Algo teria acontecido se Jaemin não tivesse voltado do banheiro naquele momento. Talvez tudo fosse diferente se ele não estivesse com a mente tão distante, perdida em pensamentos que nem ele conseguia nomear. Talvez ele tenha realmente não percebido a proximidade perigosa entre os dois. Ou talvez tenha percebido e escolhido fingir que não.
— Cara, tinha uma fila enorme pra entrar no banheiro e outra lá dentro pra usar as cabines! — reclamou, tentando parecer leve. — Quase escolhi fazer nas calças!
Ele se sentou ao lado de Jeno como se nada tivesse acontecido.
— Pela quantidade de gente aqui, é normal — Jeno respondeu, calmo demais para alguém que segundos antes estava prestes a cruzar uma linha sem volta.
Jaemin lançou um olhar curioso entre os dois.
— O que vocês estavam fazendo?
— Nada — Renjun respondeu rápido demais. — Só comentando sobre quem poderia ser o assassino.
A animação dele havia sumido. O vazio que sentia no peito não tinha nome, mas doía. Doía ainda mais porque, por um instante, ele realmente acreditou que Jeno fosse beijá-lo.
— Não é o que você está pensando — Jeno murmurou baixo, apenas para Jaemin ouvir.
— Você não precisa se explicar pra mim — Jaemin respondeu, forçando um tom indiferente. — A gente não tem nada.
Mas o brilho nos olhos, marejados demais para serem ignorados, o traiu. A voz vacilou no final da frase, e Renjun percebeu. Percebeu que, de algum jeito, também era responsável por aquilo.
— Me deixa explicar, Jaemin — Jeno pediu, com urgência sincera.
— Não. Só esquece.
Jaemin se levantou rápido, indo em direção ao bar como se fugir fosse a única opção para não desmoronar ali mesmo.
— Espera! — Jeno se levantou para segui-lo. — Eu já volto, ele está entendendo tudo errado.
— Ele entendeu errado? — Renjun murmurou, sentindo o coração afundar. — Acho que eu também entendi.
Ele se levantou, o corpo tenso, a voz embargada.
— Achei que você pudesse querer me beijar também. Parece que eu só crio confusão por estar perto de vocês.
— Não é isso! — Jeno passou a mão pelos cabelos, desesperado. — Droga… eu não queria que tivesse acontecido assim.
— Tudo bem — Renjun disse, forçando um sorriso que não alcançava os olhos. — Eu continuo gostando de você. Mesmo tendo me iludido.
A irritação misturava-se à tristeza. Jeno sabia dos sentimentos dele. Mesmo assim, sempre corria para Jaemin.
— Renjun… eu preciso falar com ele primeiro. Você sabe que agora não é o momento de confundi-lo ainda mais. Depois a gente conversa, eu prometo.
— Tudo bem — respondeu baixo. — Pode ir.
Renjun se afastou, decidiu procurar Jisung. Qualquer lugar era melhor do que ficar ali sentindo o coração apertado.
Jeno se amaldiçoava em silêncio. Sempre tentou proteger todos, sendo o ponto de equilíbrio. E, ainda assim, estava machucando as duas pessoas que mais importavam. Quando levantou o olhar para procurar Jaemin, sentiu o estômago gelar.
Ele havia sumido.
— Merda…
Antes que pudesse reagir, gritos cortaram o salão. O clima festivo se transformou em pânico em segundos.
— Meu Deus! É o Liang! — Yangyang gritou, o desespero evidente. — Chamem uma ambulância! Rápido! Talvez ainda dê tempo!
Ele se jogou ao lado do namorado, tremendo dos pés à cabeça.
— Yang… ele não está respirando… — Mark disse, ajoelhando ao lado deles, tentando ser o apoio que ninguém teve quando Lucas se foi.
— Não… — Yangyang abraçou o corpo sem vida, o choro rasgando o peito. — É minha culpa. Eu que chamei ele pra vir…
— Não é sua culpa — Mark respondeu com firmeza, mesmo com os olhos cheios d’água. — Você não podia saber.
Poucas horas depois, o salão estava cercado por policiais e médicos. Interrogatórios começaram. Quando Jaemin entrou na sala e viu quem o esperava, sentiu o mundo parar.
Na Yejun. Seu pai.
O homem que o abandonou por quatro anos. O mesmo que agora o encarava friamente, como apenas mais uma testemunha.
— É sério isso? — Jaemin explodiu. — Depois de quatro anos, a primeira coisa que você me pergunta é se eu sei algo sobre um assassinato?
— Se acalme — Yejun respondeu, impassível. — Preciso saber tudo o que aconteceu hoje nessa festa.
— Mesmo se eu soubesse, eu não te diria nada — Jaemin retrucou, a voz tremendo de raiva. — Por que eu te ajudaria? Você me abandonou! Quatro anos! Você tem ideia do que eu sofri?
Yejun pediu que o policial saísse da sala, desligou o gravador e suspirou, como se estivesse cansado demais para lidar com aquilo.
— O que você queria que eu fizesse?
A pergunta soou vazia. Fria.
— Talvez me proteger — Jaemin respondeu, com ironia amarga. — Não é isso que um pai deveria fazer?
— Eu não tenho tempo pra crise adolescente — Yejun respondeu, impaciente. — Estou no meio do caso mais promissor da minha carreira.
— Promissor? — Jaemin riu, sem humor. — Então é isso? Uma promoção vale mais do que as pessoas que morreram? Você é desprezível.
— Não fale assim comigo — Yejun rebateu. — Sou seu pai e um investigador em serviço.
— Quer saber? Vai pro inferno.
Jaemin saiu da sala sem olhar para trás, mesmo sabendo que poderia ser detido. Não se importava. Nada doía mais do que encarar aquele homem.
Do lado de fora, as lágrimas vieram sem controle.
Jeno, que aguardava sua vez de ser interrogado, viu tudo. Sem pensar, desviou dos policiais e correu atrás dele.
— Jaemin, espera!
— Me deixe em paz, Lee Jeno! — gritou, indo em direção à saída.
— Aonde você está indo?!
— Pra casa!
— Assim? Você pode sofrer um acidente!
— Quem se importa?!
— Eu me importo!
Jeno segurou seu braço, a voz quase implorando.
— Me escute, por favor.
— Escutar o quê? — Jaemin explodiu. — A gente transou e nunca falou sobre isso. Agora você estava quase beijando o Renjun. Parece que só eu me envolvi de verdade!
As palavras saíram rápidas, desordenadas, carregadas de tudo o que ele tentou esconder. Já estava colocando o capacete quando Jeno o impediu.
— O que aconteceu lá dentro? — perguntou com suavidade. — Me conta.
— Pra quê? — Jaemin tentou se soltar. — Só me deixa em paz…
Mas desabou. O choro veio forte, incontrolável.
— Eu prometi que estaria ao seu lado — Jeno disse, segurando seu rosto com cuidado, enxugando as lágrimas. — E vou cumprir isso. Não importa o que aconteça.
— Ele é meu pai… — Jaemin tentou falar, mas os soluços o impediram.
— Não precisa me contar agora — Jeno sussurrou, puxando-o para um abraço firme. — Só respira. Eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum.
E, pela primeira vez naquela noite, Jaemin acreditou.
VOCÊ ESTÁ LENDO
change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
