Lucas Wong. O que dizer sobre um jovem de vinte anos que nunca acreditou no amor?
Nunca havia se apaixonado, então sempre pensou que o amor fosse apenas uma ilusão coletiva, uma espécie de lavagem cerebral que a sociedade impunha para convencer as pessoas de que amar era algo extraordinário. Até que conheceu Jungwoo.
Eles tinham a mesma idade. Não foi amor à primeira vista, nem algo digno de um filme. Lucas apenas observava, em silêncio, aquele garoto alegre, carismático, facilmente amado por todos ao redor. Aos poucos, a presença de Jungwoo se tornou indispensável.
Começaram a namorar uma semana antes da tragédia.
Depois disso, Lucas fingiu que nem o conhecia. Não por falta de sentimento, mas por medo. Medo da dor, do luto, da perda. Queria se proteger, fugir de algo que ainda nem sabia como enfrentar. O namoro foi curto demais, não chegou a contar a ninguém. Não houve tempo.
Mesmo assim, amava aquele bobo mais do que jamais admitiria em voz alta.
Algum tempo depois, perdeu mais alguém. Xiao Dejun. Um amigo.
Os meses seguintes foram um borrão de noites mal dormidas e dias vazios. Aquela frase bonita sobre o tempo curar tudo sempre lhe pareceu ridícula. Quatro meses haviam se passado, e a dor permanecia intacta, como se nada tivesse mudado.
Lucas se tornou alguém que não reconhecia. Fazia piadas insensíveis, comentários ácidos, machucava antes de ser machucado. Tinha casos vazios com pessoas que não lembrava no dia seguinte. Bebia até perder o controle e acordava com ressacas que iam além do físico.
Ainda assim, ninguém percebia.
Ninguém sabia do peso que carregava, além do dia em que desmoronou pela primeira vez. Ninguém lia o que escrevia em seu diário, onde despejava tudo o que não conseguia dizer em voz alta. Era ali que sobrevivia.
Até aquela noite. O último dia da semana de provas.
[...]
Notícia:
Infelizmente, outro jovem foi vítima do assassino em série que atua nesta região. Wong Yukhei, conhecido como Lucas Wong, foi encontrado morto próximo a um bar popular entre universitários.
O jovem de vinte anos possuía muitos amigos, que agora lamentam profundamente sua perda. Um diário foi encontrado no local, contendo relatos de sua dor após a perda do namorado — a primeira vítima confirmada do assassino — e, posteriormente, de um grande amigo, também assassinado.
Ao serem questionados, seus colegas afirmaram não saber que Lucas sofria tanto em silêncio.
Após perícia e autópsia, informamos que sua morte foi brutal. A cena era extremamente violenta, a ponto de causar mal-estar em alguns policiais. O assassino demonstra um aumento significativo de agressividade, e os alunos não estão seguros, nem mesmo dentro da faculdade.
[...]
— Que tipo de amigo eu fui? — Mark murmurou, sentado na arquibancada da quadra de basquete. — Como eu não percebi nada? Achei que ele estivesse melhor… que estivesse se recuperando depois de voltar às aulas.
As lembranças dos dias em que jogaram juntos insistiam em voltar.
— Você não é o único — Yuta respondeu, sentando-se ao seu lado. — Todos nós estamos cheios de arrependimentos agora.
Alguns poderiam achar suas palavras frias, mas ele entendia bem demais a dor de Lucas. Havia ignorado sinais sutis, ocupado demais tentando lidar com o próprio luto. Também passava os dias observando todos ao redor, buscando comportamentos estranhos, suspeitando até dos amigos. Isso o corroía por dentro, mas precisava descobrir quem era o monstro por trás de tudo.
O time inteiro de basquete sentia o peso da perda. Taeil percebeu que não adiantaria insistir nos treinos naquele dia. Liberou-os, permitindo que cada um lidasse com a dor à sua maneira.
Donghyuck sabia da amizade entre Mark e Lucas. Pediu a Taeyong para ficar um tempo com ele. O treinador não gostou da ideia — o ruivo ainda precisava treinar muito —, mas decidiu ser menos rígido daquela vez.
Ten também liberou Jisung para visitar Chenle no clube de basquete. Nenhum deles esperava receber apoio de quem gostava. No fundo, acreditavam que seus sentimentos não eram correspondidos.
— E… como você está? — Donghyuck perguntou ao se aproximar de Mark.
— Eu não sei responder isso — foi sincero.
Não tinha forças para agir como alguém confiante ou despreocupado. Tudo parecia vazio demais.
— Eu entendo — Donghyuck disse, hesitante. — Já perdi três colegas para esse assassino. Alguns morreram a poucos metros do meu quarto no dormitório… e até hoje não consigo passar por ali à noite.
Nunca havia contado aquilo a ninguém. Nem mesmo a Jeno.
— Eu soube dos ataques no dormitório do curso de Direito — Mark comentou. — Deve ser assustador mesmo.
— Ainda quer ir àquela festa?
— Quer falar disso agora? — Mark perguntou, a expressão cansada. Sabia que não conseguiria ser gentil se insistissem no assunto.
— Não… desculpa.
Donghyuck se sentiu inútil. Não sabia como confortá-lo.
— Eu devia ter prestado mais atenção nele — Mark disse, após um longo silêncio. — Não sei o que fazer com tudo isso.
Sentado na arquibancada, suspirava, preso a pensamentos que nunca teriam resposta. Talvez pudesse ter feito algo. Talvez não. Agora, só restava a perda.
Do outro lado da quadra, Jisung conversava com Chenle. À primeira vista, o chinês parecia bem, mas quem o conhecia sabia que aquilo não era verdade. Jisung tentava entender o que se passava em sua mente, procurando uma forma de aliviar aquela dor silenciosa.
— Você está bem? — perguntou.
— Não totalmente — Chenle respondeu. — Mas isso passa… não passa? Vai ficar tudo bem.
Havia esperança em sua voz, ainda que frágil.
— Vocês vão jogar hoje?
— Não. O Taeil liberou a gente.
— O Taeil é seu treinador?
— É. Por quê?
— Ele é tão baixinho… não parece tão atlético.
Chenle riu, animando-se aos poucos.
— Ele pode não parecer, mas é incrível. Melhorei muito desde que cheguei aqui. Ainda não consigo ganhar dele em um duelo. Eu treino todos os dias, mas nunca vejo ele treinando… e mesmo assim, ele sempre vence.
Falava com brilho nos olhos.
Jisung percebeu naquele instante. Basquete era o refúgio de Chenle. Era ali que ele sorria de verdade.
Então era isso que faria. Alimentaria aquele assunto, ouviria cada palavra, apenas para continuar vendo aquele sorriso surgir novamente no rosto que, pouco antes, parecia tão abatido.
Às vezes, estar presente já era o suficiente.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
