Notícia:
Mais uma vez, um jovem foi encontrado morto em uma festa universitária. Tudo indica que se trata de mais uma vítima do assassino em série que vem aterrorizando a região.
O corpo foi encontrado em uma cabine do banheiro masculino. A causa da morte foi estrangulamento. De acordo com as imagens das câmeras de segurança, ninguém entrou no banheiro após a vítima, com exceção de um colega identificado como Hendery, estudante de idiomas.
A vítima, Liang, tinha 22 anos, trabalhava em uma biblioteca próxima ao campus e namorava Yangyang, também aluno de idiomas, que foi quem o convidou para a festa.
Os investigadores já estão no local e deram início aos interrogatórios.
[...]
Jisung passou a maior parte da noite conversando com Chenle. Por isso, os gritos que cortaram a música vieram como um choque indesejado, quebrando qualquer ilusão de normalidade.
— Que merda… — Chenle se jogou no sofá mais próximo, cobrindo o rosto com as mãos. — Quando esse pesadelo vai acabar? Quando vamos poder ser jovens despreocupados de novo?
— Eu nunca fui um jovem despreocupado — Jisung respondeu, baixo.
— Mas você se preocupa com tudo, Jisung.
Chenle olhou em volta, irritado e cansado. A festa havia se transformado em luto mais uma vez. Seus olhos pararam em Yangyang, encolhido nos braços de Mark, chorando como se o mundo tivesse acabado ali.
— Eu nunca tinha visto ele namorando… — continuou, a voz falhando. — O Yang sempre foi tipo o mascote fofo do time de basquete. E agora… olha pra ele.
Jisung seguiu o olhar até o garoto de dezenove anos, trêmulo, esperando sua vez de falar com o investigador Na Yejun.
— A morte é estranha — murmurou. — Num momento a gente está rindo, dançando… e no outro, chorando alguém que nunca mais vai se mexer.
— Jisung, eu te amo, mas não é hora de filosofar sobre a vida — Chenle disse, seco, sem pensar muito.
O silêncio entre os dois durou segundos demais.
— Você percebeu o que acabou de dizer? — Jisung perguntou, confuso.
— Percebi. Já sou grandinho o suficiente pra saber o que falo.
— Você disse que me ama, do nada!
— E eu amo! — Chenle explodiu. — Qual é o problema nisso? Estou cansado de correr atrás de você sem saber o que sente. Então fala agora!
A tensão subiu rápido demais.
— Você está se declarando pra mim e ainda está exigindo uma resposta? — Jisung perguntou, a palavra “exigindo” carregada de incredulidade.
— Sim! — Chenle respondeu sem hesitar. — Eu não sou paciente, não vou fazer discurso fofo esperando eternamente! Que se dane isso, que se dane o mundo! Eu te amo desde aquela primeira festa, e estou esperando até agora!
As vozes já estavam altas o suficiente para chamar atenção. Algumas pessoas observavam, tentando entender se aquilo era uma briga ou algo mais.
— Ei, ei… — Taeyong surgiu entre eles, firme. — Não é hora nem lugar pra isso.
— Eu não me importo mais! — Chenle se levantou, pronto para ir embora.
Taeyong segurou seu braço.
— Você ainda não falou com o investigador, certo?
Chenle assentiu, contrariado.
— Então senta e espera. Se sair agora, eu falo com o Taeil e você vai direto pro banco.
Respirando fundo, Chenle voltou a se sentar ao lado de Jisung. Só quando Taeyong se afastou é que o silêncio voltou.
— Foi verdade? — Jisung perguntou, mais baixo.
— O quê?
— O que você disse… foi sincero ou só queria brigar comigo?
Chenle revirou os olhos, irritado.
— Você me irrita demais. Claro que foi sincero. Você acha mesmo que eu falaria isso em voz alta passando vergonha se não fosse verdade?
— Calma, estou perguntando numa boa.
— Eu não estou com paciência. Sinto que vou explodir.
— Vai passar — Jisung disse, tentando acalmá-lo. — Um dia isso tudo vai acabar.
Ele fez uma pausa curta, quase tímida.
— Ah… eu também te amo, seu estranho.
— Estranho é você — Chenle respondeu, já sorrindo de canto. — Mas eu sabia. Olha pra mim, tem como não me amar? Eu sou incrível.
— Agora você está me irritando — Jisung respondeu, suspirando.
Mesmo assim, sabia. Estava perdido naquele ego absurdo… e completamente apaixonado.
[...]
Jaemin ainda estava com raiva de Jeno. Mas, acima disso, estava se sentindo sozinho de um jeito que nunca havia experimentado antes. Precisava de alguém. Precisava daquele abraço. Precisava dele.
— Me desculpa por tornar tudo mais difícil — Jaemin disse, a voz quebrada. — Eu não fiz por mal… mas não existe justificativa pra ter machucado vocês dois.
O pensamento o corroía. Em que momento havia perdido o controle? Em que momento se tornou alguém que causava dor?
— Não me deixe sozinho, por favor… — suplicou, chorando.
— Eu não vou te deixar — Jeno respondeu com firmeza. — Mesmo que você me expulse, mesmo que me chute.
Passou a mão pelos cabelos de Jaemin, devagar, como se o simples toque pudesse mantê-lo ali.
Ficaram assim por um tempo, até que o choro cessasse e Jaemin conseguisse contar tudo. A rejeição do pai, a dor de perceber que aquela era sua última tentativa de ter uma família.
— Mesmo sem uma família, você continua sendo alguém amoroso — Jeno disse, segurando seu rosto. — Você não se tornou alguém ruim por causa do seu passado. Pelo contrário. Você tenta ser melhor todos os dias.
Jaemin o encarou, vulnerável.
— Vai doer — continuou Jeno. — Talvez por muito tempo. Talvez pra sempre. Mas a gente vai lidar com isso juntos.
— Juntos? — Jaemin perguntou, inseguro. — Como, se eu nem sei o que a gente é? Eu fico jogando meus sentimentos sem saber o que você sente… isso me assusta.
A lembrança de Jeno quase beijando Renjun voltou como um soco.
— Pelo amor de Deus, Jaemin — Jeno suspirou, irritado e sincero. — É óbvio que eu gosto de você. Só não é o momento. Olha tudo o que está acontecendo na sua vida. Você precisa de tempo.
— Era isso que você pensava esse tempo todo?
— Sim.
— Pensava em mim?
— Sim.
Jaemin soltou uma risada curta, cansada.
— Lee Jeno, você não existe… — suspirou. — Vamos embora?
— Eu ainda não dei meu depoimento — Jeno respondeu. — Você pode me esperar um pouco?
— Claro — Jaemin disse. — Só não me pede pra ficar perto daquele homem.
— Eu nunca faria isso.
E Jaemin sentiu que não precisava enfrentar tudo sozinho.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
