.34.

40 8 3
                                        

Johnny continuava observando o colega de quarto com atenção constante. Não fazia questão de se esconder; Yangyang já sabia muito bem de suas suspeitas.

— Vai me seguir até o banheiro de novo, como fez aquele dia? — o mais novo debochou. — Não entendo essa obsessão. Eu não sou o assassino.

— Tenho o direito de suspeitar de quem eu quiser, desde que não faça acusações nem difamação — Johnny respondeu com calma. — Que eu saiba, nunca contei a ninguém que suspeito de você. Então você não pode me impedir de observar.

— Você está cursando Direito agora, por acaso?

— Isso é conhecimento básico.

— Se você diz… — Yangyang deu de ombros. — Faça o que quiser. Não tenho nada com que me preocupar.

A indiferença dele era perturbadora.

Johnny sentiu suas certezas começarem a ruir. Será que estava desconfiando da pessoa errada? Sempre que Yangyang reagia sem medo, sem culpa ou qualquer traço de nervosismo, Johnny se via confuso. Não passava por sua mente que era exatamente assim que um psicopata poderia agir. Tampouco percebeu que havia cometido um erro crucial ao deixar claro que ninguém mais sabia de suas suspeitas — um detalhe que poderia custar caro.

Enquanto Johnny se questionava, Yangyang pensava em algo completamente diferente.

Ele só queria se livrar daquela vigilância constante. A polícia nunca conseguiria pegá-lo; não havia provas, não havia riscos reais. Sua vida perfeita não estava ameaçada. Pelo menos, era isso que acreditava.

O que Yangyang não sabia era que a polícia já havia solicitado um mandado de busca para revistar todos os dormitórios da universidade. Faltava apenas a aprovação do juiz, o que não levaria mais do que algumas horas. Se houvesse qualquer prova escondida dentro do campus, ela seria encontrada.

Duas horas depois, um anúncio ecoou por toda a universidade.

O diretor informava que todos deveriam deixar os prédios imediatamente, sem levar pertences, sob o pretexto de um treinamento de incêndio. No entanto, assim que os alunos chegaram à área externa, a verdade se revelou: viaturas alinhadas, policiais armados e um clima pesado de tensão.

— Boa tarde, universitários — o diretor voltou a falar, agora com um microfone. — Peço desculpas por mentir sobre o treinamento. A verdade é que a polícia obteve um mandado de busca e fará uma varredura completa na universidade em busca de provas que possam levar ao culpado.

Um murmúrio assustado percorreu a multidão.

— Veículos serão disponibilizados para levá-los ao hotel vizinho — continuou. — Vocês ficarão lá esta noite e só poderão retornar amanhã, quando forem convocados. Professores estarão disponíveis para qualquer necessidade, mas ninguém poderá voltar ao campus antes da liberação oficial.

Aquele dia seria decisivo. Ou a polícia avançaria na investigação, ou o assassino continuaria impune. Antes de serem escoltados para fora, os alunos ainda ouviram a voz firme do chefe de polícia, dirigindo-se à equipe.

— Quero cada centímetro vasculhado. Não deixem pedra sobre pedra. Hoje estamos apostando tudo.

— Sim, senhor!

[...]

Jeno soube do que estava acontecendo na universidade após receber uma ligação de Taeyong. Ele explicou que havia a possibilidade de a polícia também investigar alunos que moravam fora do campus. Jeno não acreditava, nem por um segundo, que algum de seus atletas fosse o assassino, mas mesmo assim o aviso o deixou inquieto.

No apartamento que dividia com as duas pessoas que amava, ele já não pensava tanto naquele assunto. Ainda assim, um incômodo surgiu no peito. Enquanto ele vivia dias tranquilos, muitos colegas continuavam presos ao medo constante. A ideia de que pessoas próximas poderiam ser psicopatas capazes de sentir prazer em machucar os outros era aterradora.

— Aconteceu alguma coisa? — Renjun perguntou ao notar sua expressão distante.

— O quê? — Jeno saiu dos próprios pensamentos.

— Você ficou abatido de repente.

— Meu treinador ligou — explicou. — A polícia está revistando o campus. Os alunos foram levados para o hotel ao lado.

— Isso é bom, não é? — Renjun sorriu. — Eles podem encontrar o culpado hoje.

— É, eu sei… — Jeno suspirou. — Só me sinto estranho por estar tão feliz aqui enquanto eles vivem com medo todos os dias.

— E você se sentiu culpado por estar feliz — Renjun completou, com suavidade. — Jeno…

— Eu sei que não deveria, mas aconteceu.

— Nós não temos culpa alguma — disse com firmeza. — O único culpado é o monstro que está matando os próprios colegas. O mundo inteiro sofre todos os dias. Vamos deixar de ser felizes por isso?

Jeno pensou por um instante e assentiu.

— Você tem razão.

Enquanto isso, Jaemin recebeu uma ligação que mudaria completamente seu dia.

— Ela morreu? Como assim? — sua voz falhou ao ouvir a notícia.

O senhor Na não entrou em muitos detalhes. Disse apenas que um corpo em avançado estado de decomposição havia sido encontrado em uma vala conhecida por atividades de gangues. Os restos mortais estavam irreconhecíveis, mas o exame de DNA confirmara: era sua mãe, desaparecida havia muito tempo.

— Gangues? — Jaemin murmurou, atordoado. — Ela estava envolvida até nisso?

O pai, impaciente como sempre, disse que não sabia e desligou, deixando o filho sozinho com o peso daquela informação.

— Jaemin? — Renjun chamou, atento à expressão vazia do mais novo.

— O quê?

— Quem ligou? O que aconteceu?

— Meu pai.

Só isso já foi suficiente para alarmá-lo.

— O que ele queria?

— Minha mãe morreu.

Renjun ficou sem reação.

— O quê?

— Encontraram um corpo… — Jaemin falou rápido demais, tropeçando nas palavras. — Disseram que o DNA bateu…

As lágrimas vieram antes que ele pudesse se conter.

— Calma — Renjun segurou seus braços ao notar que ele mal conseguia se manter em pé. — Jeno! Me ajuda, por favor!

— O que está acontecendo? — Jeno perguntou, confuso, enquanto ajudava Jaemin a se sentar no sofá.

— Minha mãe morreu — Jaemin repetiu, a voz quebrada.

O choque tomou conta do platinado. Mesmo depois de anos de abuso e dor, ainda era sua mãe. Depois de longos minutos de choro intenso, conseguiram acalmá-lo o suficiente para que respirasse sem soluçar.

Por dentro, Jaemin se sentia despedaçado. Por que nada nunca funcionava para ele? Sempre havia algo novo para machucá-lo, como se estivesse sendo punido continuamente por erros que nem lembrava de ter cometido.

Jeno e Renjun conversaram recentemente sobre ajudá-lo a cuidar melhor de sua saúde mental. Agora, além de tudo, ele estava de luto sem sequer ter superado seus traumas.

Eles temiam que fosse demais.

Temiam que o amor, por mais forte que fosse, não fosse suficiente para impedir que Jaemin desistisse.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora