.03.

102 14 12
                                        

Foi um momento extremamente estressante para todos após a descoberta do corpo. A polícia e a ambulância foram chamadas quase ao mesmo tempo. Muitos alunos foram interrogados ali mesmo, enquanto outros fugiram do local sem olhar para trás, como se correr pudesse apagar o que haviam presenciado. Ainda assim, sabiam que provavelmente seriam chamados mais tarde, assim que os policiais conseguissem rastrear a maioria dos participantes da festa.

Jaemin havia planejado começar a vida universitária com uma postura despreocupada, quase cinematográfica — alguém descolado, misterioso, fácil de gostar. Tudo isso foi destruído no instante em que se ajoelhou ao lado de um corpo ensanguentado. Ele foi a última pessoa a ver Jungwoo com vida, e essa informação ecoava em sua mente como uma sentença. Seu cérebro não lhe dava trégua. Cada olhar lançado em sua direção parecia carregado de suspeita, e isso o deixava ainda mais nervoso, mais consciente de cada movimento, de cada respiração.

Sentia-se observado. Julgado. Culpado — mesmo sem entender completamente o porquê.

Renjun chorava em silêncio. Jungwoo não era apenas um colega de faculdade; era um amigo do clube de artes, alguém que dividira risadas, ensaios e pequenos momentos de conforto. Chittaphon, mais velho, mantinha a mão firme em suas costas, tentando transmitir calma com um carinho contido. Jisung permanecia ao lado deles, assustado demais para dizer algo certo, mas presente o suficiente para que Renjun não se sentisse sozinho.

Jeno estava com os amigos do clube de natação, todos falando baixo sobre o que havia acontecido, como se qualquer palavra mais alta pudesse tornar aquilo mais real. Taeyong estava tão bêbado que acabara dormindo sentado em um dos bancos da delegacia, completamente alheio ao caos. Jaehyun quase não havia bebido — estava ocupado demais beijando alguém cujo nome sequer perguntou e, agora, sentia-se idiota por isso. Haechan, por outro lado, havia dançado até o limite do próprio corpo; o cansaço acumulado prometia cobrar seu preço no dia seguinte.

Mark e Chenle permaneciam junto ao time de basquete, observando tudo com expressões tensas. O pânico se espalhava como uma doença silenciosa. Alguns alunos ainda estavam bêbados, outros haviam usado drogas, e todos agora precisavam encarar policiais e responder perguntas para as quais não tinham respostas claras.

Ninguém imaginava que aquilo ainda iria piorar.

Felizmente, ninguém ficou retido na delegacia por mais do que algumas horas. Havia poucas informações concretas sobre o ocorrido, mas a polícia demonstrava especial interesse na pessoa que havia visto Jungwoo com vida pela última vez. Nenhum dos convidados soube dizer com certeza quem ele era ou o que fazia ali. Nem mesmo Jeno, que havia conversado brevemente com Jaemin naquela noite, conseguiu fornecer muitos detalhes — a conversa fora curta demais, e ele estava abalado demais para pensar direito.

Quando retornaram à faculdade, não havia qualquer vestígio da animação típica do pós-festa. Nenhuma história engraçada, nenhuma risada sobre alguém que passou vergonha. O campus estava tomado por um silêncio pesado, quase respeitoso. Era luto. Uma vida havia sido interrompida cedo demais.

Ninguém queria falar sobre aquilo.

Mas bastou perceberem que havia um aluno novo — o mesmo que encontrou o corpo — para que os cochichos começassem. A fofoca se espalhou rápido, cruel como sempre. Jaemin sentia que sua vida universitária havia acabado antes mesmo de começar. Resolveu se manter afastado, sem conversar com ninguém. Colocou os fones de ouvido, escolheu algum rock antigo e ficou esperando o horário da aula começar, tentando ignorar os olhares curiosos e desconfiados ao redor.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora