respondeu, tímido, indo desfazer suas malas.

Mais tarde, ele descobriria que havia ganhado na loteria: Jaemin cozinhava absurdamente bem. Nada no apartamento parecia suspeito — pelo contrário, era limpo, organizado e acolhedor. Seus preconceitos caíram um a um.

Infelizmente, nem todos tiveram a mesma sorte.

Naquela mesma noite, apesar dos avisos, um aluno decidiu sair para uma balada. O serial killer o encontrou.

Notícia:
O jovem Ryo, estudante de direito, de 19 anos, foi encontrado morto nesta madrugada após uma noite na balada. A polícia investiga a possibilidade de uma série de assassinatos cometidos pela mesma pessoa. As cenas são descritas como igualmente horrorizantes e indicam um possível padrão.

Se você é jovem, magro e bonito, evite andar sozinho à noite. Protejam uns aos outros e não tentem fazer o trabalho da polícia.

O medo voltava a se espalhar pelo campus.

E, em algum lugar, alguém sorria no escuro.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora