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Foi extremamente difícil para Jaemin relatar tudo o que havia sofrido durante aqueles quatro anos. Cada palavra parecia rasgar algo dentro dele. Para Jeno — e até mesmo para os policiais — era quase impossível aceitar que alguém fosse capaz de cometer tais atrocidades contra o próprio filho.

Jeno permaneceu em silêncio durante todo o depoimento, observando, ouvindo, sentindo o peso de cada detalhe. Também foi questionado, mas tudo o que sabia era o que Jaemin lhe contara naquela manhã.

— Como você está se sentindo agora? — Jeno perguntou com cuidado enquanto esperavam sentados em frente à recepção, depois que todos os procedimentos haviam terminado.

— Eu… não sei o que sentir — Jaemin respondeu com a voz baixa. — Estou aliviado por finalmente ter contado tudo e sou grato por você ter me ajudado a criar coragem, mas… — ele engoliu em seco. — Ao mesmo tempo, me sinto o pior filho do mundo por estar denunciando minha própria mãe.

Ele escondeu o rosto nas mãos, tentando conter o choro, mas seus ombros tremiam com os soluços.

— Droga… eu não consigo parar de chorar…

— Está tudo bem — Jeno disse suavemente, puxando-o para um abraço. — Você está seguro agora. Ninguém mais vai te machucar.

Ele permaneceu ali, segurando Jaemin, até que um policial se aproximou e avisou que eles estavam liberados. Explicou que os próximos passos ficariam sob responsabilidade da polícia e aproveitou para perguntar sobre a faculdade que frequentavam, além de questionar se tinham alguma informação relevante sobre o caso do assassino em série.

No caminho de volta para casa, Jeno avisou que nenhum dos dois iria à faculdade ou ao clube naquele dia. Taeyong compreendeu imediatamente e garantiu que cuidaria para que não sofressem nenhuma penalidade depois.

Durante todo o trajeto, Jaemin permaneceu em silêncio. Aquela quietude era estranha, quase assustadora. Jeno queria dizer algo, animá-lo, mas sabia que não era o momento. Tudo o que Jaemin precisava agora era apoio — e Jeno estava decidido a não lhe negar isso.

[...]

— Jisung! — Chenle apareceu mais uma vez no clube de artes. — O que você está fazendo?

— Desenhando — Jisung respondeu sem tirar os olhos da tela, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Que resposta sem emoção… O que você está desenhando?

— Não sei explicar — disse distraído. — Hoje acordei com vontade de trabalhar com a cor verde.

Ele estava completamente concentrado. Na tela, um dragão chinês começava a ganhar forma, suas escamas sendo preenchidas por tons de verde.

Chenle observou em silêncio, sentindo o coração acelerar. Um dragão chinês. Verde. Sua cor favorita. Ele não pensou nem por um segundo que aquilo pudesse ser coincidência — seu ego definitivamente não ajudava.

— Você pensou em alguém quando começou a desenhar? — perguntou com um sorriso largo e esperançoso.

— Como assim? — Jisung finalmente virou o rosto para encará-lo. — É só um dragão. Por que eu pensaria em alguém?

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora