Jaemin estava nervoso e apreensivo. Sempre ficava assim quando precisava visitar a mãe. O relacionamento entre os dois era complicado — no mínimo.
— Quanta demora. Achei que nunca mais viria — ela reclamou assim que ele entrou.
— Você deve imaginar o motivo de eu não vir — respondeu, atento a cada movimento dela. — O que você está planejando?
— Por que eu estaria planejando alguma coisa? Só queria ver meu único filho — disse, aproximando-se da porta e trancando-a.
— Por que você trancou a porta?! — o pânico percorreu sua espinha, arrepiando-lhe a pele.
Já era tarde demais.
Jaemin sempre nutria a esperança de que, daquela vez, algo seria diferente. Que sua mãe teria mudado. Que o trataria como um filho — e não como algo que ele nunca deveria ter sido para ela.
Desde que ela descobrira sua sexualidade, sua vida se transformara em um pesadelo. Ela dizia que precisava “curá-lo”, que aquilo era uma doença. E, a partir disso, começaram os abusos. Ele se perguntava se existia alguma forma de escapar daquilo sem machucá-la, sem desafiar a figura que lhe ensinaram a obedecer acima de tudo.
Ele não reagia. Não se defendia. Não por consentimento, mas por medo e culpa. Pensava que precisava obedecer, porque era sua mãe, a pessoa que deveria protegê-lo e amá-lo acima de qualquer coisa. Chorava em silêncio, imóvel, enquanto tudo acontecia. E, quando não suportava mais, ainda assim era punido — com palavras, com agressões, com desprezo.
Aquela noite foi mais uma em que a esperança falou mais alto que o medo. Ele só queria ser tratado como filho. Desejava desesperadamente aquele amor que nunca veio. Em vez disso, sentia-se morrer um pouco mais a cada vez.
— Qual é o seu problema?! — ela gritou depois de um tempo, tomada pela frustração. — Eu tenho nojo de você! Se eu fosse qualquer outro, você ao menos reagiria?!
Jaemin apenas chorava. Não tinha forças para responder.
— Eu te dei a vida e você me devolveu o maior desgosto possível! Como pode meu filho ser assim?!
— Justamente… eu sou seu filho — conseguiu dizer entre lágrimas. — Como você pode fazer isso comigo?
— Estou fazendo isso para o seu próprio bem.
— Como isso pode me fazer bem? — sua voz falhava. — Eu não estou doente. Você sabe o quanto isso me destrói? Eu sinto como se estivesse morrendo por dentro.
— Cale a boca! — ela gritou. — Nenhum filho responde aos pais!
Aquilo continuou até quase o amanhecer. Mais uma noite marcada por abusos físicos, psicológicos e emocionais vindos da pessoa que deveria ser seu porto seguro.
Jaemin nunca procurara ajuda. Nunca contou a ninguém. Cresceu ouvindo que ninguém o acreditaria, que devia obedecer, que os pais sempre sabiam o que era melhor. Foram quatro anos sofrendo em silêncio. Às vezes se perguntava se o pai sabia de algo antes de ir embora — e se sabia, por que nunca fez nada.
Esperou que ela adormecesse para fugir mais uma vez.
[…]
Jeno estava inquieto. O amigo não voltava, e a preocupação o venceu antes que pudesse perceber. Acabou dormindo no sofá, acordando apenas com o som da porta se abrindo.
— Você ainda está acordado? — Jaemin perguntou. Sua voz estava rouca, baixa demais. O rosto denunciava o choro recente, apesar da tentativa de esconder.
— O que aconteceu com você? — Jeno se aproximou rapidamente, mas Jaemin recuou.
— Não foi nada demais… só briguei com um parente.
— Nada demais? — Jeno franziu o cenho. — Olha você. Esses machucados, seus olhos… você está péssimo.
— Eu já disse que não foi nada! — gritou, a voz quebrando. As lágrimas voltaram sem controle. — Eu… eu quero morrer…
— Não diga isso nunca — Jeno se ajoelhou à sua frente, em desespero. — Me conta o que aconteceu. Eu quero ajudar.
— Ninguém pode me ajudar — Jaemin cobriu o rosto com as mãos. — Eu estou sozinho. Sou obrigado a obedecer.
— Dizem que dividir o peso torna tudo um pouco mais leve — Jeno o abraçou com cuidado, tentando transmitir segurança.
— Eu estou sendo abusado pela minha mãe… — a frase saiu entre soluços, quase incompreensível.
Jeno ficou em choque. O mundo pareceu parar. Não havia palavras suficientes para aquilo.
Jaemin acabou adormecendo em seus braços, exausto, drenado emocionalmente. Jeno o levou até o quarto e o deitou com cuidado na cama. Sentou-se ali por alguns segundos, perdido. O que fazer com aquela informação? Como proteger alguém que já sofrera tanto?
— Não me deixe sozinho — Jaemin murmurou quando Jeno se levantou. — Por favor.
Sem dizer nada, Jeno se deitou ao seu lado e o abraçou. Permaneceu ali enquanto Jaemin chorava novamente, até o corpo cansado finalmente ceder ao sono. Mesmo dormindo, o rosto do moreno permanecia tenso, como se os pesadelos não o deixassem em paz.
Jeno observava em silêncio, o peito apertado. Seu amigo — e alguém por quem nutria sentimentos — estava passando por algo inimaginável. E ele não fazia ideia de como ajudar. Ainda havia Renjun, seus próprios conflitos, mas nada parecia tão urgente quanto proteger quem estava ali, frágil em seus braços.
Aquela noite foi longa e cruel para ambos. Jaemin lutava contra seus pesadelos, e Jeno não conseguia silenciar a própria mente para dormir.
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change | norenmin
Fiksi PenggemarOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
