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— Então foi por isso que você não entregou — concluiu Jisung, depois de ouvir tudo o que Renjun contou, ainda cabisbaixo. — Você não pode concluir que eles têm um relacionamento só por isso. Você viu eles se beijarem?

— Não…

— Então pronto.

— Não é só isso — Renjun respondeu, a voz falhando. — Você não viu o jeito que o Jeno olhava para o Jaemin… Acho que já perdi. Você estava certo quando disse que alguém ia chegar antes de mim e conquistar o coração dele.

Ele apoiou a cabeça na mesa, escondendo o rosto entre os braços.

— Eu sei que estava certo, sempre estou — Jisung disse, orgulhoso demais de si mesmo. — Mas não é isso que importa agora. Você não pode ter certeza de que perdeu só por causa disso. Tem que ser mais forte.

Renjun levantou um pouco o rosto.

— Olha, eu sou seu amigo, então vou ser sincero — continuou Jisung. — Você é muito bonito, tem uma personalidade incrível, mesmo sendo meio temperamental.

— Por que você tinha que estragar? — reclamou Renjun.

— Enfim — Jisung suspirou —, você é especial. Não pense o contrário. Não adianta chorar pelo leite derramado agora, você precisa levantar e seguir em frente. Seus sentimentos ainda estão aí, não estão?

Renjun ficou em silêncio por um momento.

— Nossa, Jisung… nunca imaginei você como um romântico desses.

— Você está prestando atenção no que eu estou dizendo? — respondeu, envergonhado.

— Estou sim — Renjun riu baixinho. — Vou continuar tentando. Até ele me dar um fora de verdade.

— É isso aí.

As palavras de Jisung não apagaram a dor, mas deram a Renjun algo que ele estava quase perdendo: esperança.

[...]

Depois de conseguir acalmar Jaemin, Jeno procurou Renjun pelo prédio da piscina, mas não o encontrou. Não podia se dar ao luxo de sair procurando naquele momento ou acabaria levando uma bronca do treinador. Ainda assim, passou o resto do dia com a mente presa ao que havia acontecido. Mesmo sendo apenas uma brincadeira, as consequências tinham sido grandes demais para ignorar.

Precisava falar com Renjun. Não para explicar tudo — isso cabia a Jaemin —, mas ao menos para não deixá-lo no escuro.

O treino foi pesado. Taeyong parecia ter decidido compensar a falta do dia anterior, e ninguém ousou reclamar.

— Finalmente acabou — Jaemin suspirou, sentando-se no banco do vestiário.

— Sim — respondeu Jeno, juntando suas coisas para tomar banho.

— Você parece com pressa — comentou Jaemin.

— Preciso falar com o Renjun.

— Vai contar? — perguntou, com o medo estampado no rosto.

— Não. Isso não é decisão minha — Jeno respondeu com firmeza. — Você conta se e quando quiser.

Jogou a toalha sobre o ombro.

— Depois eu vou pra casa sozinho, pode ir.

— Nem pensar — Jaemin respondeu rápido. — Não é seguro andar por aqui à noite. Eu te espero na frente da faculdade.

— Tá bom.

Os chuveiros estavam ocupados, o que deu a Jaemin tempo demais para pensar. Enquanto isso, Jeno se apressou para sair. Se demorasse mais, perderia Renjun.

Correu quase até o outro lado do campus, o coração disparado como se estivesse em mais um treino individual.

— Você ainda está aqui — disse, sorrindo apesar da respiração pesada.

— Jeno? — Renjun levantou imediatamente. — Você veio correndo? Está tudo bem?

Jeno fez um gesto pedindo um momento. Renjun o conduziu até uma cadeira e, com um lenço, secou o suor de sua testa enquanto ele recuperava o fôlego.

— Está tudo bem — Jeno disse, enfim. — Eu só precisava falar com você e não sabia se ainda estaria aqui.

— Costumo sair mais tarde — Renjun respondeu, coçando a nuca. — Fico imerso na pintura… quando percebo, já está noite. O que aconteceu?

— É sobre mais cedo. Me desculpa por não ter te dado atenção. O Jaemin está passando por algo complicado e precisava de mim.

— Está tudo bem — respondeu Renjun.

Mesmo que meu coração não ache isso justo.

Ele se repreendeu por se sentir assim, mas sabia que sentimentos não obedecem à lógica.

— Então… aqueles biscoitos ainda valem? — Jeno perguntou, meio sem jeito.

— Claro — Renjun sorriu, indo até sua bolsa amarela com detalhes azuis. — Eu fiz pra você.

— Que gentil — disse Jeno, pegando a tigela e comendo com vontade.

Renjun voltou à sua pintura. A presença de Jeno sempre lhe trazia inspiração, e ele não queria desperdiçar aquele momento.

— Jeno, tenta não mexer muito.

— Por quê?

— Estou te pintando — explicou. — Evita movimentos bruscos.

O pedido fez o coração de Jeno acelerar. Terminou de comer e ficou parado, observando Renjun trabalhar. Quando a pintura ficou pronta, Jeno demorou a reagir.

— Quer ficar com ela? — Renjun perguntou, inseguro.

— O quê? Não — respondeu rápido. — É o seu trabalho. Mas… está incrível. Eu não sabia que você me via assim.

— Vejo — respondeu Renjun, corando.

Naquele instante, ficou claro para ele que não havia se apaixonado apenas pelos elogios que Jeno fazia, mas pela forma como cuidava das pessoas, pela gentileza que parecia natural demais para alguém tão jovem.

Ele respirou fundo.

— Jeno… eu acho que te amo.

As palavras ficaram suspensas no ar, frágeis e sinceras, esperando por uma resposta que poderia mudar tudo.

change | norenminOnde histórias criam vida. Descubra agora